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PARQUE TECNOLÓGICO DA UFRJ PREPARA NOVA CHAMADA PÚBLICA E BUSCA MAIOR PRESENÇA DE PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

Por Luigi Mazza (luigi@petronoticias.com.br) –

José Carlos PintoConsolidado como importante espaço para o desenvolvimento de inovações do setor de petróleo e gás, o Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está sob novo comando. A diretoria da instituição, agora liderada pelo professor e especialista em engenharia química José Carlos Pinto, que assumiu há poucos dias, já traça planejamentos para os próximos meses e procura novas empresas interessadas em instalar bases de pesquisa nos espaços da universidade. A gestão recém-iniciada vem se movimentando em busca de uma grande companhia para ocupar um espaço disponível de 3 mil m² no parque, que abriga hoje um total de 47 empresas, diversas em tamanho e área de atuação. Entre elas está a britânica BG, que integra o grupo das gigantes instaladas no local e deverá finalizar as obras de seu centro de pesquisa em março do ano que vem, tornando-se vizinha de outros grandes grupos do setor de óleo e gás, como Petrobrás, FMC Technologies, Schlumberger, Halliburton, Baker Hughes, Tenaris, entre outros. Apesar dos investimentos por grandes nomes do segmento, no entanto, o protagonismo no parque deverá ser desempenhado por pequenos players do mercado. Segundo Carlos Pinto, a principal missão da instituição é impulsionar pequenas e médias empresas de base tecnológica. Através de uma chamada pública anunciada em outubro, a instituição tem buscado estimular a chegada de companhias que já passaram pela fase de incubação e que estão prontas para se desenvolver no mercado. Além disso, o parque hoje finaliza um novo edital para a convocação de pequenas empresas interessadas em ocupar espaços de atuação compartilhados na universidade. “Aqui elas podem se instalar em bases privilegiadas, com incentivos para instalação, assessoria jurídica e um ambiente permanente de discussão de tecnologias”.

Quais as mudanças trazidas pelo novo cargo?

Em termos de atividade, muda bastante. Minha missão era ajudar os colegas da UFRJ a desenvolver projetos de pesquisa e colaborações com a sociedade, em todas as áreas. Agora, minha missão é fomentar o relacionamento da universidade com as empresas instaladas aqui no parque. Acho muito importante identificar as empresas da região, do Brasil e do mundo que tenham perfil compatível com as nossas áreas de atuação. O parque é um projeto em andamento.

A chamada pública de empresas feita em outubro já trouxe resultados?

Sim, estamos analisando quatro propostas para instalação no parque. Como o processo ainda está em andamento e não é oficial, não posso dizer os nomes. Mas também já estamos conversando com outros interessados. Esse edital vai ficar aberto por um ano, não é um evento isolado. O objetivo é trazer para o parque empresas que já tenham passado pela fase de incubação e que mostram, de maneira inequívoca, condições de crescer. Com esse edital de “pós-incubação”, não estamos apostando em um empresário com uma boa ideia, mas em uma empresa que já mostrou seu potencial.

Como o parque tem buscado novas empresas?

Nós temos no parque uma gerência de articulações, que participa e procura empresas pra conversar. Ela também participa de eventos relacionados a incubadoras, divulga ideias e mostra as nossas vantagens competitivas.

Há novos projetos sendo avaliados?

Nessa linha de apoio a pequenas e médias empresas, estamos finalizando um edital que tentará abrigar no parque empresas dispostas a trabalhar em um ambiente compartilhado. A ideia é trazer empresas com sedes em outros lugares, estimular companhias de base tecnológica interessadas em interagir com a universidade. Aqui elas podem se instalar em bases privilegiadas, com incentivos para instalação, assessoria jurídica e um ambiente permanente de discussão de tecnologias.

Quantas empresas o parque abriga atualmente?

Nós temos 47 empresas instaladas, incluindo a Petrobrás. São 13 grandes empresas e um conjunto de 34 pequenas e médias, além de startups na incubadora.  

Qual é a área disponível para novas instalações?

Nós temos espaço para ao menos mais um grande empreendimento. São 3 mil m² de terreno. Temos conversado com possíveis interessados, mas ainda não tenho dados concretos. A nossa missão principal é ocupar o parque com pequenas e médias. Pretendemos trazer um número bem maior, então estamos disponibilizando espaços com capacidade para entre dez e 20 pequenas empresas.

Quais são hoje os principais empreendimentos no parque?

Temos os projetos da L’oréal e da AmBev, que já estão construindo centros de pesquisa no parque. A BG também está finalizando seu centro, que deverá ser inaugurado em março do ano que vem.

O momento ruim da indústria afetou o investimento das empresas?

Nós temos observado um interesse continuado, tanto nas atividades de P&D quanto na vinda ao parque. É inegável que o cenário é complicado, mas as empresas que fazem pesquisa têm estratégias a longo prazo. Ninguém faz um investimento de muitos milhões em um centro de pesquisa pensando nos próximos seis meses. Elas estão alinhadas com esses projetos, e firmamos contratos de 20 anos, renováveis ainda por mais 20 anos.

Como têm se comportado as pequenas e médias empresas?

Eu diria que existe um interesse crescente por parte dessas empresas. Mas nós entendemos que o país precisa investir nessa área em particular, desenvolvendo empresas de base tecnológica no âmbito das instituições. As tecnologias precisam chegar ao mercado e se concretizar através dessas empresas. Isso oxigena o setor. Somos um dos países que menos investe no mundo, embora tenhamos dado passos a frente nos últimos dez anos.

Esperamos a aprovação do Código Nacional de Ciência e Tecnologia, que já foi aprovado em comissões da Câmara e deve ser votado nos próximos dias. Precisamos construir o elo da inovação. Nosso país vai bem em trabalhos internacionais, mas vamos mal quando medimos como esse conhecimento está chegando ao mercado.

Que mudanças o Código propõe?

Ele traz várias mudanças, como a consagração do direito do pesquisador de participar de atividades empreendedoras. Às vezes a legislação não é clara e cria constrangimentos. O Código também incentiva o investimento em empresas de base tecnológica, facilita os mecanismos para aquisição de bens e serviços e ajuda fundações de apoio.

Quais são as expectativas para 2016?

Para o final desse ano e início do próximo, a nossa expectativa é de liderar esse edital que estimula a ocupação de áreas conjuntas. Nossa agenda inclui a provável inauguração da BG em março e a da AmBev antes das Olimpíadas. Pretendemos, ao longo do ano que vem, acelerar esse processo de instalação de pequenas e médias empresas. Uma ação importante que buscamos para 2016 é a humanização do parque, abrindo oportunidades de interação com outros setores da universidade. Estamos construindo um prédio, que chamamos de Cubo, para sediar exposições de tecnologias. A ideia é usar o espaço como um centro de convivência para a comunidade do parque.

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