NAO DELETAR
HMFLOW

DIRIGENTE DA FUP SAI EM DEFESA DA PETROBRÁS E FALA COMO DIRETOR DA COMPANHIA SOBRE O ATRASO NA LICENÇA DA MARGEM EQUATORIAL

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) está fazendo um alerta importante para os custos crescentes que os atrasos do licenciamento ambiental  está impondo à Petrobrás na Margem Equatorial, no litoral do Amapá. Talvez uma das raras oportunidades em que petroleiros e a empresa falam a mesma língua. Desta vez, a FUP se coloca como uma espécie de ventríloquo da companhia. É daqueles casos que não há como se discordar, embora a atenção seja despertada apenas para a subserviência da empresa aos caprichos do presidente Lula, que a está usando claramente com objetivos políticos. Os investimentos anunciados para a Bahia são exemplos clássicos. Os discursos do presidente diante de uma plateia domesticada, eufórica, vibrando com as bravatas contra o Presidente Trump, e as negações de que tenha havido a Lava Jato e os escandalosos desvios de bilhões na Petrobrás, recebem aplausos calorosos até pela diretoria da empresa e de políticos presentes que tiveram participações nos roubos da companhia. Constrangedor. Uma tarde na Terra do Nunca.

A FUP lembra indiretamente o que todos já sabiam há meses: a licença do Ibama para a Margem Equatorial não sairá antes do final da COP 30 e com o teatro de Marina Silva pedindo demissão. O informe da FUP lembra corretamente que o contrato de aluguel da sonda de perfuração, firmado pela Petrobrás, vence no próximo dia 21. O equipamento está parado no litoral do Amapá, aguardando autorização do órgão ambiental para realização do simulado preventivo em poço pioneiro. O custo adicional para a Petrobrás, a cada dia de sonda parada, é de cerca de R$ 4 milhões. A direção da Petrobrás faz o jogo do Capão. Não cobra do Ibama e se adequa ao que Lula quer: paciência até depois do dia 30 de novembro. Enquanto isso, os acionistas que esperavam uma posição firme da companhia, vão diminuindo seus lucros, copiando o velho e antigo sertanejo: esperando tempo bom.

Desde 2022, quando a estatal assumiu a operação do bloco, foram aplicados mais de R$ 1 bilhão, somente com atividades relacionadas ao licenciamento ambiental, sendo R$ 543 milhões com aluguel da sonda de perfuração, R$ 327 milhões com embarcações e R$ 142 milhões com serviços aéreos. “Esses valores demonstram o compromisso da Petrobrás com a segurança ambiental, mas também reforçam a urgência de decisões técnicas ágeis por parte dos órgãos responsáveis. As etapas necessárias para explorar com segurança essa nova fronteira energética do país não pode ser travada por questões administrativas ou indefinições regulatórias.”  diz o coordenador da federação, Deivyd Bacelar, que parece encarnado num papel de assessor da própria empresa. Aqui, ele poderia se chamar Deyvid Chambriard. Se tivesse sido aconselhado a fazer isso em nome da própria empresa, ninguém se surpreenderia.

Bacelar tira a camisa da FUP e fala mais como um dirigente da Petrobrás. Uma espécie de  ventríloquo da direção

E vai mais além. Para Bacelar,  o cenário atual do setor de exploração da Petrobrás traz uma preocupação estratégica para o futuro da companhia. “Projetos exploratórios de grande porte não avançam porque não conseguem licença ambiental para operar, enquanto projetos menores acabam sendo postergados, como SEAP (Sergipe Águas Profundas, na Bacia Sergipe-Alagoas) Albacora, Barracuda e Marlim Leste, cuja revitalização foi adiada para depois de 2030.”

Lula, políticos e dirigentes da Petrobrás aplaudem até a negação de que a empresa foi roubada na Lava Jato

A FUP diz, sabe-se lá o tipo de informação que recebeu e de quem, que “praticamente todos os projetos de exploração da Petrobrás para 2028-2029 estão direcionados para o exterior, deslocando investimentos e oportunidades que poderiam fortalecer a indústria e a soberania energética nacional. A questão é sempre a mesma: a dificuldade em obter licenciamento ambiental na Foz do Amazonas e em outras áreas sensíveis. Por outro lado, a área de exploração da Petrobrás não adquire blocos em bacias sedimentares já conhecidas, como Sergipe, Campos, Solimões e Espírito Santo“, diz o dirigente da FUP.

Bacelar, ao final, rasga a camisa dos petroleiros, e coloca uma de dirigente da empresa. Segundo ele, esse quadro traz uma preocupação central: “Se nada mudar, o país terá enormes dificuldades para reverter a paralisia exploratória. A Petrobrás corre o risco de perder protagonismo no Brasil e ficar excessivamente dependente de ativos internacionais, enfraquecendo sua capacidade de gerar riqueza, empregos e desenvolvimento no país. Não produzir petróleo no Brasil fará com que esse mercado seja ocupado por outros países. Significa que não teremos recursos para pesquisa e desenvolvimento. As bacias de Campos, do Espírito Santo e de Santos não são eternas.”

Inscrever-se
Notificar de
guest
2 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Antonio Roberto de Medeiros
Antonio Roberto de Medeiros
6 meses atrás

Enquanto o Ibama procrastina, a Petrobras sangra milhões por dia. O Brasil não pode esperar por vontade política para ter energia e soberania. ⚡ MANIFESTO CRÍTICO – “LICENÇA OU PARALISIA” O Brasil não pode perder o futuro esperando um carimbo. O atraso da licença na Margem Equatorial é um retrato de paralisia institucional. Cada dia custa milhões, mina a credibilidade da Petrobras e enfraquece a soberania energética nacional. Os dirigentes da Petrobras, do Ibama e do governo não podem mais se esconder atrás de relatórios intermináveis e discursos ambientais de conveniência. Enquanto isso, nossos vizinhos avançam sobre a mesma bacia… Leia mais »

Ana
Ana
6 meses atrás

Quem diz que não aceita a paralisia em forma de prudência, não
aceita a própria prudência. Licenciamento é um meio de estudar as
Várias alternativas para um licenciamento, incluindo a hipótese da não
realização.