CAMORIM SE PREPARA PARA INICIAR CONTRATO BILIONÁRIO COM A PETROBRÁS EM 2026 E MOSTRA INTERESSE EM AMPLIAR SUA FROTA
A Camorim está vivendo um ano de expansão e consolidação no mercado offshore. Em 2025, a companhia já firmou novos contratos com a Petrobras e ampliou sua atuação com a entrega de embarcações de diferentes portes, incluindo quatro Line Handlers (LHs) e o OSRV Aegis. Olhando para o futuro, o próximo passo será a execução de um contrato de R$ 1,2 bilhão, em parceria com a OOS International, para o afretamento e operação de duas embarcações autoeleváveis do tipo liftboat. Essas unidades serão empregadas em atividades de manutenção e descomissionamento de plataformas nas bacias de Sergipe-Alagoas e Rio Grande do Norte-Ceará. “Estamos animados — é um desafio significativo. Vemos esse novo contrato como mais uma etapa importante da nossa trajetória”, afirmou o Vice-Presidente da Camorim, Eduardo Adami, nosso entrevistado desta quinta-feira (6). Já no médio e longo prazo, a empresa olha com atenção para as possibilidades de expandir ainda mais a sua frota de embarcações. “De todo modo, seguimos atentos ao mercado e contamos com capacidade para trazer embarcações do exterior e registrá-las sob a bandeira brasileira, já que ainda dispomos de tonelagem nacional para isso”, contou o executivo.
Para começar, poderia mencionar alguns destaques iniciais da operação da empresa?
Neste ano, quatro novos Line Handler (LHs) de nossa frota entraram em contrato com a Petrobras. Também houve a entrega de duas novas embarcações desse tipo, que já estão operando no mercado spot. Além disso, embarcações de grande porte, como o Aegis, também foram entregues à Petrobras e já estão em contrato. Outro destaque é um Fast Supply que deve iniciar suas operações nas próximas semanas, em parceria com a Internav.
Vejo este ano como o período de consolidação dos projetos que planejamos anteriormente.
Quais são os grandes próximos passos da companhia?

A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, o CEO da OOS International, Leon Overdulve (à esquerda), e o vice-presidente da Camorim, Eduardo Adami, celebram assinatura de contratos das embarcações do tipo Liftboat
Olhando para frente, temos um grande contrato, que foi firmado neste ano com a Petrobrás. Em parceria com a OOS International, vamos afretar e operar duas embarcações autoeleváveis do tipo liftboat, que serão empregadas em ações de manutenção e preparação de plataformas fixas previstas para descomissionamento nas bacias de Sergipe-Alagoas e Rio Grande do Norte-Ceará. As embarcações devem sair da Ásia no início do próximo ano, com chegada prevista para fevereiro ou março, a fim de iniciar o contrato no primeiro semestre de 2026.
Também estamos acompanhando outras licitações, embora, como você sabe, esses processos envolvam confidencialidade até sua conclusão. De todo modo, seguimos atentos ao mercado e contamos com capacidade para trazer embarcações do exterior e registrá-las sob a bandeira brasileira, já que ainda dispomos de tonelagem nacional para isso. Estamos avaliando algumas oportunidades no offshore, mas, por enquanto, nada foi assinado ou contratado.
O que o contrato referente aos liftboats simboliza para o crescimento da empresa?
É um passo importante e um contrato de grande relevância que a Camorim firmou com a Petrobras. Trata-se de um tipo de embarcação voltada especificamente para atividades de descomissionamento, um tema que vem ganhando destaque no setor. Essa será a primeira embarcação da companhia com foco nesse tipo de operação. O projeto será executado em parceria com a OOS, em um formato semelhante a um consórcio. Estamos animados — é um desafio significativo. Vemos esse novo contrato como mais uma etapa importante da nossa trajetória.
Poderia nos dar um balanço geral sobre o status da frota? Quantas embarcações há no total, e quantas estão em contrato no momento?
A frota geral da Camorim atualmente ultrapassa 150 embarcações, entre lanchas, balsas, cabras e PSVs. No segmento offshore, contamos hoje com 17 LHs, três PSVs, um Fast Supply, o AHTS Atlântico e o Sayan Polaris, totalizando 23 embarcações em operação nesse mercado. Dentre elas, nove estão em contrato com a Petrobras — sete LHs, um OSRV e o Sayan Polaris.
Com esse momento de crescimento e novos contratos, a empresa olha para a expansão da frota e novos investimentos no médio e longo prazo?
Com certeza. Como mencionei anteriormente, ainda temos tonelagem brasileira disponível. As empresas que dispõem dessa tonelagem têm a possibilidade de adquirir embarcações no exterior e registrá-las sob a bandeira brasileira. Poucas companhias ainda contam com essa condição, e a Camorim está atenta a isso, avaliando boas oportunidades para trazer novas embarcações do exterior ao Brasil.
Como vocês avaliam as oportunidades para atender essa nova fronteira da Margem Equatorial, caso o potencial se confirme?
A Camorim está atenta às movimentações em torno da Margem Equatorial. Havendo demanda por embarcações, certamente estaremos prontos para atender da melhor forma possível — não apenas a Petrobras, mas também outras operadoras que venham a atuar na região. Estamos empenhados em contribuir, dentro do que for possível, para que o Brasil avance nessa nova fronteira exploratória. O potencial ali é nacional e representa geração de investimentos, empregos e royalties. Acredito que será um movimento muito positivo para o país, e não podemos perder a oportunidade de desenvolver a Margem Equatorial.
Quais são os planos e perspectivas para as áreas de reboque portuário e logística portuária?
No segmento de reboque portuário, identificamos a necessidade de ampliar a frota de rebocadores. Já construímos cinco unidades, com a entrega mais recente ocorrendo há cerca de dois meses. Nossa intenção é lançar um novo projeto de construção no médio ou longo prazo, embora isso ainda dependa da viabilização de financiamento, já que não se trata de um processo simples.
Na área de logística portuária, a estratégia está mais voltada para aquisições. Recentemente, adquirimos cinco lanchas para reforçar nossa atuação nesse segmento. Além disso, estamos avaliando o desenvolvimento da maior balsa-guindaste do Brasil, com capacidade de 750 toneladas, que deverá ser construída no estaleiro Juruá, no Norte do país. Esse é um investimento que pretendemos colocar em prática no próximo ano — ainda em fase de definição, mas já dentro do planejamento estratégico da empresa.
Há outras novidades para o mercado que merecem ser destacadas?
Uma das novidades mais recentes é o curso de Moço de Máquinas, desenvolvido em parceria com o Instituto Mar e Portos (Imapor). Iniciado há poucas semanas com 35 alunos, o programa é voltado a colaboradores diretos e indiretos da empresa e reflete o compromisso da Camorim com a formação profissional e o fortalecimento da indústria marítima nacional.
A companhia investiu em novos equipamentos, reformas e oficinas próprias para estruturar o projeto, criando uma verdadeira escola dentro da empresa. Um dos diferenciais da iniciativa é a oportunidade oferecida a profissionais de diferentes áreas — como limpeza, almoxarifado, mecânica e cozinha — que desejam crescer e se qualificar para novas funções. Aqueles que se destacam podem ser aproveitados internamente ou buscar novas oportunidades no mercado.
Diferentemente do que ocorre no mercado, onde cursos semelhantes podem custar cerca de R$ 20 mil por aluno, a capacitação é oferecida de forma totalmente gratuita aos participantes selecionados.

publicada em 6 de novembro de 2025 às 5:00 




