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ATUALIZAÇÃO DE ESTUDO SOBRE ANGRA 3 REFORÇA A VIABILIDADE DA USINA E COLOCA A DECISÃO NAS MÃOS DO GOVERNO LULA

Após quase três anos de governo, está chegando a hora de, finalmente, o presidente Lula e seus ministros do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidirem o destino sobre as obras de Angra 3. A Eletronuclear enviou nesta semana ao Ministério de Minas e Energia (MME), o resultado do estudo atualizado sobre a modelagem econômico-financeira de Angra 3, elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O trabalho destacou que concluir a usina é a opção mais lógica e benéfica para o Brasil. Cabe, agora, ao governo não postergar a decisão mais uma vez. Recuar pode ser a pá de cal no Programa Nuclear Brasileiro.

Agora, o MME repassará o estudo atualizado ao CNPE, que decidirá pela conclusão ou não da usina em reunião extraordinária prevista para este mês de novembro. De acordo com o estudo, o custo do abandono das obras de Angra 3 pode variar entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. O valor pode ultrapassar o necessário para a conclusão do empreendimento, estimado em R$ 24 bilhões, sem produzir um único MWh de energia elétrica. Segundo a Eletronuclear, Angra 3 tem entrada em operação comercial prevista para 2033.

Como já havíamos noticiado, a atualização do estudo considerou três cenários: manutenção dos termos do acordo de investimentos celebrado entre Eletrobras e ENBPar, com participação de sócio privado; conclusão do empreendimento com recursos públicos, oriundos da ENBPar e da União; e abandono do projeto, com detalhamento de custos, possíveis fontes de recursos e impactos para as partes envolvidas, inclusive estatais do setor nuclear.

Projeção de como ficará a Central Nuclear de Angra dos Reis após a conclusão de Angra 3

Nos três cenários, o estudo indica uma tarifa de equilíbrio entre R$ 778 e R$ 817 por MWh, inferior ao custo médio da maioria das usinas térmicas de grande porte do país, considerando os Custos Variáveis Unitários (CVU) acrescidos da Receita Fixa pela disponibilidade (aferida mesmo sem despacho da usina) — o que tornaria Angra 3, juntamente com Angra1 e 2, as térmicas mais competitivas desse porte no subsistema Sudeste”, destacou a Eletronuclear.

O valor proposto da tarifa representa um acréscimo de aproximadamente R$ 75/MWh. Isso se deve, segundo a Eletronuclear, à postergação da entrada em operação e da atualização dos custos de financiamento e investimento. “Vale destacar que o estudo de 2024 já previa esse possível acréscimo, estimado em até R$ 100/MWh, caso a decisão sobre o projeto não fosse tomada ainda naquele ano”, disse a empresa.

O projeto de Angra 3 já consumiu cerca de R$ 12 bilhões, mas segue sem definição quanto à sua conclusão. Enquanto não há decisão do CNPE, a Eletronuclear desembolsa aproximadamente R$ 1 bilhão por ano apenas para manter o empreendimento. Com a reestruturação societária de 2022, a ENBPar aportou R$ 3,5 bilhões para o custeio de Angra 3, valor esgotado em setembro de 2024. Desde então, a Eletronuclear vem utilizando recursos de receitas de Angra 1 e 2 para manter as obrigações do empreendimento, já tendo totalizado R$ 900 milhões até outubro de 2025.

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