APESAR DE UM PROVÁVEL ENVOLVIMENTO DA UCRÂNIA NAS EXPLOSÕES DO GASODUTO NORD STREAM, A EUROPA MANTEM O SEU APOIO
O mistério envolvendo as explosões subaquáticas que destruíram há três anos parte do gasoduto Nord Stream, construído pela Rússia para abastecer a Europa de gás, via Alemanha, ainda permanece. Muito provavelmente os órgãos de inteligência já sabe de quem foi a autoria, mas permanecem em silêncio. Apesar das suspeitas alemãs sobre o envolvimento da Ucrânia nas explosões, a União Europeia mantem intacto o seu apoio à Kiev. Dados sismológicos indicaram que as explosões eram compatíveis com uma grande bomba subaquática, o que foi posteriormente confirmado quando estilhaços foram descobertos. Os ataques tinham como alvo os gasodutos Nord Stream, uma ligação energética vital entre a Rússia e a Europa Ocidental. No início deste ano, um relatório investigativo oficial fez acusações explosivas que muitos temiam que pudessem mudar o rumo da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
Para lembrar, os gasodutos gêmeos Nord Stream foram construídos pela Nord Stream AG, uma empresa controlada majoritariamente pela Gazprom, estatal russa,
com o apoio de grandes empresas de energia europeias, incluindo Uniper, Wintershall Dea, Shell, Engie e OMV. Projetados para transportar gás natural diretamente da Rússia para a Alemanha através do Mar Báltico, os gasodutos contornaram países de trânsito como a Ucrânia e a Polônia, reduzindo custos e aumentando o poder de Moscou sobre o fornecimento de energia da Europa. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia no início de 2022, o fluxo de gás pelo Nord Stream 1 foi interrompido e a Alemanha suspendeu o uso do Nord Stream 2. Mais tarde naquele ano, as explosões de setembro destruíram três dos quatro gasodutos, liberando até 485.000 toneladas de metano, um dos maiores vazamentos causados pelo Homem na história.
Após as explosões, a Dinamarca e a Suécia iniciaram investigações, uma vez que o incidente ocorreu dentro de suas Zonas Econômicas Exclusivas, assim como a Alemanha, principal destinatária do gás e parte interessada fundamental. A Suécia posteriormente encerrou sua investigação, alegando falta de jurisdição, e a Dinamarca arquivou o seu caso por insuficiência de provas. A Alemanha, motivada por preocupações com a segurança energética nacional, continua a conduzir a investigação. Há alguns meses, os alemães emitiram mandados de prisão para suspeitos identificados como cidadãos ucranianos em conexão com as explosões. Entre esses indivíduos estão Volodymyr Zhuravlev(esquerda), um
mergulhador preso na Polônia, e Serhiy Kuznetsov(direita), um ex-oficial da inteligência ucraniana, preso na Itália. As novas revelações suscitaram preocupações de que o apoio europeu à Ucrânia possa enfraquecer, mas não se pode confirmar.
Para a maioria dos países europeus, a guerra não é vista apenas como um conflito regional, mas como um desafio direto à segurança do continente. A sabotagem poderia ser vista como um sintoma de um conflito instigado pela Rússia, em vez de uma traição da Ucrânia à Europa. De fato, os próprios oleodutos eram vistos há muito tempo como ferramentas de pressão política para Moscou, para influenciar o mercado europeu. Sob essa perspectiva, a destruição dos oleodutos, embora economicamente devastadora, também eliminou um dos instrumentos de influência mais poderosos da Rússia sobre a Europa. Embora as acusações contra o Nord Stream sejam graves e continuem a se desenrolar, é improvável que elas se sobreponham às implicações geopolíticas mais amplas em jogo. Neste momento, ficou claro que a segurança da Ucrânia é indissociável da segurança do restante do continente europeu.

publicada em 16 de novembro de 2025 às 4:00 




