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VISITA DE PUTIN À ÍNDIA SE TRANSFORMARÁ EM NOVOS REATORES, COMBUSTÍVEIS, QUEBRA-GELOS E ATÉ USINAS NUCLEARES FLUTUANTES

Mesmo com as pressões americanas por todo lado, a Índia vai seguindo ampliando suas negociações com  a Rússia. Durante a visita do Presidente Vladimir Putin a Narendra Modi, ficou decidido que os indianos pretendem finalizar a escolha do local para uma segunda usina nuclear da Rosatom no país. A cooperação entre os dois países será ainda mais ampla e poderá  incluir pequenos reatores modulares, usinas flutuantes e o fornecimento de combustível. Uma declaração conjunta emitida pelo gabinete do primeiro-ministro indiano após conversas entre os dois líderes “Confirmaram a intenção de ampliar a cooperação em energia nuclear, incluindo o ciclo do combustível, o suporte ao ciclo de vida para a operação da Usina Nuclear de Kudankulam e aplicações não energéticas, bem como de elaborar uma nova agenda de interação no campo do uso pacífico da energia atômica e tecnologias avançadas relacionadas.”

O comunicado oficial diz que  “As partes destacaram a importância de prosseguir com as discussões sobre o segundo local na Índia para uma central nuclear; o lado indiano se empenhará para finalizar a alocação formal do segundo local, em conformidade com os acordos previamente assinados. As partes também concordaram em acelerar as discussões técnicas e comerciais sobre o VVER (reator de velocidade variável) do projeto russo, pesquisa e desenvolvimento conjunto de usinas nucleares, localização e fabricação conjunta de equipamentos nucleares e conjuntos de combustível para usinas nucleares de grande capacidade projetadas na Rússia, sujeitas a termos e condições mutuamente aceitáveis.”

Em uma coletiva de imprensa conjunta após as conversas, Modi afirmou que “fortalecer a conectividade entre nossos dois países é uma prioridade fundamental” e que avançariam “com energia renovada” em projetos de transporte como a Rota Marítima do Norte e a rota Chennai-Vladivostok. Os dois lados também concordaram em treinar marinheiros indianos para operar em águas do Ártico. Putin afirmou que o comércio bilateral atingiu cerca de 65 bilhões de dólares por ano e que o objetivo é aumentar esse volume para 100 bilhões de dólares. Ele também mencionou o progresso na construção da usina nuclear de Kudankulam e disse que, uma vez atingida a capacidade máxima, “acreditamos que a construção de pequenos reatores modulares e usinas nucleares flutuantes também poderá ser relevante, assim como o uso da tecnologia nuclear para fins não energéticos, incluindo saúde, agricultura e outros setores“.

Ele também afirmou que a Rússia e a Índia estavam colaborando em um projeto para “criar o corredor Norte-Sul, ligando a Rússia e a Bielorrússia ao Oceano Índico. O desenvolvimento da infraestrutura ao longo do Corredor de Transporte Transártico, incluindo a Rota Marítima do Norte como sua principal artéria, oferece amplas oportunidades para a expansão do comércio bilateral“. A Rota Marítima do Norte, ao longo da costa norte da Rússia, depende de quebra-gelos movidos a energia nuclear para a navegação durante todo o ano.

O diretor-geral da Rosatom, Alexei Likhachev (direita), afirmou que a Rosatom e o Ministério dos Portos, Transporte Marítimo e Vias Navegáveis ​​da Índia criaram um grupo de trabalho para analisar o potencial de usinas nucleares flutuantes na Índia. A Rússia foi pioneira em unidades de energia flutuantes com o  Akademik Lomonosov(esquerda), que  opera há mais de cinco anos. Os projetos russos utilizam versões modificadas dos pequenos reatores usados ​​em quebra-gelos nucleares.  O complexo de Kudankulam, localizado a cerca de 100 quilômetros da cidade portuária de Tuticorin, no extremo sul da Índia, já abriga dois reatores de água pressurizada russos VVER-1000 em operação comercial desde 2014 (unidade 1 de Kudankulam) e 2017 (unidade 2). Outros quatro estão atualmente em construção, em duas fases: a construção das unidades 3 e 4 começou em 2017, e as obras das unidades 5 e 6 têm início previsto para 2021. Mais duas unidades – Kudankulam 7 e 8, unidades AES-2006 maiores com reatores VVER-1200 – foram propostas como uma quarta fase da usina.

Segundo informações da Associação Nuclear Mundial, a Índia possui atualmente 24 reatores nucleares operacionais, totalizando 7.943 MW de capacidade, com seis reatores – 4.768 MW – em construção. Outras 10 unidades – cerca de 7 GW de capacidade – estão em fase de pré-projeto. A Índia tem como meta expandir sua capacidade de energia nuclear para 100 GW até 2047. O país planeja atingir esse objetivo por meio de uma abordagem dupla, com a implantação de reatores de grande capacidade, bem como de pequenos reatores modulares (SMRs). Em agosto, o Ministro de Estado Jitendra Singh apresentou ao Parlamento indiano os três tipos de SMR que estão sendo projetados e desenvolvidos pelo Centro de Pesquisa Atômica Bhabha para demonstração: o Reator Modular Pequeno Bharat de 200 MWe (às vezes chamado de BSMR-200); um pequeno reator modular (SMR) de 55 MWe; e um reator refrigerado a gás de alta temperatura de 5 MWt para produção de hidrogênio por meio de acoplamento a um processo termoquímico adequado.

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