CHAVE NAS NEGOCIAÇÕES PELO FIM DA MAGNISTSKY CONTRA ALEXANDRE DE MORAES, TERRAS RARAS GANHAM NOVA DIMENSÃO NO BRASIL
O tema das terras raras tem mobilizado a Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), que avança em duas importantes parcerias com o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Ainda mais agora, que virou peça fundamental na negociação para que os Estados Unidos retirassem a punição contra o Ministro Alexandre de Moraes da Lei Magnistsky. Ele passou de violador dos Direitos Humanos a um ex-violador num passe de mágica. Os interesses financeiros e econômicos passaram por cima da punição. O assunto, cada vez mais presente na mídia e nas discussões estratégicas do setor mineral, reforçaram o compromisso da entidade em gerar conhecimento, desenvolver tecnologias e ampliar o valor agregado no segmento mínero-metalúrgico. O IPT lançou a Rede de Mineração Urbana e Reciclagem Avançada (REMINERA), que é uma iniciativa dedicada a desenvolver tecnologias, mercados e modelos de negócio voltados à recuperação de materiais estratégicos. A ABM passou a integrar o projeto colaborando com sua expertise e rede institucional, contribuindo para fortalecer as pesquisas e
estudos voltados para o desenvolvimento da indústria nacional. A Regional Rio de Janeiro da ABM e o CETEM, promoveram o evento “Terras Raras: Desafios e Oportunidades para o Brasil”. O encontro, que aconteceu nas instalações do CETEM/RJ, contou com um bom público que assistiu às apresentações dos pesquisadores Fernando Lins (direita) e Ysrael Marrero Vera, com a moderação do vice-coordenador de Processamento e Tecnologias Minerais do CETEM, Paulo Braga.
Para lembrar, as terras raras são um grupo de 17 elementos químicos com propriedades magnéticas, catalíticas e ópticas únicas, amplamente utilizados em tecnologias avançadas. A pesquisadora e Diretora Técnica da Unidade de Materiais Avançados do IPT e membro da Comissão Técnica de Mineração da ABM, Sandra Lúcia de Moraes, destaca que o grande interesse nesses materiais decorre do fato de poucos países dominarem toda a cadeia de processamento, o que os torna altamente estratégicos no cenário geopolítico global. O Brasil, por sua vez, possui a segunda maior reserva minerária mundial desses elementos. Sandra acrescenta que o valor desses materiais está diretamente relacionado ao
desempenho tecnológico que proporcionam. “Outro de seu valor está agregado ao alto desempenho tecnológico na produção de ímãs de alta capacidade magnética, estabilidade térmica e compacidade, possibilitando motores elétricos mais leves e eficientes, sensores precisos e dispositivos miniaturizados”, explica. A conjuntura atual, marcada pela urgência da transição energética, torna o tema ainda mais relevante. Uma vez que a produção de energias renováveis e sistemas eletrificados depende diretamente desses materiais.
Com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento de novos modelos de negócio na economia circular, o IPT, em parceria com a ABM, entre outros, lançou o projeto REMINERA. A iniciativa pretende estruturar uma rede composta por centros de pesquisa, associações e empresas da cadeia de materiais, com foco no conceito de “reminerar” materiais já utilizados. O programa está estruturado em quatro eixos principais: desenvolver tecnologias avançadas de reaproveitamento de materiais; estruturar novos mercados para produtos e processos baseados na circularidade; fomentar modelos de negócios inovadores e sustentáveis; e gerar impacto econômico, social e ambiental positivo para empresas e sociedade.
No evento, Paulo Braga (direita) disse que “O CETEM atua na área dos minerais estratégicos, especificamente de terras raras, desde 1980, quando o Brasil já
tinha uma pequena produção desse bem mineral. Por isso, trouxemos alguns dos nomes mais relevantes do setor para divulgar este conhecimento.” Na análise do especialista, a possível aprovação do Projeto de Lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), representa um avanço importante. O texto prevê que cerca de 80 grandes mineradoras invistam 0,40% da receita bruta em P&D, fortalecendo a inovação no setor. “O cenário reúne geologia, recursos, energia limpa e políticas emergentes, mas ainda faltam avanços em governança e legislação socioambiental. Temos vários ministérios animados com o cenário, mas sinto que falta agilidade na execução.“
Tanto Sandra Moraes como Fernando Lins alertam, entretanto, para o desafio que o Brasil enfrenta, de superar a sua tendência de exportar matéria-prima bruta sem agregar valor, perdendo assim as maiores oportunidades econômicas e tecnológicas associadas a esses ativos. Para isso torna-se necessário investimentos em desenvolvimento tecnológico e plantas completas, abrangendo toda a cadeia produtiva, desde a extração e beneficiamento das terras raras até a produção de imãs, passando pelas fases de separação química e produção dos metais e ligas. Poucos países no mundo, destacando-se a China, dominam todas estas etapas, o que torna o desenvolvimento tecnológico fator determinante para a transformação de um ativo mineral crítico em produtos estratégicos para a competitividade da indústria nacional.

publicada em 16 de dezembro de 2025 às 12:00 




