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A VOLTA DA BP À PRODUÇÃO DE PETRÓLEO PODE ESTAR LIGADA AO RETORNO DAS NEGOCIAÇÕES DE UMA POSSÍVEL FUSÃO COM A SHELL

Duas grandes especulações circulam o mercado internacional de petróleo no mundo. A primeira vem do México, de onde se diz que a estatal Pemex está se preparando para substituir o chefe de sua divisão de exploração e produção, Angel Cid Munguía, por enfrentar dificuldades para conter a queda na produção de petróleo da companhia. Como todos sabem, o valor de uma empresa de petróleo está ligado ao tamanho das  reservas que ela possui. A outra grande informação veio a partir da mudança de comando da BP no Reino Unido. Desde ontem (18), como noticiamos, Meg O’Neill (foto principal), que há três anos gerenciou com sucesso a fusão das duas maiores empresas petrolíferas da Austrália, será a líder da companhia com o retorno para o foco da produção de petróleo. E o primeiro grande passo para isso é uma possível fusão com a Shell, uma empresa anglo-holandesa. A parte anglo seria uma grande incentivadora.

O foco em energia verde fez com que as ações da BP e também da própria Shell tivessem um desempenho inferior ao de rivais americanas como a Chevron e a ExxonMobil, que se mantiveram mais focadas em seu negócio principal de produção de petróleo e gás. E isso conta para os investidores e acionistas. Agora, com a informação de uma possível fusão, estes investidores podem esperar um ressurgimento das especulações sobre uma fusão entre as duas gigantes globais do petróleo. Como diretora da Woodside Energy, O’Neill foi uma figura fundamental na aquisição da BHP Petroleum, a divisão de petróleo e gás da maior empresa de mineração do mundo. Esse acordo criou uma empresa que hoje figura entre as 10 maiores empresas independentes de petróleo e gás do mundo, com operações importantes na Austrália e nos Estados Unidos.

A integração sem problemas entre a Woodside e a BHP Petroleum impressionou o presidente da Shell,  Andrew Mackenzie(direita), ex-diretor executivo da BHP. Tanto a BP quanto a Shell estão sob pressão dos acionistas para reduzir seus pesados ​​investimentos em energias alternativas e renováveis, que prejudicaram seu desempenho financeiro. O’Neill, é americana e  construiu uma carreira de sucesso na ExxonMobil antes de ingressar na Woodside como diretora de operações em 2018, sendo promovido a diretora executiva em 2021. Ela assumiu a companhia no momento da retomada das negociações de fusão com a Shell, que foram abandonadas em junho, supostamente após objeções do diretor executivo da Shell, Wael Sawan. Agora, no campo das especulações, se diz que presidente do conselho da  BP, Albert Manifold(esquerda), está interessado em ver mudanças mais rápidas na empresa, incluindo a redução do investimento em energia renovável e uma maior concentração em investimentos tradicionais em petróleo e gás.

PEMEX

Na Pemex, Angel Cid Munguía (direita), que reassumiu a liderança da estatal mexicana no início de maio, parece não ir tão bem desta vez, embora não seja  novato no assunto.  Ele já havia ocupado o cargo até o final do mandato do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, que terminou com a posse da presidente Claudia Sheinbaum. Esta seria a terceira mudança na direção da Pemex sob o governo Sheinbaum, que prometeu manter a produção nacional de petróleo em média em 1,8 milhão de barris por dia até o final de seu mandato, em 2030. Essa meta parece cada vez mais difícil, visto que os campos maduros estão em declínio, as novas descobertas não estão atingindo o potencial esperado e os projetos offshore Zama e Trion, que a Pemex está desenvolvendo em parceria, avançam lentamente.

Octavio Barrera Torres, engenheiro eletrônico nomeado em maio como diretor adjunto de projeto, engenharia e execução de projetos, parece ser o novo nome a ocupar o cargo, sob apadrinhamento da ministra de Energia, Luz Elena González (esquerda). A possível saída de Cid, que ocorreria após a assinatura dos primeiros contratos mistos, um novo esquema de parceria com empresas privadas com o objetivo de aumentar a produção de petróleo e gás. O programa, até o momento, despertou pouco interesse da indústria, devido ao elevado endividamento da Pemex. A empresa já assinou cinco dos onze contratos mistos que pretendia finalizar antes do final do ano. Espera-se que esses contratos poderiam adicionar quase 70.000 barris por dia (bpd) à produção atual de 1,6 milhão de bpd, incluindo os contratos com parceiros. A Pemex também enfrenta uma dívida financeira superior a US$ 100 bilhões, apesar das injeções de capital bilionárias e dos incentivos fiscais concedidos pelo governo. Entre janeiro e setembro, a empresa recebeu cerca de US$ 21,13 bilhões em contribuições governamentais, um aumento de mais de 150% em relação ao mesmo período do ano passado.

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