AÇÕES DAS PETROLEIRAS AMERICANAS DISPARAM E ANALISTAS DE MERCADO APONTAM PARA CONSEQUÊNCIAS MUITO DIFERENTES
Há muita gente e muitos “especialistas” falando sobre o futuro do mercado do petróleo depois da captura do ditador sanguinário venezuelano Nicolás Maduro. Cada um puxa para o lado onde levará vantagem. Por isso, temos que ter um olho no poço e outro na refinaria. Isso porque na maioria das análises não está se levando em conta um fator fundamental, crucial mesmo, que mexe no âmago dos custos do processamento do óleo da Venezuela, em que pese ser considerada a maior reserva do mundo. Tudo bem que uma petroleira é do tamanho das reservas que possui, mas o óleo venezuelano é API 10. Isto significa que ele é muito pesado e precisa de muitas ações para refina-lo. É mais caro fazer isso. Com o barril, mesmo tendo subido para US$ 61 dólares esta manhã (5), o lucro é bem reduzido. Os Estados Unidos dizem que as
refinarias da Costa do Golfo estão calibradas para receber o petróleo bruto pesado, mas este fator dificultou temporariamente a vida das refinarias durante o primeiro mandato do presidente Trump, quando ele começou a intensificar as sanções contra a Venezuela, que já estavam em vigor desde 2005. O petróleo bruto pesado canadense substituiu o petróleo bruto venezuelano em volumes maiores em meio às sanções e, agora, a indústria petrolífera canadense estaria entre as afetadas pela potencial mudança de regime em Caracas. E neste caso existe um outro fator fundamental para o mercado. As ações das empresas petrolíferas dos Estados Unidos subiram nesta segunda-feira(5), como era de se esperar, principalmente as da Chevron, a única petroleira americana em solo venezuelano. Os investidores estão apostando que a ação do presidente Donald Trump permitirá que as empresas norte-americanas tenham maior acesso às maiores reservas de petróleo do mundo. As ações da Chevron subiram 7,3%, enquanto as refinarias Phillips 66, Marathon Petroleum, Valero Energy e PBF Energy subiram entre 5% e 16%.
Sem o petróleo venezuelano, os americanos aumentaram as importações do óleo pesado do Canadá. Mas e agora? Com a facilidade de se levar o óleo venezuelano para a Costa do Golfo, como ficarão as vendas canadenses?
Na época das sanções contra a Venezuela, o impacto imediato de tal medida foi um aumento nos preços. A Venezuela viu a sua produção e as exportações de petróleo diminuírem consideravelmente desde o início da ofensiva de sanções dos EUA. Os equipamentos venezuelanos estão sucateados e exigirão muito esforço, além dos bilhões de dólares para azeitarem novamente. Ainda vai demorar para que a máquina volte a produzir mais de 3 milhões de barris por dia. Hoje, chega perto de 900 mil barris/dia. Os dados mais recentes de exportação, referentes a novembro, mostraram uma média diária de cerca de 900 mil barris, com muto esforço.
Esse número representa uma queda em relação aos 3 milhões de barris diários de cerca de 20 anos atrás e aos 2 milhões de
barris diários em 2017. Anos de má gestão contribuíram para a situação atual, mas alguns observadores americanos acreditam que uma mudança de governo também alteraria a situação do petróleo venezuelano, com o retorno dos produtores americanos aos seus campos petrolíferos. De outra forma, pode-se chegar a uma outra conclusão óbvia para todos: Trump arrancou o ditador e a mulher dele dos seus lugares, mas os generais que comandam o Cartel Del Los Soles, o narcotráfico e a exploração ilegal de outro, continuam no comando. Que futuro os Estados Unidos esperam, se estavam, lutando contra os narcotraficantes?
As referências internacionais apontam para uma queda nos preços do barril, partindo do pressuposto de que uma mudança de regime também resultaria no levantamento das sanções, uma vez que um governo mais amigável assumisse o poder em Caracas. Trata-se de um cenário hipotético, mas que praticamente todos consideram provável. Os preços do petróleo e da gasolina caíram substancialmente durante o governo do presidente Trump. O retorno de mais petróleo bruto venezuelano às refinarias da Costa do Golfo afetará a demanda por petróleo bruto canadense, e não de forma favorável. Nesse contexto seria inteligente para o governo canadense expandir o acesso do petróleo bruto canadense a mercados além dos Estados Unidos. A situação permanece interessante, mantendo os analistas em alerta, sem saber qual é o objetivo final do governo Trump e, consequentemente, o que o presidente dos EUA decidirá fazer em relação à Venezuela. Tudo isso adiciona um novo vetor de incerteza aos mercados de petróleo.

publicada em 5 de janeiro de 2026 às 14:00 




