MÉXICO DESAFIA OS ESTADOS UNIDOS E AUMENTA FORNECIMENTO DE PETRÓLEO PARA CUBA QUE SE DIZ PREPARADA PARA A GUERRA
O desenho da pressão dos Estados Unidos sobre Cuba, vetando recebimento do petróleo e de combustíveis venezuelano, além de pressionar a presidente mexicana Claudia Sheinbaum(direita), que doava barris petróleo para que a refinaria de Havana pudesse refinar o petróleo venezuelano, do ponto de vista geopolítico, está surtindo efeito. As reservas do país estão terminando e o ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reuniu Conselho de Defesa Nacional do país e aprovou “planos e medidas”
para implementar “estado de guerra” em meio a tensões com os Estados Unidos. A imprensa oficial da ditadura castrista publicou a informação, embora as medidas não tenham sido detalhadas. Os planos se baseiam no conceito de Guerra de Todo o Povo, uma estratégia promovida na década de 1980 pelo então ditador Fidel Castro que prevê a mobilização geral da população cubana para enfrentar uma possível agressão externa.
Cuba costumava importar muito petróleo da Venezuela, mas desde que os EUA iniciaram o bloqueio ao país, esses carregamentos despencaram a zero. A ilha sofre com apagões constantes e falta de água por causa da energia cortada que não alimenta as bombas. Quase não há combustíveis. E agora o governo Trump, que quer derrubar o governo cubano, voltou a sua
atenção para o México, que se tornou o maior fornecedor de petróleo de Cuba. O deputado republicano Carlos Gimenez mirou em um novo alvo. Diante de um gráfico, ele mostrou que, nos últimos cinco anos, a maior parte do petróleo exportado para Cuba veio da Venezuela. Agora que a Venezuela o México começou a aumentar as exportações para Cuba. A Kpler, uma empresa de monitoramento do comércio global, constatou que o México havia aumentado suas exportações de petróleo para Cuba e se tornado seu principal fornecedor. As contribuições da Rússia e da China foram insignificantes. O deputado republicano Gimenez (abaixo a direita), então, fez uma ameaça direta a presidente mexicana: “ Acredito que um governo que está ajudando os adversários dos Estados Unidos deve ser levado em consideração quando os termos de nossas negociações estiverem sendo analisados.”
A relação entre México e Cuba é complexa. Ricardo Pascoe Pierce(direita), que foi embaixador do México em Cuba no início dos anos 2000, afirma que ela resistiu à pressão
dos EUA e remonta a décadas. Mesmo durante a Guerra Fria, o México manteve relações funcionais com Cuba. Em parte, diz Pascoe, isso simboliza uma crença profundamente arraigada de que o México deve permanecer não alinhado: “Isso permite que você mantenha os superpoderes à distância, porque se você não os mantiver à distância, eles se tornam absolutamente opressores.” O México, diz Pascoe, sempre jogou dos dois lados. Os revolucionários cubanos tinham permissão para sobrevoar o México, e o México, por sua vez, repassava suas fotos e informações para a CIA: “ Então o México desempenhou esse papel duplo de agradar a todos. Digamos assim.”
Na década de 90, o México decidiu assinar um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. E desde então, tornou-se estruturalmente dependente do Norte, diz Pascoe, fazendo com que as exigências dos EUA se tornassem muito mais relevantes. “É difícil para o México lidar com essa dualidade.” No momento, as exportações de petróleo mexicanas não são significativas o suficiente para sustentar Cuba da mesma forma que a Venezuela fez. Mas uma coisa é certa, afirma ele: “se chegar o momento em que o México tiver que escolher entre Cuba e os EUA, terá que escolher os EUA. Portanto, o petróleo que o México envia para Cuba pode muito bem ser a última expressão dessa relação duradoura. Acho que isso é uma espécie de percalço histórico no final de uma longa jornada”. O governo mexicano, por sua vez, insiste que continuará apoiando Cuba. É um imperativo humanitário, disse a presidente Claudia Sheinbaum. Além disso, acrescentou ela, um país soberano tem o direito de decidir como usar seus recursos.
A imprensa estatal cubana relatou que o plano foi aprovado durante uma reunião do Conselho de Defesa Nacional, órgão responsável por assumir o comando do país
durante desastres naturais ou conflitos armados, estão “em cumprimento às atividades planejadas para o Dia da Defesa”, com o objetivo de “aumentar e melhorar o nível de prontidão e coesão da liderança e do pessoal”. O regime castrista realizou novamente um dia dedicado a atividades de defesa, com exercícios que incluíram simulações de emboscada, treinamentos para colocação de minas e proteção da população e aulas conjuntas em áreas como saúde militar, defesa contra armas de destruição em massa, manuseio do fuzil AKM e técnicas de camuflagem, de acordo com relatos da imprensa estatal. Desde a captura do ditador sanginário venezuelano Nicolás Maduro, a tensão entre Havana e Washington aumentou.
Embora o presidente Donald Trump(esquerda) tenha dito logo após a captura do chavista que não planejava uma intervenção em Cuba, porque, segundo ele, o regime comunista aliado da Venezuela estaria “prestes a cair”, o secretário de Estado, Marco Rubio(esquerda), sugeriu que essa hipótese não está descartada. “Não vou falar sobre quais serão nossos próximos passos e quais serão nossas políticas neste momento a esse respeito”, disse Rubio. “Mas acho que não é nenhum segredo que não somos grandes fãs do regime cubano, que, aliás, foi quem apoiou Maduro. Se eu morasse em Havana e fizesse parte do governo, estaria
Dias depois da captura de Maduro, as Forças Armadas dos Estados Unidos, reduziram o
volume da frota, mas mantém dois navios posicionados no Caribe e transferiram o naviode transporte anfíbio para as águas ao norte de Cuba, como parte dessa reorganização. Trump já disse nas redes sociais que a ilha não receberia “mais petróleo e nem dinheiro” da Venezuela e sugeriu ao regime cubano que chegasse a um acordo antes que fosse tarde demais. O ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rebateu também nas redes sociais, ao dizer que não há conversas com o governo dos Estados Unidos.: “Como demonstra a história, para que as relações entre EUA e Cuba avancem, elas devem se basear no direito internacional, em vez de hostilidade,
ameaças e coerção econômica”, escreveu Díaz-Canel. O ditador acrescentou que o regime cubano está disposto a “manter um diálogo sério e responsável com o governo americano com base na igualdade soberana, no respeito mútuo, nos princípios do direito internacional, no benefício recíproco, sem interferência em assuntos internos e com pleno respeito à nossa independência”.

publicada em 20 de janeiro de 2026 às 13:00 








