DEPOIS DA PRIMEIRA VISITA OFICIAL DE UMA AUTORIDADE AMERICANA, A VENEZUELA DIZ QUE VAI PRODUZIR MAIS 18% DE PETRÓLEO ESTE ANO
ORLANDO – Por Fabiana Rocha – Os Estados Unidos querem aumentar a produção de petróleo da Venezuela. E querem pra já. O secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, até já fez promessas quanto a isso. Ele se comprometeu em impulsionar um “aumento drástico” na na produção venezuelana como parte de um plano para “tornar as Américas grandes novamente”. Wright se reuniu em Caracas com a presidente interina Delcy Rodríguez, tornando-se o oficial americano de mais alto escalão a visitar a Venezuela desde que as forças especiais americanas capturaram e depuseram o ditador Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Após conversas com Rodríguez, Wright disse que as relações entre as nações estavam “em um momento decisivo da história. Acredito que veremos uma mudança absolutamente drástica na trajetória desta nação, no estado das relações entre a Venezuela e os Estados Unidos, e nas condições de negócios no hemisfério para o comércio.”
Rodriguez também se reuniu com executivos da indústria petrolífera, e ouviu de Wright que o presidente Donald Trump estava comprometido em transformar os laços
entre os dois antigos rivais. Rodríguez afirmou que apoiava uma “parceria produtiva de longo prazo e que fosse benéfica para ambos os países”. Para lembrar, Trump aprovou a nomeação da ex-vice-presidente para substituir Maduro, sob a condição de que ela atendesse às suas exigências de acesso aos vastos recursos petrolíferos da Venezuela e de redução da repressão estatal. A Venezuela, que já foi um dos principais fornecedores de petróleo bruto para os Estados Unidos, possui as maiores reservas comprovadas do mundo, com mais de 303 bilhões de barris, o que corresponde a cerca de um quinto das reservas mundiais de petróleo.
A crise que se abateu no período de Maduro no poder chegou ao auge em 2024 quando a indústria do petróleo no país só conseguiu produzir apenas 1% do total mundial de petróleo bruto, com sua indústria devastada por anos de subinvestimento, má gestão e sanções dos americanas. Wright afirmou que o embargo de petróleo dos EUA à Venezuela, em vigor desde 2019, estava “essencialmente encerrado”. O presidente Trump quer que as principais empresas petrolíferas americanas reconstruam rapidamente o setor e aumentem a produção em milhões de barris por dia, afirmando que os Estados Unidos e Caracas dividirão os lucros. No mês passado, foi feita a primeira venda de petróleo venezuelano, que rendeu ao país caribenho 500 milhões de dólares.
Wright defendeu um “aumento drástico” na produção de petróleo, gás natural e eletricidade da Venezuela, o que melhoraria “as oportunidades de emprego, os
salários e a qualidade de vida” de todos os venezuelanos. Ele disse que ele e Rodriguez “conversaram muito abertamente sobre as enormes oportunidades que temos pela frente“, bem como sobre os desafios a serem vencidos. O presidente da estatal petrolífera venezuelana PDVSA, o representante diplomático da Venezuela nos Estados Unidos e o encarregado de negócios dos EUA em Caracas participaram das conversas. Rodríguez afirmou que acolhia com satisfação a oportunidade para que os dois países “abordassem as suas diferenças históricas de forma madura”.
A visita de Wright a Caracas ocorre em meio a um degelo nas relações entre os EUA e a Venezuela, que Caracas rompeu em 2019 depois que Washington se recusou a reconhecer o ditador Maduro como o vencedor de eleições fraudulentas. Em uma série de reformas implementadas desde a queda de Maduro, Rodríguez abriu o setor petrolífero nacionalizado ao investimento privado no mês passado. Brevemente o parlamento poderá aprovar um projeto de lei histórico que concede anistia a presos políticos. Washington, por sua vez, aliviou as sanções contra a indústria petrolífera da Venezuela, permitindo que empresas americanas trabalhem com a PDVSA e o governo.
O desafio agora é persuadir as empresas petrolíferas americanas a investir na Venezuela, apesar da persistente instabilidade
política, das preocupações com a segurança e da necessidade de grandes investimentos para restaurar a capacidade de produção. Por enquanto apenas a Chevron segue trabalhando dentro do território venezuelano., A ExxonMobil está reticente e a ConocoPhillips, que também perdeu bilhões de dólares, como a Exxon, ainda faz avaliações para voltar. O país produziu 1,2 milhão de barris de petróleo por dia em 2025 – um aumento em relação à mínima histórica de cerca de 360.000 em 2020, mas ainda muito longe dos 3,0 milhões de barris por dia que produzia há 25 anos. O governo de Rodríguez pretende aumentar a produção em mais 18% este ano.

publicada em 12 de fevereiro de 2026 às 11:00 




