A AMBIPAR PASSA POR UMA SÉRIA REESTRUTURAÇÃO INTERNA MOSTRANDO COMPROMISSO PARA SUPERAR A SUA RECUPERAÇÃO JUDICIAL
A Ambipar, a multinacional brasileira que fez todo o mundo dos negócios ficar surpreso e admirado com o nível de aceleração de seu crescimento e depois decepcionado com as revelações que levaram o conglomerado a sofrer com uma recuperação judicial constrangedora, internamente está jogando todas as fórmulas milagrosas fora e passando a limpo o seu desenvolvimento. Tintin por tintin. Todos os procedimentos estão sendo revistos e a velha concentração de decisões voltou a ser uma praxe. Dolorida internamente para quem tinha autonomia e velocidade nas decisões, mas resguardada pela simplicidade. A empresa se mostra seriamente comprometida a sair de uma
situação financeira difícil ao mesmo tempo em que internamente os funcionários parecem comprometidos e vestindo a mesma camisa da direção. Atitude fundamental para a superação desta magnitude. E neste aspecto surge um nome da confiança da direção da empresa que está concentrando todas as demandas de todos os departamentos: Giulianna Coutinho (foto abaixo, à esquerda), Diretora Comercial Institucional e Corporativo. Abaixo dela, como interlocutora, Raquel Portilho. Elas foram transformadas não em “Meninas”, mas nas “Mulheres Superpoderosas”. A torcida de todos é para que tudo dê certo.
Um memorando interno fez esta determinação. Este é o novo modelo organizacional da empresa a partir da retomada da liderança pelo próprio fundador: Tércio Borlenghi Júnior (foto principal), que reassumiu o lugar de seu filho Guilherme, deixado por ele para comandar toda companhia.
“Todas as demandas de Marketing deverão ser direcionadas à Rachel Portilho. Ela será responsável por centralizar, organizar e tratar semanalmente junto a diretoria, garantindo o alinhamento estratégico, priorização e padronização.” Não serão mais elaboradas apresentações institucionais avulsas. Elas serão apresentadas por catálogos oficiais padronizados e estratégicos até o fim deste mês de fevereiro. Serão impressos em várias línguas e específicos para determinados segmentos industriais. “Esses materiais deverão ser utilizados como referência padrão em apresentações
, propostas e interações institucionais, assegurando consistência da mensagem, identidade corporativa e otimização de recursos.”
A Ambipar, que baseou o seu crescimento também na liberdade de autonomias, própria de uma companhia com os tentáculos de investimentos mundo afora, dá também um passo atrás em relação aos pagamentos de fornecedores. Atualmente, nenhuma autorização é dada sem um carimbo e uma assinatura, depois de passar pela mesa do fundador da empresa, Tércio Borlenghi, que passou a comandar e a concentrar o caixa da companhia e passou a ter a alma de um dos sucessos de Martinho da Vila: “Segure tudo o que for conquistado.” Alguns fornecedores estão amargando atrasos consideráveis e a velocidade das decisões da companhia pulou da Ferrari de Lewis Hamilton e Charles Leclerc, que sabe-se lá porque a Ambipar ainda patrocina pelas pistas da Fórmula 1, para o volante do lento “calhambeque” de Roberto Carlos. Tem fornecedor comendo o pão
que o diabo amassou. Natural para empresas que vivem e sofrem as consequências de um relacionamento com as companhias que estão em recuperação judicial. Aliás, sobre patrocínios e apoios, a empresa também divulgou internamente há poucos dias uma nova e dura orientação:
“ Com o objetivo de garantir alinhamento estratégico e foco nas prioridades da companhia em 2026, informamos que estão suspensas por tempo indeterminado, as participação, realização ou patrocínios de eventos de feiras, congressos ou iniciativas em nome da Ambipar, ainda que os custos sejam arcados pelas unidades de negócios”.
“Esta decisão, diz o comunicado, “está alinhada ao direcionamento estratégico da companhia para o próximo ano (não se sabe se neste ou em 2027), que
deverá seguir os seguintes pilares:
- Maximização da eficiência operacional e financeira;
- Fortalecimento da Comunicação interna e entre as unidades;
- Cuidado e gestão ativa dos contratos vigentes, com foco na manutenção, renovação e expansão do escopo;
- Uso estratégico de portifólio de clientes intercompany, visando geração de novas oportunidades comerciais;
- Captação de novos clientes por meios de canais e modelos comerciais convencionais.
Reforçamos que este direcionamento não desconsidera a importância de eventos como ferramenta comercial ou institucional, mas reflete o entendimento de que, no atual momento da companhia, a alocação de esforços e recursos deve estar concentrada em iniciativas com impacto direto e mensurável nos resultados.
Excepcionalmente, caso alguma unidade identifique a necessidade participação ou realização de evento considerado estratégico, a demanda devera ser submetida de forma estruturada para a avaliação do Board da companhia, que analisará pontualmente a possibilidade da flexibilização considerando o racional estratégico, o retorno esperado e o alinhamento com as prioridades corporativas.”
Para lembrar, fundada em 1995 por Tercio Borlengher Júnior, a Ambipar é uma multinacional brasileira líder em gestão ambiental e resposta a emergências, com foco em sustentabilidade (ESG) e economia circular. O grupo cresceu através de aquisições, estreou na B3 em 2020 e atua em mais de 40 países com soluções de descarbonização, tratamento de resíduos e emergências ambientais. Ambipar entrou com pedido de recuperação judicial em outubro de 2025 no Rio de Janeiro, após problemas de liquidez causados por irregularidades em operações financeiras (swap) com o Deutsche Bank e o vencimento antecipado de dívidas por credores, incluindo o Santander. A empresa busca proteger suas operações, manter contratos e não ser excluída de licitações, enquanto lida com dívidas de cerca de R$ 10 bilhões, aprovando um plano que prevê novos aportes, mas enfrenta resistência de credores.

publicada em 13 de fevereiro de 2026 às 11:30 





Acho que os credores foram injusto com a empresa no final do ano passado.