TERMINAM COM POUCO AVANÇO AS NEGOCIAÇÕES ENTRE ESTADOS UNIDOS E IRÃ EM GENEBRA. CLIMA DE DESCONFIANÇA PERMANECE
Os Estados Unidos e o Irã concluíram nesta terça-feira (17) a segunda rodada de negociações indiretas em Genebra, na Suiça, sobre sua longa disputa nuclear, com um alto funcionário iraniano afirmando que as negociações dependem de Washington evitar exigências irrealistas, enquanto os Estados Unidos concentram uma força militar na região do Mar da Arábia. Os enviados dos EUA, Steve Witkof e Jared Kushner participaram das negociações, que estão sendo mediadas por Omã, juntamente com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi(foto principal), que falou sobre as reuniões iniciais resultaram em “um entendimento sobre os princípios fundamentais” entre os dois países. Ele também afirmou que as duas partes ainda têm questões a resolver, mas que houve avanços positivos em comparação com a rodada anterior de negociações. Ele disse ainda que ambas as partes trabalharão em documentos de possível acordo e os trocarão antes de definir uma data para a terceira rodada de negociações, enfatizando que isso não significa que os dois países chegarão a um acordo em breve, mas que “o caminho começou”. Araghchi acrescentou que discussões produtivas também foram realizadas com Rafael Grossi, Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica e que exigiu que qualquer referência explícita ao possível uso da força pelos EUA fosse interrompida imediata e incondicionalmente.
O veículo de comunicação dissidente iraniano Iran International noticiou que, enquanto os delegados do Irã deixavam a embaixada de Omã, um grupo de
manifestantes atirou tomates em seus veículos e gritou “Morte aos terroristas”. O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei(direita), denunciou a tentativa dos EUA de limitar o potencial nuclear do Irã em uma série de postagens no Twitter enquanto as negociações estavam em andamento, afirmando que a indústria nuclear está “entre os direitos da nação. A indústria nuclear pacífica não serve para a guerra; serve para abastecer o país. Para a agricultura, para o tratamento e a saúde, e para tudo o que depende de energia. O que isso tem a ver com vocês, americanos?” Ele também fez apelos à Agência Internacional de Energia Atômica, afirmando que a energia nuclear é um “direito inegável” previsto nas diretrizes da organização.
Em outra publicação, ele argumentou que as tentativas de limitar o armamento do Irã eram “irracionais”, afirmando que “sem armamento dissuasor, um país será esmagado pelo inimigo”. O presidente dos EUA, Donald Trump(esquerda), disse que participaria “indiretamente” das negociações em Genebra e que acreditava que Teerã queria chegar a um acordo. “Não acho que eles queiram as consequências de não chegar a um acordo”, disse Trump a repórteres a bordo do Força Aérea Um. “Poderíamos ter chegado a um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir seu potencial nuclear. E tivemos que enviar os B-2.” Uma tentativa anterior de retomar as negociações ocorreu em junho do ano passado, quando Israel lançou uma campanha de bombardeio contra o Irã, sendo posteriormente acompanhado por bombardeiros B-2 dos EUA que atacaram alvos nucleares. Desde então, Teerã afirmou ter interrompido suas atividades de enriquecimento de urânio.
A reunião ocorreu na residência do embaixador de Omã na ONU, sob forte esquema de segurança. Alguns carros com placas diplomáticas iranianas foram vistos do lado
de fora. As Forças Armadas dos EUA estão se preparando para a possibilidade de semanas de operações contra o Irã, caso Trump ordene um ataque. O secretário de Estado americano, Marco Rubio(direita), disse em Budapeste que era difícil fechar um acordo com o Irã, mas que os EUA estavam dispostos a tentar.
Conforme informado pelo Petronotícias, um dia antes da retomada das negociações, o Irã realizou um exercício militar no Estreito de Ormuz, numa tentativa de Teerã de conter os Estados Unidos, segundo uma fonte familiarizada com o assunto. O
exercício foi noticiado primeiramente pela agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). A operação focou nas forças navais do regime e teria sido realizada sob a supervisão do comandante da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), major-general Mohammad Pakpour(esquerda). O exercício teve como objetivo avaliar a prontidão das unidades de operações navais do Irã e revisar os planos de segurança e cenários para uma ação militar “recíproca” da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), informou a agência Tasnim.
O Estreito de Ormuz é um canal entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. É a única passagem marítima do Golfo Pérsico para o oceano aberto, o que o torna um ponto de estrangulamento de importância estratégica. Os linha-dura iranianos têm pressionado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz em resposta às crescentes tensões com Washington. Uma fonte ligada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) disse à agência
Tasnim que se esperava que a força oferecesse uma resposta “decisiva” a quaisquer “planos contra a segurança no domínio marítimo”. O exercício foi realizado em um momento em que Teerã antecipa uma possível ação militar dos EUA. O Irã iniciou esforços para fortalecer suas instalações nucleares, especialmente aquelas que foram danificadas durante os ataques aéreos americanos em junho passado.
O primeiro-ministro iraniano, Araghchi, reuniu-se com Rafael Grossi(esquerda), diretor-geral da AIEA, em Genebra, para discutir a cooperação com a agência de vigilância nuclear e os aspectos técnicos das iminentes negociações com os Estados Unidos. Na tarde desta terça-feira (horário de Genebra), Witkoff e Kushner participaram de negociações trilaterais com a Rússia e a Ucrânia, enquanto Washington tenta persuadir a Ucrânia e a Rússia a chegarem a um acordo para pôr fim à invasão russa na Ucrânia, que já dura quatro anos, disse a fonte. No domingo, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, disse que a “bola” das negociações estava “no campo dos Estados Unidos para provar que querem fechar um acordo e que se os EUA forem sinceros, tenho certeza de que estaremos no caminho para um acordo”.
Ele também afirmou que Teerã se ofereceu para diluir seu urânio enriquecido a 60% para demonstrar sua disposição em chegar a um acordo. “Estamos prontos para

O Ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr bin Hamad Al Busaidi, se reúne com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e com o genro do presidente dos EUA, Donald Trump, Jared Kushner, antes das negociações indiretas entre EUA e Irã, em Genebra.
discutir este e outros assuntos relacionados ao nosso programa, caso eles estejam dispostos a falar sobre sanções.” Ele não respondeu à pergunta sobre se o Irã concordaria em exportar seu estoque de urânio altamente enriquecido, como fez em 2015, dizendo que era “muito cedo para dizer o que acontecerá no decorrer das negociações“. A República Islâmica ainda detém atualmente um estoque de mais de 400 kg de urânio altamente enriquecido, segundo uma reportagem da BBC. “Entendemos que eles chegaram à conclusão de que, para se chegar a um acordo, é preciso focar na questão nuclear”, disse Takht-Ravanchi. “A questão do enriquecimento zero não é mais um problema e, no que diz respeito ao Irã, não está mais em discussão“, afirmou o ministro.

publicada em 17 de fevereiro de 2026 às 14:00 




