COMUNIDADE CUBANA DO SUL DA FLÓRIDA SE MANIFESTA CONTRA NEGOCIAÇÕES DOS ESTADOS UNIDOS COM O DITADOR DIAZ-CANEL
Os cubanos residentes no sul da Flórida fecharam a cara para as negociações que estão sendo feitas agora com o líder da ditadura cubana no momento, Miguel Diaz-Canel. Com a divulgação da notícia feita ontem (13), de que Canel havia confirmado que Havana estava em meio a negociações com o governo Trump, o clima entre muitos cubanos da região variou entre uma esperança cautelosa, raiva e ceticismo. A confirmação das negociações por Cuba ocorre em um momento em que o país enfrenta uma profunda crise econômica e energética, com apagões generalizados e escassez de alimentos e medicamentos em toda a ilha. “Vai ser a mesma história de sempre”, diziam os residentes cubanos que vivem nos Estados Unidos há muitos anos e estão vendo esta oportunidade do boicote de petróleo como o momento certo
para a retirada do regime ditatorial da ilha. Os cubanos-americanos acreditam que se Díaz-Canel sair ou mesmo se o substituírem, mas mantiverem os mesmos líderes do regime, a opressão, a destruição e a pobreza em Cuba permanecerão. A mesma coisa que aconteceu na Venezuela acontecerá em Cuba: absolutamente nenhuma mudança, dizem. Mas na Venezuela as pessoas do regime ficaram, mas o clima é muto diferente. Houve muitos avanços internos, como a anistia e até mesmo a abertura do mercado para as empresas internacionais.
Em Cuba, até os agricultores produzem alimentos com controle estatal. O governo, além de tomar a propriedade dos camponeses ainda comprar seus produtos abaixo dos preços de custo e priorizando a casta da ditadura, que assumiu todas as mansões da época do governo de Fugêncio Batista há 67 anos. Para alguns cubanos, as negociações com os Estados Unidos deveria oferecer esperança, mas a maioria não acredita se as negociações forem feitas diretamente com o ditador. Pouquíssimos cubanos-americanos acreditam que o sistema possa ser consertado. A maioria diz que é preciso afastar os “criminosos e trocar o regime”. A comunidade de exilados cubanos nos Estados Unidos acredita que as negociações entre o governo federal e o governo cubano não levarão a lugar nenhum.
A mensagem da comunidade exilada é que os EUA não podem negociar com o regime cubano e que é necessário uma ação militar ou pressão suficientemente forte para forçar uma mudança. Alguns exilados avaliam o que os levaria a retornar. Outros cubanos-americanos em Miami observaram que a abordagem do governo cubano deixa seu próprio povo no escuro. O governo de Canel, além da repressão, dá continuidade a uma estratégia antiga de manter a população desinformada. Todas as noites em Havana passaram a ter protestos em meio a escuridão. O reconhecimento tardio das negociações com os Estados Unidos, depois de funcionários do Ministério das Relações Exteriores terem negado as conversações, gerou particular desprezo.
Alguns exilados criticaram aspectos do discurso de Díaz-Canel, incluindo o fato de que nenhum veículo de imprensa estrangeiro foi convidado para sua coletiva de imprensa em Havana na manhã de hoje. Apenas jornalistas da imprensa oficial estavam presentes, e ficou evidente para alguns que as perguntas haviam sido entregues a Díaz-Canel com antecedência. O líder cubano também não abordou a questão fundamental que as pessoas, especialmente dentro de Cuba, aguardam: as mudanças econômicas necessárias para enfrentar a crise humanitária. Díaz-Canel transferiu a responsabilidade de tratar dos assuntos mais urgentes para o primeiro-ministro Manuel Marrero e para Óscar Pérez-Oliva Fraga, vice-primeiro-ministro de Cuba e membro da família Castro. Díaz-Canel afirmou que ambos os ministros abordarão o assunto em um pronunciamento público na segunda-feira(16).
Norges Rodríguez, diretor do veículo de comunicação independente cubano YucaByte, observou que o discurso mostrou que os líderes de Cuba não têm solução para os problemas do país e que aceitarão tudo o que os Estados Unidos disserem. Ele disse que o anúncio de Cuba de que libertaria 51 prisioneiros foi feito sob pressão dos EUA. “Os presos políticos sempre foram moeda de troca em cenários como este”, disse Rodríguez, observando que as autoridades cubanas continuam prendendo aqueles que se manifestam contra o governo. Retorno dos cubanos? Rodríguez também disse ter ficado impressionado com o apelo de Díaz-Canel à comunidade cubana no exterior durante a conferência de imprensa. Muitos cubanos estão impedidos de entrar na ilha por causa de seu ativismo, como é o caso do
próprio Rodríguez. Outros não desejam retornar, embora muitos outros tenham lhe dito que estão dispostos a ajudar das cidades no exterior onde vivem atualmente. “Estive na Estônia há cerca de cinco anos e vi como eles se transformaram de um país comunista em um dos mais avançados em tecnologia,” disse Rodriguez, engenheiro de telecomunicações por formação. “Em Cuba, você tem que começar do zero. Quero voltar se isso mudar. Não sei em que país estaríamos, mas gostaria de ajudar com o que aprendi na área da tecnologia.”

publicada em 14 de março de 2026 às 4:00 






