CONFERÊNCIA SOBRE INOVAÇÃO E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ATRAI O MUNDO PARA A CIDADE DE AUSTIN, NO TEXAS
AUSTIN – TEXAS – Por Fabiana Rocha – Está sendo realizada em Austin, no Texas, a Conferência de Inovação SXSW – South by Southwest – reunindo e oferecendo à comunidade global oportunidades criativas de conhecer ideias inovadoras, descobrir novos interesses e conectar-se com outros profissionais que compartilham o mesmo interesse por experiências voltadas ao futuro. Tudo isso em um nível jamais visto, na crista da onda da Inteligência Artificial e tudo o que ela pode proporcionar. É a possibilidade de exploração das próximas tendências, mesmo que não você nem tenha ideia de quais sejam. É um mergulho profundo em apneia no mundo das mais modernas tecnologias. Seja no cinema, na música, na cultura, na publicidade e mais.. muito mais. Elas se apresentam através de formatos, palestras, no talento de oradores convidados para esta conferência de inovação SXSW.
Com uma conferência unificada que abrange diferentes trilhas de programação, o visitante do evento, que termina apenas amanhã (18) encontra mais oportunidades para
networking, aprendizado e apresentando uma variedade de trilhas que se concentram nos avanços mais importantes em tecnologia e cultura. O SXSW está provando que as descobertas mais inesperadas acontecem quando diversos tópicos e pessoas se encontram. Como em quase todos os grandes eventos internacionais, é grande a atração de brasileiros. E este não é diferente. O Petronotícias conversou com o publicitário de formação e empreendedor Eduardo Diehl(direita), que se interessou em conhecer o evento em busca do que ele já está conseguindo ver: a presença do futuro já presente no dia a dia das pessoas. Suas descobertas, seus aprendizados, fizeram a viagem até o Texas valer a pena. Diehl é conhecido por suas consultorias para empresas com foco em otimização de processos e implementação de cultura de Inteligência Artificial.
– Como você está se sentindo aqui diante de tantas novidades? O evento lhe surpreendeu?
– Com certeza, é um evento incrível e importantíssimo para quem quer se manter à frente das inovações, tecnologias e movimentos que estão acontecendo no mundo da IA. E principalmente para ativar a sua criatividade. Algo que estamos perdendo ao longo dos anos. São tantas opções, tantas palestras que não tem como ver tudo, você vai ter FOMO e sentir que está perdendo alguma coisa mas isso faz parte. Eu fiz uma agenda super organizada antes e descobri que você vai acabar mudando a sua agenda. É um evento muito vivo.
– Já tem algum destaque?
– São muitos destaques e foi muito conhecimento importante até aqui. Mas acho que o principal que está permeando muito entre todo evento é o Humano e a Criatividade. Com esse crescimento todo da IA temos que relembrar que quem decide e está no comando somos nós.
– Pode destacar algumas delas ?
– Vou destacar 3 delas em posts separados que quero fazer ao voltar para o Brasil. Posso destacar a última delas
que foi tão impactante e me motivou tanto que resolvi nem ver a próxima palestra que estava na minha seleção do dia. Tomei um tempo para respirar e absorver. E acho que isso faz parte do movimento. O SXSW é realmente surpreendente. O diferencial não é usar IA para o que você já sabe, é usar para o que você não sabe. Quem usa IA superficialmente só faz o mesmo mais rápido. Quem usa para explorar o desconhecido chega 7 vezes mais longe que os demais (dado do estudo da OpenAI sobre “capability overhang”).
“What would AI do?” Antes de qualquer trabalho, faça essa pergunta. Ela força você a sair da sua visão de mundo e descobrir prompts que não teria pensado. Pedir para a IA ser um cliente insatisfeito, um concorrente, um investidor, testar teorias.
Ansiedade não é fraqueza, é sinal de que algo de valor está em jogo. Você não sente ansiedade sobre o que não importa. Sentir sobre IA significa que você se importa com seu trabalho, com sua relevância. Isso é um ativo, não um problema. Três passos que funcionam em situação de stress com IA ou qualquer mudança: nomeie o sentimento e sinta o corpo no presente. Tome uma ação. Não precisa resolver tudo. Uma ação já te tira da posição de congelado.
O que a IA remove é o esforço, o desconforto, a luta. E tudo de bom na vida está do outro lado de muito esforço. O cérebro é um músculo: use ou perca. A ameaça não é o que a IA adiciona, é o que você deixa de exercitar. Todas as empresas e pessoas estão se dividindo nessas duas categorias. O driver usa IA, verifica os outputs e é dono das decisões. O passenger terceiriza o pensamento. Você tem esse poder, escolha.
– Como está sendo conviver com tanta tecnologia aplicada?
– Um exemplo: Estava andando pelas ruas de Austin, entre hotéis e palestras, e vi um daqueles robôs de delivery
andando por aqui. Numa boa e sem ninguém se importando. Engraçado como a tecnologia quando inserida diariamente vai se tornando normal e parte real da paisagem. Impressiona.
– Como você acredita que a IA poderá se usada – ou já está sendo usada – na educação das crianças?
– Esta já é uma grande questão. Eu tenho uma filha de dois anos, a Olivia, e penso como vai ser a escola da minha filha num mundo dominado por IA? Foi essa pergunta que me levou à primeira palestra do SXSW: “Por que o futuro depende de como as crianças brincam.” A Melissa e a Esther, da Pok Pok, trouxeram um dado de um estudo da NASA de 1968 que abriu a discussão: 98% das crianças de 5 anos testam no nível gênio de criatividade. Os mesmos adultos, anos depois: 2%. A criatividade não some. Ela vai sendo treinada pra sair. A escola ensina que existe uma resposta certa e ela que é celebrada. Que o caminho é menos importante do que chegar. E quando isso vira cultura, a imaginação vai encolhendo. Por cima disso, vivemos numa hiperestimulação permanente.
O centro da escola deve ser a relação entre professor e aluno, não a IA. Um exemplo que deram foi que uma turma com a mesma professora, só adicionando ciclos de feedback com IA, teve 28% de melhora na avaliação de escrita. A IA amplificou o humano, não o substituiu.
Ninguém larga o celular. Se você está esperando o elevador, já aproveita pra responder um e-mail ou abrir a rede social. Cada segundo está preenchido. O ócio, que é onde a imaginação respira, vai desaparecendo. E a IA entrou nessa equação acelerando tudo. Um estudo do MIT Media Lab mostrou que usar IA para resolver problemas reduz o engajamento do cérebro e o pensamento original. Quando você pula direto pro
resultado via um prompt, você elimina a fricção. Só que é exatamente na fricção, no desconforto de não saber, que o cérebro acorda. Que a criatividade se ativa.
– Foi uma palestra teórica ou teve exemplos vivos ?
– A palestra não foi só teórica. Em determinado momento, elas pararam tudo e pediram pra cada um pegar os objetos que tinha na mão e construir algo com os estranhos ao lado em dois minutos. Sem regra, sem objetivo. Fiz isso com três pessoas que eu nunca tinha visto. E funcionou. Saí de lá com duas coisas na cabeça. Primeira: use IA, mas não abre mão do processo. Peça pra ela te mostrar o raciocínio de como chegou naquela solução. A parte do meio é onde o aprendizado mora. É aqui que você continua aumentando a sua caixa. Segunda: para em algum desafio e tenta pensar como uma criança de 5 anos. Resgata aquela criatividade infantil. Deixa um tempo vazio no seu dia. Criatividade não aparece na agenda lotada. Extra para pais e mães. Dê ferramentas simples, papelão, fita, Legos e deixa a criança decidir o que fazer. Não dá o contexto, deixa ela criar. Troca “que lindo!” por “como você fez isso?”. Protege o tempo livre. Agenda cheia demais não deixa espaço pra imaginação aparecer.

publicada em 17 de março de 2026 às 14:00 






Austin está roubando as empresas “Caídas” da California uma vez que o principal polo de tecnologia dos Estados Unidos — disparado — é o estado da Califórnia, especificamente a região do Vale do Silício.
Mas registre-se que sem tradição alguma ou influencia de expertise.
O babado de lá é que eles estão arriando as calças nos custos dos eventos e para a instalação local.
Boston corre por fora.
A California é o maior cluster tecnológico do planeta, com capital de risco, startups, pesquisa acadêmica e indústria tudo concentrado no mesmo ecossistema.
Será que esse evento vai Flopar?
Kkkk