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TRUMP CHAMA A OTAN DE TIGRE DE PAPEL E PREPARA ATAQUE FINAL PARA TERMINAR A GUERRA CONTRA O IRÃ EM TRÊS SEMANAS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que sempre soube que a OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte –  “era um tigre de papel, e Putin também sabe disso, aliás.” Ele disse ainda que estava considerando seriamente retirar os Estados Unidos da aliança, depois que os aliados não apoiaram a ação militar americana contra o Irã. Trump disse que a retirada dos Estados Unidos do pacto de defesa agora era “irreconsiderável.” Ele afirmou que há muito tempo tinha dúvidas sobre a credibilidade da OTAN. Para lembrar, formada em 1949 com a assinatura do Tratado de Washington, a OTAN é uma aliança de segurança composta por 32 países da América do Norte e da Europa. O objetivo fundamental é salvaguardar a liberdade e a segurança dos Aliados por meios políticos e militares. Ela foi criada depois da segunda guerra mundial, liderada pelos Estados Unidos, que salvou a Europa e o mundo do domínio da Alemanha  de Hitler.  Trump imaginou que a OTAN e a sua força militar ajudariam os Estados Unidos a retomar o Estreito de Ormuz, mas não obteve apoio. Os Estados Unidos não precisam do petróleo do Oriente Médio. A Europa é dependente do óleo e do gás. Esta manhã, o barril do Brent para entrega em junho está cotado a pouco mais de US$ 102.

Uma invasão americana na ilha de Kharg, no Estreito de Ormuz, poderia ser uma realidade nesta guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã?  Quanto tempo demoraria? Abreviaria a guerra e incendiaria tudo de vez? Todas estas perguntas estão sendo feitas pelos especialistas que participam das reuniões sobre estratégias entre agentes de inteligência e militares de alto patente americanos e israelenses. Os militares dos dois países dizem que uma invasão terrestre também poderia exigir mais tropas, o que explicaria o atraso para qualquer invasão, mesmo depois que a primeira leva de soldados americanos chegou ao teatro de guerra e já estão  em posição há cerca de uma semana.

Com a confirmação de fontes da defesa israelense, ficou cada vez mais claro que o fim da guerra com o Irã para Israel depende da decisão do presidente Donald Trump  de invadir por terra o Estreito de Ormuz e a Ilha de Kharg. A visão de Trump é que o estreito de Ormuz, por sua importância para o mundo, não pode ficar sob os humores de um país que incentiva e financia o terrorismo, armando grupos extremistas violentos. Por ser uma área de interesse multinacional, deveria estar também sob a guarda multinacional.  O  controle do regime islâmico sobre o comércio marítimo global que passa pelo Estreito, deixa o mundo correndo descalço sobre uma camada de gelo.

O que permanece um completo mistério é por quanto tempo a guerra se prolongará se Trump optar por uma invasão terrestre no Irã, mesmo que seja uma invasão limitada e direcionada. Levará semanas ou meses? Autoridades americanas têm se mostrado tudo menos abertas  nessa questão. Importante dizer também, que a Ilha de Kharg, do ponto de vista de defesa militar iraniana, foi muito castigada pelos bombardeios, que destruíram suas defesas aéreas e terrestres. Os quartéis  e a pista de pouso foram bombardeados. Aparentemente, salvo se o Irã tiver um ás na manga, a defesa da ilha está bem comprometida.  Mas se os americanos tomarem a ilha, o que deve acontecer, os Estados Unidos garantirão um cheque poupudo para pagar suas despesas com a guerra, além dos custos israelenses, que entrarão nesta conta final. As exportações iranianas de petróleo passarão a ter um novo caixa. Aí está a chave do tempo que as tropas americanas ficarão por lá, estacionadas.

Do ponto de vista militar, o que os especialistas dizem é que a estimativa para a duração das semanas pode estar se referindo à realização de uma série de incursões de baixa intensidade, com entradas e saídas rápidas, juntamente com ataques aéreos intensificados.

CONSEQUÊNCIAS NO BOLSO

Os preços da gasolina nos EUA já tinham subido de cerca de 3,00 dólares em 28 de fevereiro para 3,25 dólares;  em 5 de março, para 3,50 dólares em 10 de março, para 3,72 dólares;  em 15 de março, chegando finalmente a cerca de 3,90 dólares. Se Trump ignorou a questão do Estreito de Ormuz durante a primeira ou segunda semana, na esperança de que uma mudança de regime resolvesse o problema ou que os novos líderes do regime se “rendessem” e fechassem um acordo que lhe concedesse a maioria de seus objetivos de guerra, na terceira semana do conflito, ele foi pressionado a tomar medidas militares para tentar abrir o Estreito.

Mas o poder aéreo tinha suas limitações nesse caso, sendo incapaz de descobrir todos os pontos ocultos onde drones, mísseis de cruzeiro e minas marítimas poderiam ser usados ​​contra um ou dois navios. Além disso, os EUA poderiam explodir 100 alvos iranianos na área e, contanto que o regime islâmico conseguisse atingir um ou dois barcos grandes e invariavelmente lentos,  que atravessassem o estreito,  poderia manter seu controle e intimidar a maioria dos outros navios, impedindo-os até mesmo de tentar passar.

Foi por isso que as manchetes foram inundadas com detalhes sobre milhares de fuzileiros navais  a caminho da região durante a terceira e quarta semanas da guerra. No entanto, quando alguns desses fuzileiros chegaram, por volta do dia 26,  nada aconteceu, e a previsão de “semanas” começou a mudar para “meses”. Isso sugere que a estimativa de “semanas” pode ter sido feita por autoridades políticas americanas ou por alguns militares que desejavam ampliar a guerra com o Irã. Em contrapartida, a estimativa de “meses” provavelmente provém de profissionais e oficiais militares que desejam pôr fim à guerra e evitar uma operação terrestre. Além disso, quando dizem “meses”, podem estar se referindo simplesmente à possibilidade de tomar o controle de uma pequena área do Irã por um período de meses, e não apenas a meros ataques, algo que poderia levar muito mais tempo.

Também poderia ser necessário um número maior de tropas, o que explicaria a demora em qualquer invasão, mesmo depois da primeira leva de tropas provavelmente já estar em posição há cerca de uma semana. Essas autoridades também podem estar analisando como o Irã poderia se contrapor a uma invasão desse tipo e como o que poderia começar como uma operação simples e restrita poderia eventualmente se expandir para algo maior, a fim de alcançar um sucesso sustentado e garantir de fato a abertura do Estreito. Para eles, garantir verdadeiramente o controle do Estreito pode ser uma combinação de força militar seguida de diplomacia, com intervalos de tempo transcorrendo enquanto as duas vias avançam em paralelo. Pode-se esperar que a ambiguidade nos prazos seja estratégica, a fim de manter os iranianos na incerteza quanto às intenções dos EUA,  embora tal estratégia possa ser uma faca de dois gumes, caso os americanos precisem convencer o Irã a concordar em algum momento e não possam fazê-lo apenas pela força.

RECRUTANDO CRIANÇAS

Arriscar a vida de crianças para conseguir mão de obra extra. Esta é a posição atual da  Guarda Revolucionária Islâmica, que está recrutando jovens de 12 anos para preencher vagas em seu efetivo. “Lançamos um plano que chamamos de ‘Pelo Irã‘, que é um programa de cadastro para combatentes da defesa nacional”, disse Rahim Nadali, vice-diretor da Guarda Revolucionária Islâmica, à mídia oficial, a agência de notícias iraniana Defa:  “Estabelecemos a idade mínima em 12 anos.”  A campanha de recrutamento visa fazer com que civis apoiem o regime com serviços de cozinha e assistência médica, distribuição de itens e reparo de casas danificadas, bem como para atividades de segurança, como operação de postos de controle, patrulhas operacionais, patrulhas de inteligência e escolta de veículos.

Nadali disse que “em relação a patrulhas de inteligência e operacionais, adolescentes e jovens têm vindo repetidamente e dito que querem participar delas. Para os postos de controle da Basij,   que se pode ver nas cidades agora, muitos jovens e adolescentes têm exigido estar presentes, diz a agência de notícias.  Dadas as idades que estavam fazendo as solicitações, definimos a idade mínima em 12 anos. “Isso significa que agora há crianças de 12 e 13 anos que querem estar presentes nesse espaço.” Organizações de direitos humanos alertaram que o recrutamento de menores de 15 anos constitui um crime de guerra e uma grave violação dos direitos das crianças. As crianças estão sendo  registradas em mesquitas com bases Basij. A Human Rights Watch condena o recrutamento militar de crianças pelo Irã. “Não há desculpa para uma campanha de recrutamento militar que visa crianças, muito menos crianças de 12 anos”, disse Bill Van Esveld(esquerda), diretor associado de direitos da criança da Human Right Watch:  “Em resumo, as autoridades iranianas aparentemente estão dispostas a arriscar a vida de crianças em troca de mão de obra extra.”

Apenas alguns dias após o anúncio de Nadali, Alireza Jafari, de 11 anos, teria sido morto em um posto de controle militar, de acordo com a mídia estatal. A Organização de Professores Basij confirmou que o menor foi morto “em serviço”.  A mãe de Jafari disse ao jornal iraniano Hamshahri que a “escassez de pessoal” levou seu marido a levar o filho para o trabalho com ele. “Os funcionários envolvidos nessa política repreensível estão colocando crianças em risco de danos graves e irreversíveis, além de se exporem a responsabilidade criminal”, disse Van Esveld. “Líderes de alto escalão que não impuserem um fim a isso não podem alegar se importar com as crianças do Irã.” Esta não é a primeira vez que o regime islâmico se vale de crianças-soldado para suprir suas necessidades de pessoal. Durante a guerra Irã-Iraque, o regime permitiu que crianças de apenas nove anos desminassem campos minados, indenizando as famílias empobrecidas quando as crianças morriam no cumprimento de suas funções.

O AUMENTO DAS EXECUÇÕES

O Irã está  intensificando as execuções enquanto especialistas alertam que o uso da violência estatal para reprimir a dissidência política está sendo frequente. De acordo com a Anistia Internacional, duas das pessoas executadas na segunda-feira (30) foram mortas sem aviso prévio, o que lhes negou a oportunidade de se encontrarem com seus advogados ou de se despedirem de suas famílias. O Irã executou  dois homens ligados à Organização dos Mojahedin do Povo do Irã (PMOI), que se somam a outros dois executados na segunda-feira, informou o grupo na terça-feira, confirmando uma reportagem do órgão de notícias do judiciário iraniano.

Membros do PMOI, Babak Alipour, de 34 anos, formado em direito, e Pouya Ghobadi, de 33 anos, engenheiro eletricista, foram mortos dia 30 após serem condenados por ligações com o grupo ilegal e por suposto envolvimento em múltiplos ataques, incluindo o disparo de armas de fogo contra um prédio do governo, de acordo com a imprensa especializada em direito. Akbar Daneshvarkar, de 60 anos, e Mohammad Taghavi-Sangdehi(esquerda), de 59 anos, também foram enforcados na segunda-feira por suposta participação no Mujahideen-e-Khalq.

Segundo a Anistia Internacional,  Daneshvarkar e Sangdehi foram assassinados sem aviso prévio, o que lhes negou a oportunidade de se encontrarem com seus advogados ou de se despedirem de suas famílias.  Abolhassan Montazer e Vahid Bani Amerian(direita), que foram julgados no mesmo caso, correm risco iminente de morte, e a comunicação com os homens tem sido impossível até o momento, alertou a ONG, acrescentando que fontes indicaram que todos foram submetidos a tortura durante a detenção. “Eles eram homens cavalheirescos que não se curvaram a nenhuma tortura ou pressão e se mantiveram firmes em seu juramento e pacto até o fim”, disse Maryam Rajavi, presidente eleita do Conselho Nacional da Resistência do Irã (CNRI), braço político do PMOI, com sede em Paris, em um comunicado confirmando as execuções. Ela afirmou que vários membros do PMOI e outros presos políticos permanecem no corredor da morte e pediu que sejam tomadas medidas internacionais para salvar suas vidas.

A Organização dos Mujahedin do Povo foi proibida no Irã. O CNRI, também conhecido como PMOI, é proibido no Irã, e não se sabe ao certo quanto apoio ele tem no país. No entanto, juntamente com seu rival ferrenho, os monarquistas que apoiam  Reza Pahlavi, filho exilado do deposto Xá,  é um dos poucos grupos de oposição capazes de mobilizar apoiadores. A Relatora Especial das Nações Unidas sobre os direitos humanos no Irã alertou na terça-feira que, embora o bloqueio da internet tenha dificultado o monitoramento das execuções, ficou “claro” que o regime está usando as execuções como “um meio de suprimir a dissidência política em meio à guerra”. O Relator Especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos e o Combate ao Terrorismo, Professor Ben Saul, acrescentou que também condena “o uso indevido da pena de morte pelo Irã em alegados casos de segurança, em violação do direito à vida”.

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