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O REINO UNIDO SEDIA REUNIÃO ENTRE 35 PAÍSES PARA LIBERAR O ESTREITO DE ORMUZ UM DIA DEPOIS DO DISCURSO DURO DE TRUMP

O Presidente Donald Trump foi claro em seu discurso na noite de ontem na Casa Branca. Ele disse que os Estados Unidos são os maiores produtores de petróleo do mundo, tem as maiores reservas, que está vendendo o petróleo venezuelano e que não precisa do petróleo do Golfo Pérsico. “Quem precisar, que vá buscar”. Ele disse isso no contexto de que nem os americanos e nem os israelenses estão tendo ajuda para liberar o Estreito de Ormuz, vital para a passagem de 25% do petróleo consumido no mundo. Hoje (2), o Reino Unido sedia negociações com 35 países sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e conta com a ausência dos Estados Unidos, que chamou a OTAN de “Tigre de Papel” e ameaçou sair do bloco aliado.

A ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, presidirá a reunião virtual de cerca de 35 países, incluindo França, Alemanha, Itália, Canadá e Emirados Árabes Unidos. O objetivo é formar uma coalizão de países para explorar maneiras de reabrir o estreito depois que o presidente Trump ter afirmado que garantir a segurança da região é vital e é um problema que outras nações devem resolver. “ É responsabilidade dos países que dependem da hidrovia garantir que ela permanecesse aberta,” disse Trump.  Para lembrar, o Irã fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, em uma retaliação e uma estratégia militar, aos ataques conjuntos entre EUA e Israel que começaram no final de fevereiro. A reabertura do estreito é fundamental para que os preços do barril do petróleo volte ao seu patamar normal de mercado. Esta manhã o barril  do Brent está cotado a US$ 109,43 para entrega em junho.

OLEODUTOS NO GOLFO

Os países do Golfo consideram contornar o Estreito de Ormuz com novos oleodutos via Haifa. Eles pretendem criar uma nova rede de oleodutos, estradas e ferrovias para deixar de depender do Estreito,   numa tentativa de contornar a dependência dessa importante via navegável do Golfo Pérsico para as exportações. Uma das principais opções analisadas, inclui uma rota comercial que ligaria a península Arábica ao Mediterrâneo através do porto de Haifa. Segundo o relatório, a Arábia Saudita foi o único Estado do Golfo a manter um fluxo constante de exportações de petróleo em meio à guerra, principalmente graças ao oleoduto Leste-Oeste, que liga seus campos de petróleo ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, e contorna o estreito. O relatório menciona que os novos projetos em consideração incluem não apenas um novo oleoduto ou a expansão da infraestrutura atual, mas sim a criação de uma nova rede de oleodutos, trens e estradas.

Christopher Bush (direita), diretor executivo da construtora libanesa Cat Group, uma das principais responsáveis ​​pela construção do gasoduto leste-oeste da Arábia Saudita, confirmou que a empresa recebeu consultas sobre vários gasodutos. O principal projeto é o IMEC, liderado pelos EUA, que conectaria a Índia ao Mar Mediterrâneo por meio de uma rede de estradas, ferrovias e oleodutos. O principal desafio para esse plano seria garantir a concordância da Arábia Saudita em incluir o porto de Haifa na rota. Yossi Abu(esquerda), diretor executivo da empresa israelense NewMed Energy, afirmou que as tubulações do oleoduto no Mediterrâneo são necessárias para que os países “controlem seus próprios destinos, junto com seus amigos. Precisamos de oleodutos e conexões ferroviárias em toda a região, em terra, sem criar gargalos que nos prejudiquem.”

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu,  afirmou que a única solução para a crise no Estreito de Ormuz seria redirecionar os oleodutos para facilitar o acesso ao Mediterrâneo. “As soluções a longo prazo incluem o redirecionamento dos oleodutos e gasodutos para oeste, através da Arábia Saudita até o Mar Vermelho e o Mediterrâneo, contornando o ponto de estrangulamento geográfico do Irã.Netanyahu observou que, embora uma solução militar possa oferecer estabilidade a curto prazo, um acordo que elimine a importância estratégica do estreito pode ser o melhor caminho a longo prazo.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que a reunião avaliará “todas as medidas diplomáticas e políticas viáveis” para restaurar a liberdade de navegação na área após a assinatura de um cessar-fogo. Inicialmente, os países europeus recusaram o pedido de Trump para enviar suas marinhas à região por receio de serem arrastados para o conflito. Mas, segundo autoridades europeias, as preocupações com o impacto do aumento do custo da energia na economia global levaram-nos a tentar formar uma coligação para explorar formas de reabrir a hidrovia assim que for acordado um cessar-fogo. As conversas desta quinta-feira(2) serão a primeira reunião formal do grupo antes de discussões mais detalhadas envolvendo planejadores militares nas próximas semanas, disseram as autoridades.

Um funcionário europeu afirmou que se espera que a primeira fase de qualquer plano para a reabertura do estreito seja dedicada a garantir que a hidrovia esteja livre de minas,  seguida por uma segunda fase para proteger os navios-tanque que atravessam a área. Starmer afirmou que a reabertura da hidrovia “não será fácil” e exigirá “uma frente unida de força militar e atividade diplomática”, além de trabalho conjunto com a indústria naval. Trump afirmou que outros países que utilizam o Estreito de Ormuz deveriam “criar alguma coragem tardia” e “simplesmente tomá-lo”.Apenas peguem, protejam e usem para vocês mesmos“, disse.

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