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APÓS ACORDO PARA MINERAIS ESTRATÉGICOS, NBEPAR MIRA PARCERIAS PARA MICRORREATOR E IRRADIAÇÃO DE ALIMENTOS

A Núcleo Brasil Energia (NBEPar) ainda é uma jovem empresa no mercado nuclear brasileiro, mas já tem conseguido movimentar o setor com projetos relevantes. Em entrevista ao Petronotícias, o diretor-presidente da companhia, Ney Zanella, explica que o planejamento atual prevê três principais frentes de atuação. Na área de geração, em parceria com o Grupo Diamante e a Terminus, a NBEPar tem um projeto para desenvolver um microrreator compacto e modular, projetado para gerar energia de forma mais segura, flexível e com menor custo. Para reunir os recursos e construir o protótipo da tecnologia, a empresa está atualmente em conversas com outras companhias. “Estamos em diálogo com grandes empresas do setor de mineração e também com a Petrobrás — que demonstrou interesse. A ideia é atrair parceiros que sejam potenciais clientes desses microrreatores e que queiram participar do desenvolvimento desde o início”, disse. Já na área de mineração, a NBEPar firmou recentemente um acordo com o grupo russo Rosatom para criar uma joint venture que pretende explorar áreas com potencial para minerais estratégicos. Por fim, Zanella revela ainda que a NBEPar também tem planos para implantar empreendimentos de irradiação de alimentos no país.

Para iniciarmos, poderia explicar a estrutura atual da empresa e como a NBEPar se posiciona no mercado?

NBEPar apresentou projeto de microrreator aos diretores da Agência Internacional de Energia e Agência Internacional de Energia Nuclear durante evento na França

A  NBEPar é vinculada ao Grupo Diamante Holding. A NBEPar tem como objetivo atuar nos setores de energia nuclear e minerais críticos. Recentemente, avançamos na área de mineração por intermédio de uma joint venture constituída na última semana, denominada Nadina Minerals.

Qual é o propósito da Nadina Minerals e como será a atuação da empresa em território brasileiro?

A proposta da Nadina Minerals é realizar pesquisas geológicas e explorar áreas que serão disponibilizadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Uma vez identificadas jazidas de urânio ou minerais críticos, estabeleceremos parcerias estratégicas. No caso do urânio, a parceria ocorrerá obrigatoriamente com a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e, para os minerais críticos, buscaremos grupos interessados nessas atividades. A Nadina é uma joint venture composta por 50% de participação da NBEPar e 50% da Tenex, que integra o grupo russo Rosatom. A sede da empresa é no Rio de Janeiro, possui CNPJ nacional e opera como uma empresa brasileira, contando com o aporte tecnológico avançado da Rosatom para a mineração.

Quais são os diferenciais dessa tecnologia que será trazida pela Rosatom?

Cerimônia de assinatura que criou a Nadina Minerals

Trata-se de um processo de mineração muito avançado e ambientalmente correto. Eles utilizam um método que não interfere na superfície nem altera a geografia visual do terreno. O trabalho é realizado de forma subterrânea, abaixo do lençol freático, para evitar qualquer tipo de poluição. Não há remoção de terra; o processo ocorre inteiramente no subsolo e apenas o líquido, conhecido como licor de urânio, é extraído para a superfície para ser processado.

Quais são os próximos passos da Nadina Minerals agora que a empresa foi oficialmente formada?

Os próximos passos envolvem a realização de requerimentos junto à ANM para áreas que apresentem maior propensão para os minerais que buscamos. Essas informações são obtidas através do Serviço Geológico do Brasil (SGB), que disponibiliza dados públicos. Nossos geólogos estudam essas áreas e, após o requerimento e aprovação, iniciamos a pesquisa. A fase inicial envolve medições aéreas para confirmar o potencial da área. Uma vez aprovada essa etapa, temos um período de três anos para aprofundar as pesquisas nas áreas liberadas. Nosso foco são os minerais estratégicos, incluindo o urânio, que é fundamental.

Como fica a questão do monopólio estatal sobre o urânio diante desse modelo de negócio?

A Lei 14.514 permite que a iniciativa privada realize pesquisas e lavras de urânio, desde que em parceria com a INB, uma vez que o Estado deve manter sua participação. Essa legislação, sancionada ao final do governo anterior, está em vias de ser regulamentada. Temos notícias de que os estudos estão na Secretaria de Assuntos Jurídicos (SAJ) e é provável que o decreto regulamentador seja publicado ainda em abril. Este decreto definirá os moldes das parcerias, seja por meio de consórcios, Sociedades de Propósito Específico (SPE) ou outros modelos de associação.

Em relação à Terminus Energy e o desenvolvimento do micro-reator nuclear, em que estágio se encontra o projeto?

A Terminus Energy é uma startup vinculada à NBEPar que desenvolve um microrreator nuclear de 5 megawatts. O projeto conta com apoio financeiro da Finep (R$ 30 milhões) e do nosso grupo (R$ 20 milhões), totalizando um investimento inicial de R$ 50 milhões para pesquisa e desenvolvimento. Atualmente, estamos na fase de validação do projeto, que deve durar cerca de dois anos. O cronograma prevê a construção de um protótipo e, posteriormente, da primeira unidade comercial, com conclusão estimada para 2033.

Vocês já estão buscando parceiros para a fase de construção do protótipo?

Para construir o protótipo, cujo custo é estimado em aproximadamente R$ 500 milhões, estamos buscando parceiros interessados em investimento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). Estamos em diálogo com grandes empresas do setor de mineração e também com a Petrobrás — que demonstrou interesse. A ideia é atrair parceiros que sejam potenciais clientes desses microrreatores e que queiram participar do desenvolvimento desde o início.

A empresa também tem o interesse em entrar no segmento de irradiação de alimentos? Como esse projeto está sendo estruturado?

Sim. A proposta é criar um modelo de parceria, similar a um consórcio, unindo fornecedores de frutas, atacadistas e exportadores. O objetivo é implantar a irradiação de alimentos em grandes centros consumidores ou próximos a portos de exportação. Atualmente, essa tecnologia de irradiação ainda não é aplicada no Brasil. Estamos trabalhando em conjunto com a Amazul, a NBEPar e o IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares). O papel da NBEPar é ser um fomentador desse processo, que envolve não apenas a aquisição de equipamentos, mas também toda a conformidade regulatória e licenciamento junto à Anvisa e outros órgãos competentes.

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