BRONTO SKYLIFT BUSCA NOVOS NEGÓCIOS COM PETROBRÁS E AXIA PARA OFERECER TECNOLOGIAS DE COMBATE A INCÊNDIO
Presente no Brasil há quase 35 anos, a empresa Bronto Skylift, pertencente ao grupo Morita, está apostando no país para conquistar novos negócios no setor de energia. A companhia atua na oferta de plataformas aéreas para combate a incêndio, além de plataformas isoladas para intervenções em linhas de transmissão. Olhando para o mercado de óleo e gás, a Bronto Skylift busca uma reaproximação com a Petrobrás. “Em uma indústria onde eventos críticos podem ocorrer, contar com essa tecnologia no próprio pátio não é um luxo, mas uma necessidade operacional básica para proteger vidas e o patrimônio da companhia”, afirma o consultor e parceiro da Bronto Skylift no Brasil, Fernando Junqueira, nosso entrevistado desta terça-feira (7). No setor elétrico, a empresa está em negociações avançadas com empresas geradoras e transmissoras, como a Axia, para ofertar as chamadas plataformas isoladas, que permitem o trabalho em linhas de transmissão sem risco de choque. “Não existem hoje no mercado outras plataformas com isolamento que atinjam a altura necessária para a manutenção e correção de linhas de transmissão de grande porte. É um nicho em que a Bronto Skylift oferece uma tecnologia única”, afirmou o executivo.
Poderia apresentar para os nossos leitores uma visão geral da atuação da Bronto Skylift?
A Bronto Skylift é uma empresa finlandesa que, desde 1972, atua no desenvolvimento de plataformas aéreas para combate a incêndio, além de plataformas isoladas para intervenções em linhas de transmissão. Atualmente, fazemos parte do grupo japonês Morita, um importante player mundial. Já fornecemos mais de 8 mil unidades para cerca de 120 países, o que demonstra o elevado conceito da marca globalmente.
No Brasil, já realizamos diversas vendas e temos uma presença consolidada em vários estados. Vale ressaltar que nossa atuação não se restringe ao setor de óleo e gás; atendemos tanto à área industrial quanto à esfera civil, sendo os Corpos de Bombeiros estaduais os nossos principais clientes no país.
Quais são as características gerais e os principais diferenciais das tecnologias que a empresa oferece ao mercado brasileiro?
A Bronto fabrica plataformas aéreas com alcance vertical de trabalho que varia de 22 metros até 112 metros. Esses equipamentos são montados em chassis de marcas como Mercedes-Benz, Scania ou Volvo — sendo que, no Brasil, a utilização de Scania e Mercedes é a mais frequente. Nossas plataformas possuem sapatas estabilizadoras para garantir o equilíbrio, permitindo um alcance conjugado, tanto vertical quanto horizontal. Além disso, contam com uma base giratória de 360 graus contínuos, com comandos localizados tanto na base quanto na cesta de operação elevada.
Essa cesta possui capacidade de carga de 500 quilos e é equipada com um canhão monitor conectado a uma tubulação para o lançamento de água ou espuma. No caso específico de demandas como as da Petrobrás, o sistema inclui um tanque misturador e um mecanismo de espuma automática. É uma tecnologia fundamental para o combate a incêndios em tanques, pois permite atacar o fogo por cima e a uma distância segura.
Além dos comandos na base e na cesta, existem outras formas de operação do equipamento? E qual é o histórico de segurança global da marca?
Sim, além dos controles integrados, os equipamentos possuem a opção de operação via controle remoto à distância. É importante destacar que a Bronto Skylift possui um histórico de segurança impecável; em todo o mundo, nunca registramos acidentes com nossas plataformas. No Brasil, estamos presentes desde 1992, iniciando o trabalho com os corpos de bombeiros de São Paulo e do Rio de Janeiro. De lá para cá, expandimos para quase todo o território nacional, com forte presença no Nordeste e em estados como São Paulo, que sozinho já adquiriu 17 de nossas plataformas.
Quais são os diferenciais e vantagens específicos dessas tecnologias para o ambiente de óleo e gás?
A principal vantagem técnica da plataforma aérea em relação à escada convencional é a sua articulação. Enquanto a escada apenas se estende, a nossa tecnologia possui braços articulados que permitem uma movimentação ampla: ela gira, sobe e se estende tanto na vertical quanto na horizontal. Esse alcance, que chega a 112 metros, garante que a equipe não precise se aproximar demasiadamente do foco do incêndio. No setor de óleo e gás, isso é vital, pois a extinção de fogo em tanques é muito mais eficiente e segura quando feita por cima. Inclusive, o ideal para um resultado positivo nesse tipo de operação é o ataque combinado por dois lados, utilizando, no mínimo, dois equipamentos simultaneamente.
Quais são os planos futuros e a estratégia da Bronto Skylift para conquistar novos negócios no setor de óleo e gás no Brasil?
Nossa estratégia atual é retomar uma aproximação estreita com a Petrobrás. Com os eventos recentes, como o incêndio em março na Reduc, e a necessidade constante de proteção, queremos lembrar ao mercado que a segurança dos ativos e, principalmente, a vida dos funcionários são prioridades.
Embora a Petrobrás tenha adquirido equipamentos nossos no passado — um dos quais foi recentemente doado ao Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro —, acreditamos ser fundamental que as refinarias e indústrias mantenham, em seus próprios pátios, tecnologias de ponta para o combate aos incêndios. O objetivo agora é mostrar à Petrobras que a Bronto é a solução ideal para as suas necessidades atuais de segurança industrial.
Quais são as novidades ou próximos passos da empresa no país?
Atualmente, estamos em negociações avançadas no setor elétrico, tratando com empresas geradoras e transmissoras, como a antiga Eletrobras (atual Axia). A novidade aqui são as nossas plataformas isoladas. Não existem hoje no mercado outras plataformas com isolamento que atinjam a altura necessária para a manutenção e correção de linhas de transmissão de grande porte. É um nicho em que a Bronto Skylift oferece uma tecnologia única.
O que define uma plataforma como “isolada”?
Quanto ao isolamento, o braço que sustenta a cesta recebe um tratamento técnico especial que isola o equipamento eletricamente. Isso permite que o funcionário trabalhe nas linhas de transmissão sem qualquer risco de choque. Além disso, esses caminhões podem ser configurados com tração 8×8, pneus especiais ou até esteiras, permitindo o acesso a locais remotos e de difícil topografia, como regiões de morros, onde veículos convencionais não chegam. É uma acessibilidade e segurança que não encontramos nos equipamentos disponíveis hoje no Brasil.
Considerando incidentes operacionais recentes na indústria, qual a importância estratégica de o mercado e a Petrobrás investirem nessas tecnologias?
A preservação dos ativos e, primordialmente, a segurança dos colaboradores é vital em qualquer empresa do setor de óleo e gás. Um caminhão de bombeiros convencional, como um auto-tanque ou auto-bomba, muitas vezes precisa combater o fogo a partir do solo. Dependendo da gravidade e da altura do evento, o esguicho não atinge o objetivo com eficácia. Nossas plataformas, com braços articulados e giratórios que operam em diversas posições (vertical e horizontal), combatem o incêndio de forma muito mais eficaz.
É imperativo que uma empresa do porte da Petrobrás, dado o risco inerente às suas operações, tenha a visão estratégica sobre a necessidade de equipamentos desta envergadura. Em uma indústria onde eventos críticos podem ocorrer, contar com essa tecnologia no próprio pátio não é um luxo, mas uma necessidade operacional básica para proteger vidas e o patrimônio da companhia.

publicada em 7 de abril de 2026 às 5:00 




