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INVESTIDORES PRIVADOS E GOVERNO QUEREM CONSTRUIR UM ALCOODUTO DE 2,1 MIL KM PARA O ETANOL DE MILHO DE SINOP À PAULÍNIA

O projeto da construção de um alcooduto de 2,1 mil km foi o grande destaque da 3ª Conferência Internacional UNEM Datagro, realizada em Cuiabá. O avanço da logística foi apontado como peça-chave para sustentar o crescimento do etanol de milho em Mato Grosso. No painel sobre a logística de distribuição, o ex-senador e CEO do Grupo MC Empreendimentos e Participações, Cidinho Santos, destacou o projeto de um alcooduto ligando Sinop (MT) a Paulínia (SP), com investimento estimado em R$ 22 bilhões. Segundo ele, a proposta já conta com interesse do governo federal para inclusão e também de investidores privados, o que pode acelerar a viabilização da obra e marcar uma nova fase para o setor de biocombustíveis no Estado. Cidinho ressaltou que a capacidade projetada do duto é de 13 milhões de metros cúbicos, enquanto a produção atual já gira em torno de 8 milhões, o que garantiria uma ocupação inicial próxima de 70%. “Estamos falando de um projeto que começa a ganhar forma agora e que ainda será muito discutido nos próximos meses. Esse alcooduto, somado às rodovias duplicadas e às ferrovias em construção, vai colocar Mato Grosso em outro nível de competitividade”, afirmou. “É um investimento robusto, mas que já nasce com demanda. Isso representa um novo momento para os biocombustíveis, especialmente para o etanol de milho em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, completou.

O avanço logístico acompanha um crescimento acelerado da indústria. Mato Grosso consolidou a liderança nacional no etanol de milho ao atingir 5,6 bilhões de litros na safra 2024/2025, concentrando cerca de 70% de toda a produção brasileira. Hoje, o estado conta com 17 usinas de biocombustíveis em operação, sendo 9 dedicadas exclusivamente ao milho e outras 3 no modelo flex (milho e cana), o que evidencia a expansão e a diversificação do parque industrial. As projeções indicam que esse avanço deve continuar. A moagem de milho pode chegar a 26,8 milhões de toneladas na safra 2026/2027, com crescimento superior a 19%, impulsionado pela entrada de novas unidades e pela ampliação da capacidade instalada.

Mais do que volume, o setor tem promovido uma mudança estrutural na economia do estado, com a transformação do milho em produtos de maior valor agregado, como etanol, DDGS — utilizado na nutrição animal e bioeletricidade, ampliando os efeitos sobre emprego, renda e arrecadação. Além do novo modal, o empresário também citou a duplicação da BR-163 pela Nova Rota Oeste, a maior obra de infraestrutura rodoviária do país, que vai reduzir custos logísticos e melhorar o escoamento da produção. O debate reuniu ainda o ex-presidente do DNIT, Luiz Antonio Pagot, o diretor-executivo da ADECON, Edeon Vaz, e o diretor da Ultracargo, Fernando Dihel, que apontaram alternativas complementares para ampliar a distribuição do etanol.

Edeon Vaz destacou o potencial do chamado Arco Norte, com escoamento via Miritituba e Barcarena para abastecimento do Nordeste, além da ampliação da concessão da BR-163 até o Pará, que deve permitir novas obras e melhorias nos próximos anos. “Essa logística pelo Norte não concorre com o alcooduto, ela complementa. A ideia é ampliar os caminhos e alcançar regiões deficitárias em etanol”, disse. Já Pagot defendeu o uso de hidrovias como solução mais competitiva para levar o produto ao Nordeste, com integração entre Santarém e o Porto do Itaqui. “Você pode levar o etanol até Santarém, colocar em balsas e distribuir a partir de um hub. É uma solução logística eficiente e com custo mais baixo”, afirmou.

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