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PETROLEIRAS AUMENTAM INVESTIMENTOS EM POÇOS DE ALTO IMPACTO PARA SUPRIR DEMANDA ATÉ 2050

As 30 maiores empresas de exploração e produção do mundo enfrentam quedas de produção de quase 40% entre 2025 e 2040. Esse cenário está impulsionando novos investimentos em exploração de fronteira em águas ultraprofundas, à medida que países buscam diversificação de oferta e segurança energética estratégica, segundo análise divulgada pela Wood Mackenzie. A consultoria diz que o setor de upstream enfrenta um déficit de 300 bilhões de barris de petróleo até 2050. Os campos atualmente em produção devem entregar apenas 700 bilhões de barris dos quase 1 trilhão de barris necessários para atender à demanda acumulada de líquidos até 2050 no cenário-base da Wood Mackenzie, sem novas descobertas ou extensões de campos.

As empresas precisam olhar além da volatilidade de curto prazo e estruturar estratégias para capturar recursos e preencher essa lacuna. A exploração tem papel relevante e apresenta histórico econômico positivo: o setor gerou US$ 120 bilhões em valor entre 2021 e 2025 com Brent a US$ 85 por barril, ou US$ 54 bilhões com Brent a US$ 65 por barril, após descontar US$ 97 bilhões em investimentos exploratórios.

Sonda Valaris Renaissance usada na perfuração de poço no bloco de Bumerangue

As prioridades de segurança de recursos estão redefinindo as estratégias de exploração. Grandes companhias de petróleo estão assumindo participações majoritárias em prospectos de fronteira para garantir recursos mais competitivos, capazes de substituir produção de maior custo. A BP detém 100% de participação na descoberta de óleo, gás e condensado Bumerangue, no Brasil, anunciada em agosto de 2025. A Wood Mackenzie avalia que o desenvolvimento bem-sucedido de Bumerangue pode gerar US$ 5,7 bilhões, elevando a criação de valor da indústria de exploração em 2025 para mais de US$ 10 bilhões.

Sete grandes companhias de petróleo, além de empresas nacionais como Petrobras, PETRONAS e a TPAO da Turquia, possuem capacidade técnica e apetite de risco necessários para operações em águas ultraprofundas, com lâminas d’água superiores a 1.500 metros. Empresas independentes como Murphy, APA Corporation e Woodside vêm ampliando sua atuação em águas profundas.

Os investimentos do setor ficaram em média em US$ 19 bilhões por ano, distribuídos em 633 poços exploratórios entre 2021 e 2025. O valor de US$ 16 bilhões em 2025, referente a 388 poços, representa uma variação pontual. Os aportes permaneceram estáveis apesar da quase duplicação das diárias de sondas, que representam parcela significativa do custo dos poços. Parceiros não operadores, como a QatarEnergy, forneceram capital adicional por meio de joint ventures no Brasil, Namíbia, Chipre e República do Congo.

O primeiro grupo de grandes poços que monitoramos em 2026 resultou em insucessos — isso faz parte do jogo, e os agentes conhecem os riscos”, disse Andrew Latham, vice-presidente sênior de pesquisa em energia. “Quando a exploração em águas ultraprofundas funciona, descobertas únicas como Bumerangue geram bilhões em valor. Empresas com expertise em águas profundas estão assumindo participações concentradas porque a economia dos projetos funciona com Brent a US$ 65”, acrescentou.

A perfuração em águas ultraprofundas está concentrada em regiões que seguem descobertas recentes de alto valor feitas pela ExxonMobil na Guiana, pela Eni na Costa do Marfim, Indonésia e Chipre, pela BP no Brasil e pela TPAO no Mar Negro. Exploradores de fronteira estão ampliando o escopo para bacias pouco exploradas, incluindo a Foz do Amazonas, no Brasil, e extensões de plays existentes em Angola e Suriname.

A Wood Mackenzie identificou 23 poços de alto impacto para 2026. Esses poços têm potencial para comprovar a viabilidade de bacias de fronteira ou dar continuidade ao sucesso de descobertas gigantes realizadas em 2025. O poço Morpho-1, da Petrobras (com potencial de 800 milhões de barris de óleo equivalente), pode abrir a bacia da Foz do Amazonas, enquanto o poço S-M-1378-1, da Equinor, na Bacia de Santos, pode comprovar a viabilidade de carbonatos microbianos do pré-sal além da descoberta de Bumerangue, da BP.

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