GUARDA DO IRÃ ATACA NAVIOS DOS EMIRADOS ÁRABES E LANÇA MÍSSEIS CONTRA FRAGATA AMERICANA EM ORMUZ, MAS NÃO ACERTA
A guerra das narrativas. O Irã disse que disparou contra um navio da armada americana perto do Estreito de Ormuz. Se atirou mesmo, errou. Nenhum navio da Marinha dos Estados Unidos foi atingido. A negativa veio logo depois da agência de notícias Fars, alinhada com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), ter afirmado que dois mísseis atingiram uma fragata da Marinha dos Estados Unidos, forçando-a a retornar. “A Marinha do Irã não atingiu nenhum navio da Marinha dos Estados Unidos perto do Estreito de Ormuz“, confirmou um oficial americano na tarde de segunda-feira (4), horário local. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) confirmou ainda, em uma postagem no X, que nenhum navio americano foi atingido, acrescentando que “as forças americanas estão apoiando o Projeto Liberdade e reforçando o bloqueio naval aos portos iranianos”.
Segundo a agência de notícias iraniana Tasnim, citando uma fonte não identificada, Teerã preparou outros cenários que serão ativados “se necessário”. Nos últimos
meses, o Irã tem repetidamente afirmado ter atacado vários navios da Marinha dos EUA que operam na região, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln, no início de março. Em seguida, o CENTCOM emitiu um comunicado afirmando que os relatos eram falsos e que “os mísseis lançados nem sequer chegaram perto”. Além disso, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos informou que um navio-tanque da ADNOC foi atingido por dois drones enquanto transitava pelo Estreito de Ormuz, acrescentando que não houve feridos.
Em nota, os Emirados Árabes Unidos afirmaram que o ataque é uma “violação flagrante da Resolução 2817 do Conselho de Segurança da ONU, que enfatiza a liberdade de navegação e rejeita ataques a embarcações comerciais ou a interrupção de rotas marítimas internacionais. Utilizar o Estreito de Ormuz como instrumento de pressão ou chantagem econômica constitui ato de pirataria por parte da Guarda Revolucionária Iraniana e representa uma ameaça direta à estabilidade da região e de seu povo, bem como à segurança energética global”, concluiu
o comunicado. O incidente ocorre depois que autoridades iranianas alertaram na manhã de hoje, que uma proposta dos EUA para escoltar e guiar navios comerciais pelo Estreito de Ormuz constituiria uma violação do cessar-fogo.
Um comunicado divulgado pelo comando unificado das Forças Armadas do Irã alertou a Marinha dos EUA contra a entrada no Estreito de Ormuz. “Já afirmamos repetidamente que a segurança do Estreito de Ormuz está sob o controle das Forças Armadas da República Islâmica do Irã e, em todas as circunstâncias, qualquer passagem segura deve ser coordenada com as Forças Armadas.” A declaração ameaçava explicitamente atacar quaisquer forças militares estrangeiras, particularmente as forças americanas, que tentassem entrar ou se aproximar do estreito. Também esta manhã (horário local) a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) divulgou um novo mapa da área do Estreito de Ormuz sob seu controle, informou a mídia estatal. Não ficou imediatamente claro se e em que medida a área de controle reivindicada foi alterada. A área começa a oeste com uma linha que vai da ponta mais ocidental da ilha de Qeshm, no Irã, até o emirado de Umm al Quwain, nos Emirados Árabes Unidos. A leste, a área termina em uma linha que vai do Monte Mobarak, no Irã, até o emirado de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.

publicada em 4 de maio de 2026 às 11:00 




