PETROLEIRAS ESTATAIS AMPLIAM INVESTIMENTOS EM ÓLEO E GÁS DIANTE DO AUMENTO DO PREÇO DO BARRIL
A ideia de que o petróleo vai perder seu espaço rapidamente para outras energias vai, cada vez mais, perdendo força. Diante das instabilidades geopolíticas e a crise no Estreito de Ormuz, os países estão correndo para garantir sua independência energética, ampliando reservas e fazendo novos investimentos para aumentar a produção de petróleo. No início desta semana, duas importantes petroleiras estatais fizeram movimentos neste sentido. A norueguesa Equinor prorrogou contratos estratégicos de fornecimento para serviços de perfuração e poços, com valor combinado de cerca de US$ 1,8 bilhão. Os acordos têm como objetivo sustentar a produção no mar da Noruega, manter o nível de atividade e contribuir para o fornecimento estável de energia à Europa. A meta da Equinor é manter, até 2035, produção próxima de 1,2 milhão de barris de óleo equivalente por dia.
A companhia exerceu opções de um ano em três contratos de serviços integrados de perfuração e poços, além de opções de dois anos em 18 acordos corporativos de fornecimento de serviços especializados vinculados a essas operações. Os contratos de serviços integrados de perfuração e poços somam US$ 890 milhões. Já os acordos corporativos para serviços especializados estão estimados em aproximadamente US$ 460 milhões por ano, ao longo de dois anos.
As empresas Baker Hughes Norge AS, Halliburton AS e SLB Norge AS foram selecionadas para os contratos de serviços integrados de perfuração e poços. As mesmas companhias, juntamente com outros 15 fornecedores, também foram contempladas com acordos corporativos para serviços especializados. Esses contratos devem garantir acesso à tecnologia e à expertise necessárias para tornar as operações de poços mais eficientes e adaptadas às mudanças de demanda na plataforma continental norueguesa.
“Esses acordos estão entre os maiores que temos e são essenciais para a atividade na plataforma continental norueguesa. Novos poços nos permitem manter a produção em níveis elevados e fornecer energia estável à Europa. Isso é particularmente importante em um momento de turbulência nos mercados de energia”, afirmou Jannicke Nilsson, diretora de compras da Equinor.
Os contratos devem sustentar cerca de 2.500 empregos e abrangem atividades tanto em instalações fixas quanto em sondas móveis na plataforma continental da Noruega.
“Novos poços devem responder por cerca de 70% da produção da Equinor em 2035. Isso envolve tanto um número maior de poços quanto mais intervenções, que precisam ser executadas com mais rapidez e custos significativamente menores do que hoje. Isso exige colaboração mais estreita com a indústria fornecedora e maior uso de tecnologia e padronização”, disse Rune Nedregaard, vice-presidente sênior de poços da Equinor.
Já no caso da ADNOC, a empresa anunciou planos de conceder até US$ 55 bilhões em contratos entre 2026 e 2028, sinalizando uma aceleração dos investimentos em upstream e em outras áreas de energia, em meio ao novo posicionamento dos Emirados Árabes Unidos após sua saída da OPEP.
Os contratos previstos fazem parte do atual programa quinquenal de investimentos da ADNOC e marcam o que a companhia classificou como uma nova fase de execução de projetos em larga escala, com o objetivo de atender ao aumento da demanda global por energia. Os investimentos abrangerão o portfólio de upstream e downstream da empresa, com uma parcela relevante destinada à expansão de capacidade e ao desenvolvimento de ativos de petróleo e gás.
O anúncio aconteceu poucos dias após a saída formal dos Emirados Árabes Unidos da OPEP, movimento que permite ao país ampliar a produção sem as limitações impostas por cotas. A ADNOC já havia sinalizado planos de expansão, posicionando os Emirados entre os poucos produtores com capacidade ociosa relevante.
“Em linha com as diretrizes da liderança dos Emirados Árabes Unidos, a ADNOC está entrando em uma fase decisiva de execução de sua estratégia, impulsionada por escala, velocidade e foco total na entrega”, afirmou o CEO Sultan Ahmed Al Jaber. Segundo ele, a companhia está concentrada em “atender ao crescimento da demanda global por energia, ao mesmo tempo em que fortalece e amplia a base industrial e manufatureira dos Emirados Árabes Unidos”.

publicada em 5 de maio de 2026 às 5:00 






