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APÓS INÍCIO OTIMISTA, UTILIZAÇÃO DE SONDAS NO GOLFO PÉRSICO DEVE FICAR EM BAIXA EM 2026 DIANTE DA GUERRA NO IRÃ

Após um início de 2026 cautelosamente otimista para os mercados offshore do Oriente Médio, a escalada do conflito regional alterou rapidamente as perspectivas. As expectativas de continuidade das licitações e de aperto na oferta de sondas autoelevatórias (também chamadas de jackup) foram prejudicadas por interrupções operacionais, atrasos no início de contratos e aumento do risco político no Golfo Pérsico. Contudo, segundo análise publicada pela Westwood Energy, à medida que a incerteza se espalha, a utilização das sondas diminuiu e previsões antes otimistas passaram a ser reavaliadas, evidenciando como eventos geopolíticos podem remodelar rapidamente os fundamentos do mercado.

Em janeiro de 2026, a Westwood previu que o mercado global de jackups iniciaria sua aguardada recuperação entre meados e o fim de 2026, após um período difícil que se arrastava desde 2024. O otimismo era sustentado pelo fortalecimento da demanda na bacia mais ativa do mundo para jackups — o Golfo Pérsico — responsável sozinho por cerca de 36% da oferta global desse tipo de plataforma. Com o avanço de 2026, os primeiros sinais pareciam encorajadores. O ritmo das licitações acelerou no Golfo Pérsico no fim de 2025 e início de 2026, um número crescente de projetos se aproximou da decisão final de investimento e descobertas exploratórias relevantes — especialmente offshore no Kuwait — reforçaram a visibilidade das atividades de longo prazo. Diversas jackups suspensas durante desajustes anteriores do mercado eram esperadas de volta às operações com a Saudi Aramco, enquanto muitas outras já haviam sido absorvidas por novos contratos em outras regiões do mundo.

No entanto, essa trajetória foi interrompida pela escalada do conflito no Oriente Médio iniciada em fevereiro de 2026. Ataques com mísseis, atividades com drones e incidentes navais na região alteraram significativamente o ambiente operacional. Operadoras offshore responderam priorizando a segurança do pessoal e a proteção de ativos, adotando uma série de medidas preventivas. Entre elas estão evacuações temporárias, redução do efetivo embarcado, atrasos em novas campanhas de perfuração e uma nova onda de suspensões de plataformas na Arábia Saudita. Mais recentemente, a situação se agravou ainda mais com rescisões antecipadas de contratos envolvendo ativos operando offshore no Catar.

Além disso, várias plataformas que deveriam retomar operações com a Saudi Aramco ainda não voltaram ao trabalho, enquanto novas campanhas — como o programa de perfuração offshore da Masirah Oil em Omã utilizando a plataforma Energy Emerger, da Northern Offshore — foram adiadas por pelo menos alguns meses.

As implicações mais amplas são significativas. No fim de 2025 e nos primeiros meses de 2026, operadoras da região lançaram uma grande quantidade de licitações para jackups — totalizando aproximadamente 56 anos-plataforma de demanda potencial — com inícios previstos para 2026 e 2027.

A instabilidade em curso agora ameaça adiar tanto as concessões quanto o início dos contratos. Isso já se refletiu em atrasos processuais, com a Saudi Aramco prorrogando para 16 de junho o prazo de submissão de propostas para suas licitações envolvendo múltiplas plataformas, enquanto a Kuwait Oil Company adiou o próprio prazo para 1º de junho. O sentimento do mercado indica que novos adiamentos continuam possíveis”, escreveu a analista da Westwood, Teresa Wilkie.

Mesmo nesse cenário mais cauteloso, ainda existem focos de retomada. A Al-Khafji Joint Operations (KJO) — joint venture meio a meio entre a Aramco Gulf Operations Company (AGOC) e a Kuwait Gulf Oil Company (KGOC) — lançou recentemente uma nova manifestação de interesse para contratar duas jackups adicionais para campanhas de múltiplos anos. O movimento ocorre em paralelo à licitação em andamento para quatro jackups destinadas ao desenvolvimento do campo de Dorra, na Zona Neutra entre Arábia Saudita e Kuwait.

Com a demanda temporariamente enfraquecida e pouca margem para a realocação de plataformas para fora da região, a utilização operacional da frota disponível caiu acentuadamente — de 83% no início de fevereiro, antes do início das hostilidades, para cerca de 69% no fim de abril. “É importante destacar que muitas das plataformas afetadas por evacuações ou redução de tripulação permanecem contratadas, embora inativas, o que mantém a utilização contratada relativamente resiliente, em aproximadamente 90%. Ainda assim, esse número pode ser pressionado caso ocorram novas rescisões antecipadas de contratos”, avaliou Teresa.

A projeção original da Westwood previa um fortalecimento do mercado do Oriente Médio em 2026, com a utilização contratada avançando de 94% em 2025 para 96%. Diante da continuidade da instabilidade regional e do aumento dos riscos negativos, essa previsão foi revisada. A nova estimativa aponta que a utilização contratada deverá ficar entre 89% e 91% ao longo de 2026, reconhecendo que um conflito prolongado ou em escalada pode alterar novamente o equilíbrio do mercado.

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