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ROSATOM REALIZA ENCONTRO COM ESPECIALISTAS DO BRASIL E DE OUTROS PAÍSES PARA DEBATER SOBRE PESQUISAS NUCLEARES AVANÇADAS

Obras do MBIR estão avançando. Comissionamento da unidade está previsto 2028

Um encontro internacional, em Moscou, reuniu mais de 80 especialistas ligados a 35 instituições de diferentes países, entre eles o Brasil, para debater sobre as perspectivas de pesquisa em combustíveis e materiais nucleares utilizando o reator MBIR. O evento também contou com representantes da Rússia, China, Vietnã, Uzbequistão, Tunísia e Jordânia, entre outros. A reunião ocorreu no âmbito do Centro Internacional de Pesquisa baseado no MBIR e destacou a importância da cooperação internacional para o avanço de tecnologias nucleares voltadas a aplicações pacíficas. O reator MBIR está sendo construído em Dimitrovgrad, na Rússia, no Instituto de Pesquisa de Reatores Atômicos, integrante da divisão científica da Rosatom.

O MBIR será um reator multipropósito de pesquisa de nêutrons rápidos, refrigerado a sódio, com potência térmica estimada em cerca de 150 MW. O tema tem relevância para o Brasil, que segue avançando com o projeto do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), coordenado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). De acordo com a comissão, o RMB será destinado à produção de radioisótopos para aplicações médicas e industriais, além de pesquisas com combustíveis e materiais nucleares, estudos com feixes de nêutrons, análises laboratoriais, capacitação profissional e treinamento de equipes para operação e manutenção de reatores de potência.

O debate internacional em torno do MBIR ocorre em um cenário no qual diversos países procuram ampliar o acesso a infraestruturas científicas capazes de impulsionar pesquisas em materiais avançados, radioisótopos, novos combustíveis, pequenos reatores modulares e sistemas nucleares de quarta geração.

Durante o encontro, foram apresentadas demandas específicas de pesquisa relacionadas ao MBIR. Instituições como o Instituto de Pesquisa Nuclear de Dalat, no Vietnã, e o Instituto de Física de Plasma da Academia Chinesa de Ciências expuseram estudos ligados à ciência dos materiais, física de reatores e fusão termonuclear controlada. Segundo a Rosatom, o fluxo e a densidade de nêutrons projetados para o MBIR foram desenvolvidos para atender experimentos de elevada complexidade.

“Instalações científicas únicas, capazes de responder aos desafios energéticos do futuro, são prioridade para programas nacionais de pesquisa. Poucos países conseguem conduzir experimentos desse nível, e ainda menos conseguem construir essas instalações”, afirmou Stepan Kalmykov, presidente do Conselho Consultivo do IRC MBIR, vice-presidente da Academia Russa de Ciências e diretor científico do Departamento de Química da Universidade Estatal de Moscou.

Ilustração mostra como será o MBIR quando estiver concluído

Conforme Vladimir Novikov, diretor científico do Instituto Bochvar, o MBIR poderá diminuir de forma relevante o tempo e os recursos necessários para estudar propriedades de revestimentos, componentes de núcleo e materiais estruturais. “Os dados obtidos se aplicam a uma ampla gama de tecnologias modernas, de reatores de alta temperatura refrigerados a gás e pequenos reatores modulares à fusão termonuclear”, declarou.

Um dos encaminhamentos da reunião foi a proposta de integrar as capacidades de pesquisa de duas instalações científicas: o reator PIK, de alto fluxo, localizado em Gatchina, e o MBIR, em Dimitrovgrad. A combinação de diferentes espectros de nêutrons, equipamentos e métodos de pesquisa poderá gerar sinergias para enfrentar desafios científicos tanto aplicados quanto fundamentais.

O Centro Internacional de Pesquisa baseado no MBIR opera em formato de consórcio internacional e permanece aberto à entrada de novos integrantes. Segundo a Rosatom, os participantes têm acesso mais rápido à realização de experimentos voltados aos programas nacionais de uso pacífico da energia nuclear. Para países como o Brasil, que buscam desenvolver infraestrutura própria de pesquisa nuclear, a cooperação internacional amplia o intercâmbio de conhecimento e fortalece a formação de especialistas, os testes de materiais e o desenvolvimento de aplicações nas áreas de saúde, indústria, energia e meio ambiente.

REATOR BRASILEIRO

Ilustração do RMB

No caso brasileiro, a agenda de reatores de pesquisa está ligada à busca por autonomia na produção de radioisótopos utilizados na detecção e no tratamento do câncer e de outras enfermidades. O RMB foi planejado para viabilizar a produção nacional desses materiais, reduzindo a dependência externa e ampliando a capacidade de atendimento em exames e tratamentos médicos.

As obras de infraestrutura do RMB tiveram início em fevereiro de 2025, com previsão de conclusão dessa etapa no primeiro semestre de 2026. Já a fase de construção civil deve ser finalizada em 2030. Segundo a CNEN, o empreendimento terá capacidade de produzir os radioisótopos de reatores de pesquisa necessários ao país, com impacto esperado sobre a medicina nuclear e o atendimento à população.

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