LÍDERES DA INDÚSTRIA QUÍMICA BRASILEIRA SE REÚNEM NO RIO GRANDE DO SUL PARA DEBATER AS ALTERNATIVAS PARA MELHORAR O SETOR
A indústria química gaúcha reuniu representantes do setor produtivo, autoridades públicas, empresários e lideranças institucionais no Fórum Indústria Química RS, realizado no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre (RS), debatendo competitividade, inovação e desenvolvimento do Brasil. Promovido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), em parceria com o Sindicato das Indústrias Químicas do RS (Sindiquim RS) e o Comitê de Fomento Industrial do Polo RS (Cofip), o encontro debateu os desafios e oportunidades para o fortalecimento da indústria química gaúcha e nacional em um cenário marcado por tensões geopolíticas, aumento da competitividade internacional e necessidade de fortalecimento da produção local.
As lideranças do setor destacaram a importância de políticas industriais consistentes, da inovação e da articulação entre iniciativa privada e poder público para ampliar a
competitividade da cadeia química brasileira, considerada estratégica para o desenvolvimento econômico e para a soberania nacional. O presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro(foto a direita), ressaltou o papel da indústria química como base para diferentes cadeias produtivas e destacou a necessidade de fortalecimento da produção nacional diante do avanço das importações e das transformações do
cenário global. “Nosso propósito de trabalho é aumentar a soberania nacional de uma cadeia produtiva que é fundamental para o desenvolvimento do País, principalmente em frentes como as importações de resinas estrangeiras que impactam a nossa competitividade. Com as implementações do REIQ e do Presiq estamos caminhando na direção de uma nova indústria, mais competitiva, tecnológica e sustentável.”
Durante o painel sobre o futuro da indústria química no Rio Grande do Sul, ele também destacou diferenciais competitivos da indústria química brasileira, como a menor pegada de carbono em comparação aos principais mercados internacionais, o alto valor agregado dos produtos e a capacidade histórica de abastecimento mesmo em cenários adversos. O debate também abordou os impactos das importações sobre a indústria nacional e a necessidade de preparação estrutural do setor. Para o presidente do Sindiquim RS, Maurício Ecker Fontana(foto a esquerda), o Brasil precisa fortalecer sua capacidade produtiva e investir em qualificação profissional para enfrentar a concorrência internacional. “Temos de fazer o dever de casa, como o fez a China de forma muito bem-feita e que hoje é referência número um em insumos químicos. Certamente, no ritmo que vai, será também competitiva em
produtos pré-elaborados e acabados”, alertou.
Representando o Cofip RS, o diretor administrativo Sidnei Anjos(direita) defendeu maior integração entre os diferentes atores envolvidos no desenvolvimento da indústria química brasileira. “Os interesses de todas as partes devem vir para a mesa para aí sim fazermos um plano de médio e longo prazo no qual o Estado, em seu sentido mais amplo, precisa vir com investimentos para colher retorno positivo lá na frente.” A relevância estratégica do Polo Petroquímico de Triunfo para o fortalecimento da indústria química nacional também esteve entre os temas centrais do encontro.
Ao apresentar os impactos do REIQ e do Presiq no Rio Grande do Sul, o engenheiro químico e diretor da MaxiQuim, João Luiz Zuñeda(foto a esquerda), destacou a capacidade de inovação e a infraestrutura diferenciada do complexo gaúcho. “A indústria química está no centro da estratégia de desenvolvimento da indústria brasileira como um todo e está pronta para voltar a crescer. O Polo Petroquímico de Triunfo não gera apenas matéria-prima, gera inovação e conhecimento, com profissionais extremamente qualificados. Trata-se de um complexo de dar inveja ao mundo, com logística integrada internacional, de valor único.” Zuñeda também abordou um dos principais desafios estruturais para a competitividade da indústria no Sul do País: a viabilização do projeto de importação de gás natural via Uruguaiana, conectando o Brasil ao polo energético de Vaca Muerta, na Argentina. Segundo ele, a iniciativa pode representar um divisor de águas para a segurança energética, a competitividade industrial e o desenvolvimento regional.
Entre os principais benefícios apontados estão a diversificação das fontes de suprimento energético, a redução da dependência de combustíveis líquidos, a atração de investimentos, a geração de empregos e o fortalecimento da cadeia petroquímica brasileira a partir de um feedstock mais competitivo. O projeto também é visto como estratégico para posicionar o Brasil no centro de um corredor energético regional, ampliando sinergias econômicas e oportunidades de exportação. Zuñeda ressaltou, contudo, que a concretização do projeto exige coordenação entre os diferentes agentes envolvidos, incluindo alinhamento regulatório, segurança jurídica, financiamento competitivo e investimentos em infraestrutura.
Representantes do poder público também reforçaram a importância do setor para o desenvolvimento econômico do País. O deputado federal Afonso Motta, presidente da
Frente Parlamentar da Química no Congresso Nacional e autor do Presiq, destacou a construção de uma agenda de longo prazo para garantir competitividade à indústria. “REIQ e Presiq foram pensados de forma a garantir maior competitividade para o setor, pelo menos até 2031. Foram projetos aprovados quase que por unanimidade, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, o que demonstra como a indústria química não é apenas importante para a economia, para os empregos, mas é fundamental para a vida das pessoas e para o desenvolvimento nacional.”
No Rio Grande do Sul, a indústria química representa 9,5% da transformação industrial, sendo a segunda maior participação entre os estados brasileiros, atrás apenas de São Paulo. O estado também ocupa a posição de segundo maior exportador de produtos químicos do País: em 2025, as exportações do setor totalizaram US$ 1,4 bilhão, equivalente a 11% das exportações nacionais da indústria química. No mesmo período, a indústria química gaúcha gerou cerca de 18,9 mil empregos formais, concentrados principalmente nos municípios de Rio Grande, Triunfo e Porto Alegre, que
juntos responderam por 37,1% dos postos de trabalho do setor. A fabricação de fertilizantes, resinas e petroquímicos básicos está entre as principais atividades responsáveis pela geração de empregos e pela dinâmica econômica do segmento, com forte presença em complexos industriais como o Polo Petroquímico de Triunfo.
André Passos Cordeiro, reforçou a importância da construção conjunta entre indústria, governos e sociedade para enfrentar os desafios do setor e garantir a competitividade da indústria química brasileira no longo prazo. Ao destacar o conceito de “A química que nos une”, Passos ressaltou que a articulação institucional e o aprofundamento do diálogo entre os diferentes atores públicos e privados serão fundamentais para ampliar investimentos, fortalecer a produção nacional e assegurar a relevância estratégica da indústria química para o desenvolvimento sustentável do País. O evento contou ainda com a presença do prefeito de Triunfo, Marcelo Essvein; do diretor industrial da Braskem no RS e presidente do Conselho do Cofip RS, Nelzo da Silva(foto a esquerda); do presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), José de Ribamar Oliveira Filho; e da diretora da Fiergs, Vick Martinez, representando a entidade.

publicada em 19 de maio de 2026 às 15:00 




