NAO DELETAR
HMFLOW

IRÃ INSISTE EM QUERER FICAR COM OS 450 QUILOS DE URÂNIO ENRIQUECIDO E VOLTA A SE TORNAR ALVO DE ATAQUES MILITARES

Pelo andar da carruagem, os Estados Unidos, Israel e Irã ainda vão gastar muita munição antes que o conflito entre eles acabe. De um lado, existe uma máxima do presidente Donald Trump, que dificilmente ele irá se afastar: “ O Irã nunca terá uma arma nuclear”. De outro, a palavra do atual Aiatolá sanguinário iraniano Mojtaba Khamenei, dizendo que os 450 quilos do urânio enriquecido, enterrados nas montanhas em Natanz e Isfahan, ficarão no Irã. Esta determinação de Khamenei  frustra ainda mais o presidente dos EUA e complicar as negociações para o fim da guerra. O Líder Supremo do Irã emitiu uma diretiva proibindo o envio de urânio enriquecido, próximo ao grau de pureza necessário para armas nucleares, para o exterior, endurecendo a posição de Teerã em relação a uma das principais exigências dos EUA nas negociações de paz. Com isso, o barril do Brent continuou a se manter em três dígitos, valendo US$ 108,34 para entrega em junho.

Autoridades israelenses disseram que Trump garantiu a Israel que o estoque de urânio altamente enriquecido do Irã, necessário para a fabricação de uma arma atômica,

Urânio enriquecido, mas enterrado pelas bombas americanas

será retirado do país e que qualquer acordo de paz deve incluir uma cláusula sobre isso. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu(esquerda) afirmou que não considerará a guerra encerrada até que o urânio enriquecido seja removido do Irã, Teerã cesse seu apoio a milícias aliadas e suas capacidades de mísseis balísticos sejam eliminadas. “A diretriz do Líder Supremo, e o consenso dentro do governo, é que o estoque de urânio enriquecido não deve sair do país”, disse uma das duas fontes iranianas. As principais autoridades iranianas acreditam que enviar o material para o exterior tornaria o país mais vulnerável a futuros ataques dos Estados Unidos e de Israel. Khamenei, mesmo bastante ferido, parece ainda ter a palavra final sobre os assuntos de Estado mais importantes.

Um cessar-fogo instável está em vigor na guerra que começou com ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, após os quais o Irã disparou contra os países do Golfo que abrigam bases militares americanas e confrontos eclodiram entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano. No dia 10 de abril,  os Estados Unidos aproveitaram o cessar fogo e impuseram um bloqueio naval na confluência do Estreito de Ormuz e o Mar da Arábia. Nenhuma embarcação chega ou parte dos portos iranianos, que sofre com prejuízos diários em torno de US$ 450 milhões. O país está destroçado, sem dinheiro,  sem abastecimento e ainda podendo vender, mas não conseguindo entregar.

O Irã e a liderança no comando do país, seja lá quem for, não expressa um sentimento de derrota, embora se saiba de todas essas fraquezas. Querem demonstrar o que não são mais. Suas capacidades militares foram destruídas e a tática americana é faze-los sangrar economicamente. Mesmo assim, os iranianos não querem capitular. Na verdade, parecem satisfeitos em dominarem o tráfego pelo Estreito de Ormuz, mas não levam nenhuma vantagem sobre isso. Para os Estados Unidos isso muda pouco, porque não dependem do mercado do oriente médio para ter petróleo. Pelo contrário. O Texas e o Alaska passaram a vender mais. China, Japão, Coréia do Sul, Índia e alguns países europeus são os mais prejudicados, porque também compram petróleo de países que dependem da liberação de Ormuz, para enviar a produção para os clientes, principalmente a Arábia Saudita, os Emirados Árabes, o Catar e até mesmo Omã, que tem portos já fora de Ormuz.

O  Paquistão, que faz fronteira no sul do Irã, tenta negociar a paz, mas avançou muito pouco. Os iranianos, desconfiados, acreditam que a pausa nas hostilidades fosse uma manobra tática de Washington para criar uma sensação de segurança antes de retomar os ataques aéreos. O principal negociador de paz do Irã, Mohammad-Baqher Ghalibaf, disse que “movimentos óbvios e ocultos do inimigo” mostravam que os americanos estavam preparando novos ataques. Trump afirmou que os EUA estavam prontos para prosseguir com novos ataques a Teerã caso o Irã não concordasse com um acordo de paz, mas sugeriu que Washington poderia esperar alguns dias para “obter as respostas certas”. Na verdade, o tempo serve mais para que o esmagamento econômico seja ainda mais forte.

As duas partes começaram a reduzir algumas divergências, mas ainda existem divisões mais profundas sobre o programa nuclear iraniano, incluindo o destino de seus estoques de urânio enriquecido e a exigência de Teerã de reconhecimento de seu direito ao enriquecimento. Autoridades iranianas têm afirmado repetidamente que a prioridade de Teerã é garantir um fim permanente à guerra e obter garantias credíveis de que os EUA e Israel não lançarão novos ataques. Eles afirmaram que somente após a obtenção dessas garantias, o Irã estaria preparado para iniciar negociações detalhadas sobre seu programa nuclear. Teerã nega há muito tempo buscar desenvolver uma bomba nuclear, o que os americanos e israelenses, não acreditam. Autoridades israelenses disseram  que ainda não está claro se Trump decidirá atacar e se dará sinal verde para Israel retomar as operações. Teerã prometeu uma resposta esmagadora caso seja atacado.

A AIEA estima que o Irã possuía 450 kg de urânio enriquecido a 60% quando Israel e os EUA atacaram as instalações nucleares iranianas em junho de 2025. Não se sabe ao certo quanto desse material sobreviveu. O diretor-geral da agência, Rafael Grossi(direita), afirmou em março que o que restava desse estoque estava armazenado “principalmente” em um complexo de túneis nas instalações nucleares de Isfahan, e que a agência acreditava que pouco mais de 200 kg estivessem lá. A AIEA também acredita que parte do material esteja no extenso complexo nuclear de Natanz, onde o Irã possuía duas usinas de enriquecimento. O Irã afirma que uma certa quantidade de urânio altamente enriquecido é necessária para fins médicos e para um reator de pesquisa em Teerã, que funciona com quantidades relativamente pequenas de urânio enriquecido a cerca de 20%.

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários