MERCADO VIVE APREENSÃO DIANTE DE IMPASSE DA GUERRA E AMEAÇA SEM PRECEDENTES PARA SUPRIMENTO DE ENERGIA
A indefinição sobre o futuro da guerra no Oriente Médio e as negociações arrastadas entre Estados Unidos e Irã podem jogar o mercado internacional em mares jamais navegados. Diferentes agentes do setor estão alertando que os efeitos do confronto tendem a ser amplificados a depender dos próximos episódios do confronto no Irã. Para o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, o mercado global de petróleo pode ingressar em uma “zona vermelha” entre julho e agosto, tendo em vista o pico sazonal de demanda no verão do Hemisfério Norte, a interrupção das exportações do Oriente Médio e a redução dos estoques globais. Já a Wood Mackenzie avalia que um fechamento prolongado do Estreito de Hormuz representa a maior ameaça aos mercados globais de energia em décadas.
Atualmente, mais de 11 milhões de barris por dia de produção de petróleo e condensado do Golfo estão interrompidos. Além disso, mais de 80 milhões de toneladas por ano de oferta de GNL — cerca de 20% do suprimento global — permanecem inacessíveis aos mercados internacionais.
No relatório “Strait Talking: Iran War Scenarios and the Future of Energy“, a Wood Mackenzie apresenta três cenários distintos: Quick Peace, Summer Settlement e Extended Disruption. Cada um projeta diferentes prazos para o fim do conflito e reabertura do estreito, avaliando impactos potenciais sobre oferta de petróleo e gás, preços, demanda energética e economia global.
No cenário mais otimista, chamado Quick Peace, um acordo viável de paz é alcançado no curto prazo e o estreito é reaberto até junho. A economia global voltaria amplamente à trajetória anterior ao conflito até o quarto trimestre de 2026.
O cenário Summer Settlement considera que o cessar-fogo se mantém, mas as negociações se estendem até o fim do verão no hemisfério norte, mantendo o Estreito de Hormuz amplamente fechado até setembro. As restrições na oferta de petróleo e GNL persistiriam ao longo do terceiro trimestre de 2026, provocando uma recessão global moderada no segundo semestre do ano.
No cenário mais severo, denominado Extended Disruption, o estreito permaneceria praticamente fechado até o fim de 2026, com tensões recorrentes provocando novos episódios de conflito e interrupções contínuas na oferta. Os preços do Brent poderiam se aproximar de US$ 200 por barril até o fim de 2026, mesmo com a demanda global por petróleo caindo 6 milhões de barris por dia no segundo semestre do ano. Mais de 11 milhões de barris por dia de produção de petróleo e condensado permaneceriam interrompidos, enquanto os estoques globais continuariam em queda. Os preços do diesel e do querosene de aviação poderiam atingir US$ 300 por barril nos principais polos de refino até o fim do ano.
O impacto econômico regional seria severo e desigual. O Oriente Médio poderia registrar contração de 10,7% no PIB em 2026, enquanto o PIB da União Europeia cairia 1,5% em 2026 e 0,5% em 2027. Nos Estados Unidos, o crescimento econômico ficaria abaixo de 1% em ambos os anos, enquanto a expansão da economia chinesa desaceleraria para 3% em 2026.
“A perspectiva de longo prazo aponta para preços estruturalmente mais baixos do petróleo em comparação ao cenário-base anterior ao conflito, caso países importadores acelerem esforços para reduzir dependência do petróleo”, afirmou Alan Gelder (foto principal), vice-presidente sênior de refino, químicos e mercados de petróleo da Wood Mackenzie.
ZONA VERMELHA
Enquanto isso, durante um evento em Londres, o diretor executivo da AIE, Fatih Birol, alertou que o mercado energético global pode entrar em uma “zona vermelha” entre julho e agosto caso não haja melhora na crise provocada pela guerra envolvendo o Irã e pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz. Segundo ele, mais de 14 milhões de barris por dia de oferta de petróleo foram retirados do mercado no Oriente Médio, configurando “a maior crise energética da história”.
Birol afirmou que o excedente global de petróleo existente antes do conflito, aliado à liberação coordenada de 400 milhões de barris das reservas estratégicas da IEA e ao uso de estoques comerciais, ajudou a amortecer o choque inicial sobre os mercados. Ainda assim, ressaltou que essas medidas “não são solução para o problema” e defendeu que “a solução mais importante é a reabertura total e incondicional do Estreito de Ormuz”.

publicada em 22 de maio de 2026 às 5:00 




