IRÃ QUER DÓLARES CONGELADOS PELO CATAR LIBERADOS E COBRAR TAXAS POR ORMUZ. TRUMP QUER PAÍSES ÁRABES JUNTOS ASSINANDO ACORDO DE PAZ
O presidente dos EUA, Donald Trump, solicitou “obrigatoriamente” que todos os países envolvidos nas negociações com o Irã assinem os “Acordos de Abraão”. “Com uma cópia desta VERDADE, peço aos meus representantes que iniciem e concluam com sucesso o processo de adesão destes países aos já históricos Acordos de Abraaão.” publicou Trump em sua conta Truth Social nesta segunda-feira (25). O pedido foi dirigido à Arábia Saudita, ao Catar, à Turquia e ao Paquistão, observando que os outros países envolvidos já eram signatários dos acordos. “Deveria ser obrigatório que todos esses países, no mínimo, assinassem simultaneamente os Acordos de Abraão.” O presidente disse ainda que “Pode ser que um ou dois tenham um motivo para não o fazer, mas a maioria deve estar pronta, disposta e apta a fazer deste Acordo com o Irã um evento muito mais histórico do que seria de outra forma.” O presidente Trump observou ainda que a adesão do Irã aos acordos seria uma “honra”, sentimento compartilhado pelos países envolvidos nas negociações. “Eles ficariam honrados, assim que nosso documento for assinado, em ter a República Islâmica do Irã como parte dos Acordos de Abraão”, disse Trump. “Uau, isso seria algo especial!” O presidente disse que as negociações com o Irã estão “indo bem”, descrevendo as conversas como um “quebra-cabeça complexo”. Ele enfatizou que os Estados Unidos conseguiriam “um ótimo acordo ou nenhum acordo”, caso em que os EUA “voltariam para a linha de frente e para os combates, mas maiores e mais fortes do que nunca”.
As negociações para o fim da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã prosseguem, com muitas informações pelo caminho. De um lado, os americanos firmes no propósito de arma nuclear zero para o Irã. Pelo que diz Donald Trump, os iranianos não terão mais acesso para produzir urânio enriquecido ou ficar de posse dos 450 quilos já enriquecidos que estão enterrados nas montanhas de Isfahan. Os Estados Unidos mantem congelados US$ 25 bilhões do dinheiro iraniano e os iranianos exige acesso a US$ 12 bilhões em ativos congelados no Catar como condição prévia para avançar nas negociações, segundo informações da Iran International. Esse pode ser o único obstáculo imediato para o avanço das negociações sobre o potencial Memorando de Entendimento entre os dois países. A agência estatal de notícias iraniana afirmou que os Estados Unidos concordaram em liberar US$ 6 bilhões em fundos iranianos congelados e mantidos pelo Catar. O memorando de entendimento – denominado “Declaração de Islamabad“, que ambas as partes assinariam, daria início a uma prorrogação do cessar-fogo por 60 dias e incluiria a possibilidade de novas negociações e uma prorrogação durante o período de dois meses. Caso o memorando de entendimento seja aprovado pelo Conselho Nacional Supremo do Irã, será enviado a Mojtaba Khamenei para aprovação final.
Um elemento importante do acordo é a reabertura do Estreito de Ormuz. A versão atual do memorando de entendimento especifica que o Estreito seria aberto sem pedágio e que o Irã removeria as minas que havia implantado no local. Em troca, os EUA suspenderiam o bloqueio aos portos iranianos e anulariam algumas sanções impostas, permitindo que o país vendesse petróleo livremente. Questões relacionadas às capacidades nucleares do Irã e ao estoque de urânio enriquecido ainda estariam em grande parte em negociação, embora o memorando de entendimento exigisse que o Irã cessasse qualquer busca por armas nucleares. Segundo a mídia iraniana, o acordo incluiria a suspensão das sanções de Washington ao petróleo iraniano e um compromisso de ambas as partes de não atacarem uma à outra ou seus aliados. Outro ponto abordado no memorando de entendimento é a guerra em curso no Líbano entre Israel e o grupo terrorista Hezbollah. O documento especifica que a guerra terminará.
NA PORTA DO CATAR
O presidente do Banco Central do Irã, Abdolnaser Hemmati (direita), viajou ao Catar, informou a mídia estatal iraniana nesta segunda-feira (25), acrescentando que a visita
ocorre após conversas com uma delegação catariana em Teerã sobre os fundos iranianos congelados. O Irã segue pressionando nas negociações para que seus fundos congelados no exterior, inclusive no Catar, sejam liberados. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, também estão em Doha para se encontrar com o primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani. Autoridades iranianas estão se reunindo com o primeiro-ministro do Catar para discutir os termos de um possível acordo de cessar-fogo com os EUA. As discussões se concentrarão principalmente no Estreito de Ormuz e no estoque de urânio enriquecido do Irã.
O SEGREDO DE KHAMENEI
O líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, está escondido em um local secreto com pouco acesso ao mundo exterior, revelaram autoridades americanas. Segundo informações da inteligência americana, ele só pode ser contatado por meio de uma “rede complexa” de mensageiros, o que causa dificuldades e atrasos nas negociações em andamento entre os EUA e o Irã, disseram as autoridades. Nem mesmo as mais altas autoridades do governo iraniano sabem onde ele está e não conseguem contatá-lo diretamente. A maioria dos líderes iranianos se refugiou em bunkers. A agência Irna, do governo do Irã, acrescentou que a maioria dos líderes iranianos passa semanas a fio dentro de bunkers fortificados, numa tentativa de evitar serem alvejados por ataques israelenses e americanos. “Observá-los tentando descobrir como se comunicar é
quase como assistir a uma sitcom. Eles estão completamente exasperados“, disse um funcionário.
Pouco depois de sua ascensão ao poder, no início de março, a mídia estatal iraniana noticiou que Khamenei havia sido gravemente ferido durante ataques aéreos israelenses e americanos em Teerã, no âmbito das operações Leão Rugidor e Fúria Épica. Em meados de abril, três pessoas próximas ao seu círculo íntimo disseram que Khamenei ainda se recuperava de graves ferimentos no rosto e nas pernas sofridos no ataque aéreo de 28 de fevereiro, que matou seu pai e antecessor, o aiatolá Ali Khamenei. No entanto, as fontes também disseram que Khamenei permanecia “mentalmente lúcido” e continuava a participar em reuniões com altos funcionários através de videoconferência.
PEDÁGIO NAVAL
O Regime islâmico reformula cobranças de pedágio do Ormuz como taxa por ‘serviços de navegação’ Embora o regime tenha reformulado as cobranças como taxas em vez de pedágios, o analista de segurança Roger Macmillan disse que isso continua sendo uma violação do direito internacional. “De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), o Estreito de Ormuz garante o direito de trânsito. Todas as embarcações têm direito a trânsito contínuo, rápido e desimpedido. Os Estados costeiros não podem cobrar por ele, suspendê-lo ou impedi-lo, mesmo quando a hidrovia estiver inteiramente dentro de suas águas territoriais. Independentemente do que conste na fatura, a essência é a mesma. O Irã está tentando monetizar e controlar a passagem por uma hidrovia internacional que não tem o direito legal de administrar dessa forma.”
O regime islâmico afirmou que as embarcações que cruzassem o estreito teriam que pagar taxas por “serviços de navegação“, negando que tais pagamentos fossem
pedágios pela travessia da hidrovia, anunciou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Teerã, Esmaeil Baghaei (direita): “Os serviços prestados, como os serviços de navegação, além das medidas necessárias para proteger o meio ambiente do Estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Mar de Omã, exigem a cobrança de certas taxas”, afirmou o funcionário do regime, insistindo que Teerã “não pretende cobrar pedágio”. Nos termos dos artigos 38 e 44 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), os países vizinhos, Irã e Omã, não podem suspender, impedir ou cobrar taxas de pedágio de embarcações que transitam pelo estreito, embora o Irã não seja signatário da convenção. A convenção também permite que os países cobrem taxas por serviços prestados.
RECEITA DE BILHÕES
O JP Morgan alertou que o Irã poderia arrecadar entre US$ 70 e 90 bilhões em receita anual se fosse autorizado a cobrar pedágio no Estreito de Ormuz, conforme consta em seu 16º relatório anual “Eye on the Market Energy Paper: Fighting Words”, publicado no mês passado. Apontando o dedo para Washington e Jerusalém, a agência de notícias Tasnim informou que Baghaei atribuiu as novas medidas à necessidade de equilibrar as preocupações de segurança do Irã com as da comunidade internacional.
A historiadora militar Lynette Nusbacher (direita) afirmou que, embora a República Islâmica provavelmente esteja tentando usar a
hidrovia para se recuperar dos danos econômicos causados pela guerra, em particular pelo bloqueio dos EUA, ela também está sendo usada para enviar uma mensagem sobre a permanência do regime: “Os iranianos já devem estar falando em flexibilizar suas exigências de reparações se puderem cobrar dos armadores, ou em reduzir a ‘taxa’ para atravessar o Estreito se receberem mais alguns bilhões dos americanos”, previu Nusbacher, referindo-se às negociações em andamento entre Teerã e Washington. Teerã tem tentado cada vez mais reivindicar o controle regulatório sobre o território, tendo publicado na semana passada um mapa que afirma sua reivindicação sobre vias navegáveis que se estendem até as águas territoriais dos Emirados Árabes Unidos e de Omã. Em uma publicação no X, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã definiu sua zona de gestão reivindicada como sendo a que se estende de Kuh-e Mobarak ao sul de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, na entrada leste do estreito, e da extremidade da Ilha de Qeshm até Umm al-Quwain, também nos Emirados Árabes Unidos, na entrada oeste.

publicada em 25 de maio de 2026 às 11:00 





