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MAIOR FORNECEDORA DE GÁS PARA O BRASIL, BOLÍVIA VIVE DIAS DE PROTESTOS E QUEBRA-QUEBRA COMANDADOS POR EVO MORALES

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, comunista corrupto, acusado de desviar milhões quando estava à frente do governo, amigo do presidente Lula e procurado pela justiça americana, está agitando o país, querendo enfraquecer o atual presidente de direita, Rodrigo Paz (foto abaixo, à direita) para  voltar ao poder. No fim de semana, Morales, exigiu que as eleições bolivianas  fossem convocadas dentro de 90 dias como forma de evitar derramamento de sangue no país, abalado por protestos e bloqueios de estradas, pressionando o governo de Rodrigo Paz, que está tomando medidas para tentar reduzir a tensão social. O ex-presidente, foragido da justiça (há um mandado de prisão contra ele por um processo criminal), afirmou que a renúncia de Paz e a formação de um governo de transição são a única garantia de pacificação, em um cenário marcado pela escassez de alimentos, medicamentos e combustível após três semanas de bloqueios de estradas. Durante seu programa de rádio semanal sobre o movimento dos cultivadores de coca Kawsachun Coca, Morales afirmou: “A paz tem dois caminhos: uma decisão suicida, militarização, ou A pacificação, transição, eleição em 90 dias.  Para evitar mortes e ferimentos, a pacificação exige.  A sua renúncia e que um presidente de transição convoque eleições dentro de três meses”

Paz assegurou que faria “todos os esforços” para dialogar, mas afirmou que há um limite para os protestos, que ele atribui à intenção do líder dos produtores de coca de instigar a crise. As autoridades denunciaram perante a Organização dos Estados Americanos (OEA) que essas mobilizações buscam “desestabilizar a ordem democrática”. O Ministro das Obras Públicas, Mauricio Zamora, e o Ministro do Desenvolvimento Produtivo, Rural e Hídrico, Oscar Mario Justiniano, reiteraram o convite ao diálogo, mas também acusaram Morales de fomentar a desestabilização.

Enquanto isso, setores sociais como a Central Operária Boliviana, agricultores das terras altas e apoiadores de Morales continuam com bloqueios e confrontos, exigindo a renúncia do presidente. O Comitê Pró-Santa Cruz, liderado por Stello Cochamanidis, rejeitou a estratégia de diálogo e insistiu na reabertura imediata das rodovias que levam a importantes centros logísticos. A situação nas estradas escalou para violência. Nos últimos 18 dias, as forças de segurança tentam desobstruir uma rodovia nacional, mas foram emboscadas em Copata, no corredor entre La Paz e Oruro. O comboio de soldados e policiais foi atacado com dinamite e impedido de prosseguir. Os bloqueios persistem há mais de três semanas, interrompendo o transporte de alimentos, combustível e suprimentos médicos para La Paz e El Alto. Essa situação elevou a inflação anual para 14%. O governo denunciou a disseminação de “notícias falsas” sobre supostas mortes durante as operações, atribuindo essa campanha a sites sediados fora do país e a interesses que buscam desestabilizar a situação.

Evo Morales é o responsável pelos protestos e quebra-quebra na Bolívia

Dada a gravidade da crise, o Poder Executivo mantém seu apelo ao diálogo. A Administração da Paz convocou líderes camponeses e organizações sociais para uma sessão do Conselho Econômico e Social, agendada para 27 de maio na Casa Grande do Povo (Palácio Presidencial). “Este presidente, juntamente com seus ministros, tomou a decisão, como parte do esforço e do compromisso com o país, de reduzir seu salário em 50%”, disse Paz, durante a comemoração do 217º aniversário da libertação de Sucre, capital constitucional da Bolívia e sede do Poder Judiciário no sul do país. Antes dessa decisão, o presidente boliviano recebia um salário de 24.978 bolivianos (US$ 3.617), e nenhum outro funcionário podia ganhar mais do que o presidente. Com a redução, o salário presidencial será de aproximadamente 12.489 bolivianos (US$ 1.808). Paz mencionou que essa decisão não afetará “outras áreas ou profissionais“, já que a intenção não é prejudicar esses trabalhadores, mas garantir que os melhores permaneçam no serviço público. “A Bolívia tem uma Constituição e vamos garantir que ela seja respeitada. Uma minoria não pode nos governar, uma minoria não pode abusar de nós e faremos cumprir essa Constituição”, enfatizou o presidente. “Não vou dialogar com quem se recusa a dialogar, porque não entende o que é liberdade. Estamos comprometidos com o diálogo há mais de 11 dias e estamos empenhados em alcançar resultados”, acrescentou.

O Exército boliviano pode intervir a qualquer momento, para restabelecer a ordem

Paz confirmou aos setores mobilizados que não implementará uma privatização das empresas bolivianas e que também não haverá aumentos nos custos de eletricidade, educação ou serviços de saúde, como alguns líderes indicaram. O presidente também pediu desculpas por não ter conseguido se reunir antes com as organizações que agora pedem sua renúncia e garantiu que criaria um espaço para que isso acontecesse. Alguns dos grupos que atualmente protestam questionaram inicialmente o nível salarial do presidente e dos parlamentares, sugerindo que reduzissem seus salários pela metade como sinal de proximidade com a população diante da crise econômica que o país atravessa desde 2023. No entanto, essa reivindicação passou para segundo plano e agora as organizações que lideram os protestos e bloqueios de estradas exigem a renúncia do presidente. Paz também anunciou que o Executivo apresentará ao Parlamento, nos próximos dias, o projeto de lei de “anistia fiscal”, que “não é para os ricos”, mas para setores como comerciantes, transportadores e artesãos, entre outros, para que possam reativar a economia.

Para lembrar, a Bolívia tem no Brasil o seu maior mercado de gás. O presidente da YPFB, Sebastián Daroca (esquerda), projeta uma redução de 30% nas exportações em 2026. A estatal boliviana convive com o declínio de suas reservas e prevê exportar, este ano, na média, 9 milhões de m³/dia. Os dados incluem tanto os contratos firmes quanto os volumes exportados na modalidade interruptível, no mercado spot, e fazem parte do relatório de prestação de contas, divulgado pela companhia na semana passada. A transportadora que opera o lado boliviano é o Gasoduto Bolívia-Brasil – Gasbol. A YPFB estima que, com os níveis atuais de reservas provadas, a capacidade de exportação de gás do país se esgotará em 2030. O governo boliviano de Rodrigo Paz,  trabalha na reforma do atual marco legal do setor de óleo e gás e acena com uma redução fiscal  para atrair petroleiras estrangeiras e, assim, aumentar a sua capacidade de investimento em exploração.

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