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PROJETOS DE INDÚSTRIA LIMPA NO BRASIL JÁ SOMAM MAIS DE US$ 300 BILHÕES EM POTENCIAIS INVESTIMENTOS

Um novo relatório da Mission Possible Partnership e do Industrial Transition Accelerator (ITA) mostra que 19 projetos de indústria limpa alcançaram a decisão final de investimento nos últimos seis meses em todo o mundo, mais que o dobro do ritmo observado um ano antes. Juntos, esses empreendimentos somam cerca de US$ 43 bilhões em investimentos. Nesse contexto, o Brasil desponta como um dos mercados mais promissores para a indústria limpa em escala global.

Dados recentes do Global Project Tracker, da Mission Possible Partnership, apontam 34 projetos em desenvolvimento no país, que poderiam mobilizar US$ 306 bilhões em investimentos nos segmentos de combustíveis, produtos químicos e metais de baixo carbono, caso todos alcancem também a decisão final de investimento.

Entre os 34 projetos identificados, três unidades de produção de alumínio já estão em operação. Um projeto de combustível sustentável de aviação (SAF) atingiu a decisão final de investimento. Além disso, foram anunciados 25 projetos de amônia limpa, quatro de metanol limpo e outro empreendimento voltado à produção de SAF. Do total de US$ 306 bilhões previstos, US$ 219 bilhões estão associados à infraestrutura de energia renovável, enquanto US$ 87 bilhões correspondem a ativos industriais.

Os combustíveis limpos figuram entre os segmentos mais ativos da carteira brasileira, reunindo projetos destinados à produção de SAF, metanol e amônia limpa. No cenário internacional, os aportes nesse mercado seguem em expansão. Nos últimos seis meses, quatro unidades de SAF, nove plantas de metanol e três projetos de amônia limpa alcançaram a decisão final de investimento.

A adoção de mandatos pioneiros para o uso de SAF na União Europeia e em países asiáticos tem estimulado novos investimentos ao oferecer maior segurança para contratos de longo prazo e mais previsibilidade de retorno aos investidores. Nesse ambiente, fatores como a disponibilidade de matérias-primas locais, a grande extensão territorial e a experiência do Brasil no setor agropecuário favorecem o país na disputa por uma participação relevante nesse mercado em crescimento.

Ilustração da futura biorrefinaria da Acelen na Bahia

Nesse cenário, a Acelen Renováveis alcançou a decisão final de investimento para sua biorrefinaria de SAF de US$ 1,5 bilhão na Bahia, tornando-se o primeiro projeto brasileiro apoiado pelo ITA a atingir essa etapa decisiva. A unidade utilizará a macaúba, uma oleaginosa nativa do país, como matéria-prima para a produção de combustível sustentável de aviação. A cultura se destaca pela resistência e pela capacidade de crescer em solos de baixa fertilidade, exigindo pouca água e sem competir com culturas alimentares. Essas características fazem da macaúba uma alternativa com menor impacto ambiental, contribuindo para a descarbonização do setor aéreo sem comprometer a biodiversidade, as florestas, a segurança alimentar ou outras prioridades de uso do solo.

Os projetos selecionados pelo ITA recebem apoio dedicado para fortalecer sua atratividade como investimentos, e o FID da Acelen é um exemplo perfeito desse apoio em ação. Para os projetos de SAF no Brasil, o ITA tem trabalhado sobre como melhorar o acesso do bio-SAF brasileiro de alta integridade aos mercados internacionais. Esse acesso ao mercado é vital para garantir os tipos de contratos de compra que a Acelen obteve para conseguir seu financiamento“, disse o líder do ITA no Brasil, Marc Farre Moutinho (foto principal).

PARCERIAS EM BUSCA DE RESILIÊNCIA

O relatório ressalta que acordos comerciais voltados à indústria limpa entre países com competências complementares podem fortalecer a resiliência, a competitividade e o crescimento industrial. Para o Brasil, que reúne abundantes recursos renováveis e uma carteira crescente de projetos, a oportunidade vai além do atendimento ao mercado interno. O país reúne condições para se consolidar como exportador competitivo de commodities industriais de baixo carbono para diferentes mercados internacionais.

Apesar do avanço observado, o relatório alerta que a aceleração desse movimento não é automática. Entre as prioridades apontadas para transformar o atual momento em uma mudança industrial mais ampla e duradoura estão a criação de mercados mais robustos para produtos limpos, o desenvolvimento de parcerias comerciais que conectem regiões com energia limpa e de baixo custo aos grandes centros de demanda industrial e a mobilização de capital público e privado para reduzir os riscos associados aos investimentos em projetos pioneiros.

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