O IRÃ JÁ ESTÁ SEM CONDIÇÕES DE ARMAZENAR O PETRÓLEO QUE PRODUZ E VIVE UM DILEMA: PERDER SEUS POÇOS OU CRIAR UM DESASTRE AMBIENTAL
O petróleo iraniano, está jorrando no Irã na Ilha de Kharg, que já não reúne a capacidade de armazená-lo. É mais uma fonte de prejuízo. Hoje, está fazendo exatos dois meses desde o bloqueio naval militar dos Estados Unidos em frente a saída do Estreito de Ormuz, no Mar da Arábia, em frente a costa de Omã. Os portos iranianos estão inacessíveis desde o dia 10 de abril. Quem está dentro não sai, quem está fora não entra. Isto significa que os iranianos não exportaram uma gota de petróleo para quem quer que fosse e que não recebe nenhum tipo de carga, seja alimentos, fertilizantes, aço, produtos químicos, remédios ou qualquer outro tipo de produto. A inflação disparou, os soldados não recebem salários, há pouco dinheiro circulando e os protestos voltaram a tomar corpo, a começar por jovens estudantes que parecem destemidos contra a violência da repressão da teocracia imposta por Aiatolás sanguinários.
O petróleo está jorrando, se perdendo, esperando uma decisão da cúpula do governo, que ainda luta com os problemas da falta de comunicação interna. Se parar a
produção, corre o risco de perder os poços. Se não parar, perde a produção e ainda cria um problema ambiental sem precedentes. A produção dos iranianos é gigantesca e sem condições de armazenar ou vender, a situação se transforma em crítica. Um caos verdadeiro. A produção diária chegou a ser registrada em 2.854.000 barris. Este registro revela uma queda com relação aos números anteriores de 3.065.000 dia, em março deste ano. Os dados da produção do Irã são atualizados por mês. O recorde é de 3.987.000 barris por dia no segundo semestre de 2025. Os dados de Petróleo do Irã permanecem com status ativo na CEIC e são reportados pela fonte: Organization of the Petroleum Exporting Countries. Eles são classificados sob o World Trend Plus’ Association: Energy Sector – Table RB.OPEC.CO; Crude Oil Production: OPEP Members:
O Petronotícias ouviu o ex-diretor da Petrobrás, Guilherme Estrela, conhecido como “Pai do Pré-sal” brasileiro, um ultra especialista no assunto. Ele disse que “Certamente, não exportar petróleo é um problema para o Irã. Mas foi o próprio Irã que fechou o Estreito de Ormuz. Logo, deduz-se que estavam preparados para isso e que o que o problema enfrentado seria pelos destinatários seria politicamente mais impactante. E, por conta disso, pressionariam os Estados Unidos e Israel para interromperem a agressão, ainda que perdesse volumosos recursos financeiros.” Estrela lembra que “Não tenho dados sobre quais países e respectivos volumes de petróleo importados do Irã estariam envolvidos.
Este seria realmente um grande problema que enfrentariam, diretamente ligado às suas respectivas produções indústrias e todas as outras atividades, pela falta de energia decorrente da interrupção do fornecimento do petróleo iraniano. E parece que isto é um fato, diante do esforço norte-americano para reabrir o Estreito. O ex-diretor da Petrobrás, super respeitado por seus pares, conclui dizendo que “Tecnicamente, a interrupção de produção de um campo petróleo pode criar problemas na dinâmica dos reservatórios e eventualmente prejudicar a retomada imediata de suas condições normais de produção. Mas certamente esta possibilidade foi levada em conta na decisão de fechar o Estreito de Ormuz. É o que eu posso contribuir, de longe, diante das informações que o resto do mundo recebe diariamente pela imprensa”.
BLOQUEIO PERMANECERÁ
O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que o bloqueio naval contra o Irã permanecerá em vigor, enquanto os bombardeios mútuos com Israel continuarão afetando recentemente o Líbano e o território iraniano, além da falta de um acordo. Que tipo de fôlego os iranianos ainda tem, não se sabe. O governo da ditadura só está servindo mesmo para manter o nível de incertezas, tentar recuperar os bilhões de dólares que enriqueceram contas fantasmas no Catar e nos Emirados Árabes, segundo as inteligência de Israel e dos Estados Unidos. As tensões regionais aumentaram após o bombardeio. A respeito disso, ele escreveu em sua plataforma Truth Social: “O bloqueio permanecerá em vigor, com toda a sua força e efeito, até
que um acordo final seja alcançado. As coisas devem se mover rapidamente“, afirmando que tanto o Irã quanto Israel buscam a cessação das hostilidades. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, culpou Washington pela escalada das tensões militares, classificando a política da Casa Branca como inconsistente e uma violação do direito internacional. Em matéria de segurança nacional, o diplomata alertou que a nação persa defenderá sua soberania e não permitirá que a trégua atual seja usada para intensificar os ataques imperialistas.

publicada em 10 de junho de 2026 às 13:00 




