PREÇO DO BARRIL DO PETRÓLEO BRENT DESABA DEPOIS QUE TRUMP ANUNCIA ACORDO E DIZ QUE ACABOU A GUERRA CONTRA O IRÃ
O presidente Donald Trump afirmou que a guerra contra o Irã acabou e que o acordo com os iranianos foi aprovado por todas as partes envolvidas, incluindo Israel, e mandou cancelar os ataques que estavam sendo previstos para destruir as centrais de geração de energia do país. O memorando de entendimento estenderia o cessar-fogo por 60 dias, inclusive no Líbano, período durante o qual seriam realizadas negociações nucleares. O acordo, também conhecido como memorando de entendimento (MOU), foi aprovado “tanto em conceito quanto em detalhes” por todas as partes envolvidas, incluindo os EUA, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e vários outros países do Oriente Médio, escreveu Trump. Com esta notícia, o barril do Brent despencou para US$ 88,74 para entrega em julho.
O memorando de entendimento estende o cessar-fogo por 60 dias, inclusive no Líbano, período durante o qual seriam
realizadas negociações nucleares, segundo reportagem da Axios. O texto inclui, supostamente, uma estrutura para lidar com o estoque de urânio enriquecido do Irã. O bloqueio permanecerá em vigor até que o acordo seja finalizado, disse Trump, acrescentando que uma operação militar contra a ilha iraniana de Kharg está descartada por enquanto. Não foi divulgada uma data para a assinatura, mas Trump disse que ela poderia acontecer neste fim de semana na Europa, com a presença do vice-presidente dos EUA, JD Vance.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conversou com Trump na noite de quinta-feira (11), conforme confirmado por Trump, que teria pego Netanyahu de surpresa, segundo um informe da CNN. No entanto, o gabinete do primeiro-ministro afirmou que Netanyahu expressou o seu apreço pelo compromisso de Trump com o acordo de cessar-fogo com o Irã, que “incluirá a remoção de material nuclear enriquecido, o desmantelamento da infraestrutura de enriquecimento, limites à produção de mísseis e o fim do apoio do Irã a seus grupos terroristas na região”. Israel não faz parte do memorando de entendimento dos EUA com o Irã.
AGÊNCIA DE NOTICIAS DO IRÃ DESCONFIA
A agência de notícias Tasnim, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), escreveu que Trump anunciou um acordo iminente 38 vezes nos últimos dois meses e que, até que o Irã anuncie um acordo, qualquer declaração de Trump deve ser considerada da mesma forma que as anteriores. A agência de notícias iraniana Fars citou uma fonte dizendo que o Irã ainda não havia concordado com nenhum memorando de entendimento com os EUA. No entanto, em seguida, escreveu que existe uma alta probabilidade de a liderança iraniana aprovar o acordo.
O emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani (esquerda), e o presidente dos EUA, Donald Trump, realizaram uma conversa telefônica na qual analisaram os resultados das consultas entre EUA e Irã, que levaram a avanços nos entendimentos propostos no
âmbito de uma via de negociação, informou o Gabinete Emir do Catar. Trump disse ao emir que os esforços para concluir os procedimentos finais antes de anunciar os preparativos para a assinatura de um acordo estavam em andamento.
Ele disse que as principais divergências entre as propostas dos EUA e do Irã foram sanadas. As negociações entre os EUA e o Irã avançaram na noite de quarta-feira, com o enviado do Catar, Ali Al-Thawadi, e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi(direita), trabalhando para resolver três questões-chave que impediam propostas anteriores. De acordo com uma reportagem da Agêncio Axios, de ontem à noite, as questões abordadas incluíam o mecanismo para a liberação de ativos iranianos congelados, que era a principal preocupação dos iranianos. São mais de US$ 24 bilhões congelados pelos Emirados Árabes Unidos.
A ESPERA DE KHAMENEI
Autoridades iranianas informaram a vários países que, embora um acordo tenha sido aprovado em princípio, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, ainda não havia dado a aprovação final. Trump afirmou acreditar que Khamenei já havia aprovado um acordo com os EUA que desencadearia a abertura do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio americano aos portos iranianos. O presidente descreveu o acordo como “um memorando de entendimento muito sólido”, acrescentando que era “um pouco conceitual, mas é algo que vai ser concretizado”. Apenas a neutralização do urânio enriquecido a 60% e um congelamento do enriquecimento por um período de 15 a 20 anos foram discutidos.
Segundo Trump, “o Irã demonstrou grande entusiasmo em concretizar o acordo de cessar-fogo“. O presidente americano voltou a dizer que que o Irã “não tinha marinha, força aérea ou armas de detecção. Eles não tinham nada, e por isso não havia nada que pudessem fazer a respeito. Ganhamos essa guerra militarmente muito cedo. O Irã poderia ter hasteado a bandeira branca da rendição e as notícias falsas diriam que eles se saíram
maravilhosamente bem, mas eles não se saíram maravilhosamente bem. É um ótimo acordo. Sabe por que é um ótimo acordo? Porque eles nunca terão uma arma nuclear.”
Em relação ao Estreito de Ormuz, Trump afirmou que ele será “aberto imediatamente, talvez no sábado ou na segunda-feira. Vocês simplesmente não sabiam disso porque a informação não foi divulgada aos jornalistas”, acrescentando que muitos navios americanos e centenas de milhões de barris de petróleo cruzaram o estreito. “Nós vamos para as guerras e sempre acabamos abençoando muita gente“, referindo-se à intervenção americana na Venezuela, bem como à guerra no Irã.
UM IRÃ SEM SAÍDA
O Irã não parece ter saída. Os dois últimos ataques americanos foram devastadores e acabaram por convencer as autoridades iranianas que é preciso buscar o acordo. Acabou o tempo das bravatas. Os próximos passos militares seria destruir as fontes de energia do país e assumir militarmente a Ilha de Kharg, coração da produção de petróleo iraniano, que, segundo as últimas informações, foram paralisadas por não ter mais condições de armazenamento. O país está em frangalhos, com a repressão aumentando ainda mais, assim como as manifestações de protestos. Mesmo assim, apesar de tudo isso, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirma que o Irã ainda não tomou uma decisão final. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, segundo a agência de notícias iraniana IRNA, disse que “O Irã não abrirá mão de suas linhas vermelhas nas negociações.” Baghaei afirmou que as informações sobre a data e o local da assinatura do acordo ainda eram especulativas e que nada havia sido finalizado. Ele acrescentou que grande parte do texto de negociação já havia sido concluída, mas que os EUA mudaram repetidamente de posição durante as conversas.
LÍBANO ESÁ DENTRO DO ACORDO HEZBOLLAH, FORA
Líderes do sul da Ásia e do Golfo Pérsico se mobilizaram para impedir que Trump atacasse o Irã. Eles telefonaram para o presidente pedindo que ele cancelasse os
ataques contra o Irã, depois que Trump publicou no Truth Social uma mensagem sobre seu ataque planejado. Os telefonemas partiram do emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, e do chefe da defesa do Paquistão, Asim Munir, que asseguraram a Trump que um acordo preliminar, que abriria caminho para negociações mais detalhadas, estava próximo. Trump afirma que um acordo foi alcançado e a guerra tinha acabado. “Não sei se vocês ouviram, mas hoje terminamos a guerra com o Irã, e eles concordaram que nunca terão uma arma nuclear.”
A mídia iraniana afirma que o acordo incluirá o Líbano, enquanto as Forças de Defesa de Israel atacam centenas de instalações do Hezbollah. Um acordo de cessar-fogo encerraria os combates no Líbano, reabriria o Canal de Ormuz e liberaria bilhões para o Irã, segundo reportagem. De acordo com a agência Mehr, o programa de mísseis balísticos do Irã, assim como seu apoio a grupos aliados no Oriente Médio, como o Hezbollah, não serão incluídos nas negociações. O acordo de cessar-fogo completo entre os Estados Unidos e o Irã incluirá o fim dos combates no Líbano, bem como o desbloqueio inicial de 12 bilhões de dólares em fundos destinados
ao Irã, informou agora há pouco (12) o site de notícias estatal iraniano Mehr. Segundo a agência uma versão preliminar do acordo ainda aguarda a aprovação das autoridades iranianas, e a versão final será aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Como parte do acordo, os EUA irão remover as sanções ao petróleo e aos produtos petroquímicos iranianos, permitindo ao Irã acesso total aos seus ativos congelados, A agência informou que o montante total é de 24 bilhões de dólares, sendo que metade desse valor será liberada para o Irã antes do início de novas negociações.

publicada em 12 de junho de 2026 às 9:38 




