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A INDÚSTRIA DE DEFESA DO BRASIL QUER SE REESTRUTURAR PARA ATENDER AO MERCADO EM FRANCA EXPANSÃO GLOBAL

 

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) organizou um debate técnico  sobre os efeitos socioeconômicos da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira. Realizado no Observatório da Indústria da CNI, em Brasília, o encontro integra as ações do Projeto que  busca aprofundar a análise dos impactos produtivos, econômicos e tecnológicos do setor, reunindo especialistas do governo, da indústria, da academia e de instituições de fomento. O debate destacou a necessidade de avaliar a BID para além da segurança e da soberania nacional, como vetor estratégico do desenvolvimento econômico e do fortalecimento industrial. Pelo menos é o que pensa a líder do projeto na ABDI, Karen Leal. Para ela, “Nosso objetivo é gerar inteligência estratégica sobre a Base Industrial de Defesa a partir de evidências concretas. Estamos estruturando um sistema de monitoramento que cruza dados econômicos, produtivos e tecnológicos para compreender melhor as capacidades da indústria, seus gargalos e suas potencialidades. Isso é fundamental para qualificar políticas públicas, orientar investimentos e fortalecer setores críticos para a soberania e a inovação no país.

Foram apresentados dados preliminares da pesquisa conduzida no âmbito do projeto, que identificou cerca de 985 CNPJs no núcleo da BID. A maior parte é de médio e grande porte e está concentrada nas regiões Sul e Sudeste, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O núcleo e representado por empresas de 12 segmentos identificados pela ABDI, que compõe a Base industrial de Defesa. Apesar da alta capacidade tecnológica instalada, a BID enfrenta desafios estruturais Entre eles, a dependência do Estado como principal financiador e cliente, além da necessidade de importação de componentes críticos.

Para o superintendente do Observatório Nacional da Indústria da CNI, Márcio Guerra, é necessário transformar diagnósticos em ações concretas. “Nosso grande desafio atual é romper a bolha e transformar as estratégias que tanto discutimos em ações de fato. O Brasil importa, em média, R$ 73 bilhões anuais em produtos de defesa, de segurança e de uso dual, enquanto temos uma indústria nacional com plena capacidade para absorver parte dessa demanda. O objetivo do nosso esforço não é buscar privilégios, mas sim fortalecer o setor para que ele seja competitivo em pé de igualdade. Para alcançarmos a verdadeira autonomia, precisamos superar a desarticulação de políticas e colocar em prática estratégias efetivamente transformadoras”.

A programação incluiu painéis dedicados a avaliar a inserção internacional do setor e estrutura de demanda. A ampliação das exportações foi apontada como uma condição indispensável para diluir os custos, garantir escala de produção e promover a sustentabilidade do setor, especialmente em um cenário global altamente competitivo em tecnologias críticas. O encontro também contribuiu para consolidar uma visão estratégica baseada em evidências, como explicou o consultor da FIA/USP, General Neiva Filho:Nosso objetivo não é entregar apenas um retrato estático do setor, mas sim um algoritmo capaz de manter viva a análise da Base Industrial de Defesa. Estamos cruzando pesquisas qualitativas profundas com um painel dinâmico de indicadores baseados em dados abertos. O encontro de hoje é o termômetro fundamental para avaliarmos, junto aos especialistas que vivem essa realidade, a coerência, a clareza e a pertinência dos pressupostos que guiarão esse monitoramento.”

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