A ÍNDIA DÁ MAIS UM PASSO À FRENTE E JÁ CONSEGUE PRODUZIR HIDROGÊNIO USANDO AS SUAS USINAS NUCLEARES INSTALADAS
Os indianos conseguiram fazer o que muitos países estão buscando fazer: eles inauguraram uma instalação de produção de hidrogênio movida a energia nuclear. A instalação utiliza o calor do processo do Reator de Teste de Reprodução Rápida para produzir hidrogênio através do processo termoquímico de cobre-cloro desenvolvido por pesquisadores indianos. A nova instalação do Centro Indira Gandhi de Pesquisa Atômica (IGCAR) em Kalpakkam, Tamil Nadu, foi inaugurada por Ajit Kumar Mohanty, Secretário e Presidente da Comissão de Energia Atômica da Índia. Ela integra a tecnologia de produção de hidrogênio desenvolvida pelo Centro de Pesquisa Atômica Bhabha do Departamento de Energia Atômica (DAE) com a expertise em reatores rápidos avançados do IGCAR. Em um comunicado, o Departamento de Energia Atômica da Índia, disse que “A integração bem-sucedida do calor do processo nuclear com a geração de hidrogênio representa um avanço tecnológico pioneiro e abre um caminho promissor para a produção de hidrogênio em larga escala e livre de carbono, utilizando reatores nucleares avançados.” O hidrogênio é amplamente considerado um vetor energético fundamental para os futuros sistemas energéticos e espera-se que desempenhe um papel crucial na transição global para sistemas de energia limpa e sustentável, desde que possa ser produzido sem emissões de carbono.
A produção industrial de hidrogênio é atualmente dominada pela reforma a vapor do metano proveniente de combustíveis fósseis e pela eletrólise (separação da água com
eletricidade): de acordo com informações da Agência Internacional de Energia, menos de 1% da produção global de 97 milhões de toneladas em 2023 foi de hidrogênio de baixa emissão, embora em sua revisão de produção de hidrogênio de 2024, a agência tenha afirmado que o hidrogênio de baixa emissão poderia atingir 49 milhões de toneladas por ano até 2030. A produção termoquímica de hidrogênio envolve a separação da água em hidrogênio e oxigênio por meio de uma série de reações químicas em altas temperaturas. O ciclo termoquímico cobre-cloro (Cu-Cl) é considerado uma das formas mais promissoras de produzir hidrogênio devido às suas temperaturas de operação relativamente mais baixas e à maior eficiência termodinâmica, segundo o Departamento de Energia Atômica (DAE). “Ao aproveitar o calor nuclear de reatores rápidos, o processo reduz significativamente a dependência de combustíveis fósseis e elimina as emissões de gases de efeito estufa associadas aos métodos convencionais de produção de hidrogênio“, afirmou o Departamento.
O Reator de Teste de Reprodução Rápida (Fast Breeder Test Reactor – FBTR) é um reator de teste refrigerado a sódio que iniciou suas operações no Centro Indira Gandhi de Pesquisa Atômica em 1985, aumentando gradualmente sua potência para 32 MW (térmicos) em 2018, antes de finalmente atingir sua capacidade nominal de 40 MWt em 2022. O reator desempenha um papel fundamental na preparação da Índia para um ciclo de combustível fechado baseado em tório. A entrada em operação da instalação representa o culminar de extensos esforços de pesquisa, desenvolvimento de processos, projeto de engenharia, fabricação de equipamentos, instalação, testes e comissionamento realizados em conjunto pelo Centro de Pesquisa Atômica Bhabha e pelo Centro Indira Gandhi de Pesquisa Atômica, informou o Departamento de Energia Atômica (DAE). Ela proporcionará experiência operacional, facilitará a otimização do processo Cu-Cl e apoiará pesquisas futuras com o objetivo de ampliar as tecnologias de produção de hidrogênio assistida por energia nuclear para implantação comercial.
“A integração da energia nuclear com tecnologias emergentes de energia limpa, como a produção de hidrogênio, representa um caminho estratégico rumo a um futuro
energético sustentável”, disse Ajit Kumar Mohanty, na inauguração da nova instalação. “A energia nuclear, com sua capacidade única de fornecer eletricidade confiável e livre de carbono, bem como calor de processo em alta temperatura, é ideal para apoiar a produção de hidrogênio em larga escala, contribuindo para a segurança energética da Índia, suas metas de descarbonização e seus objetivos de desenvolvimento sustentável a longo prazo. Parabenizo os cientistas, engenheiros e equipes técnicas do BARC e do IGCAR, cuja dedicação, inovação e excelência técnica transformaram um conceito científico avançado em uma realidade operacional. Essa conquista é uma prova da crescente capacidade da Índia em tecnologias nucleares avançadas e sistemas de energia limpa.”

publicada em 3 de julho de 2026 às 13:00 




