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MARITIME SHIP SERVICE ESTÁ EXPANDINDO SUA ATUAÇÃO PARA TODOS OS PORTOS DO PAÍS E APOSTA EM DIGITALIZAÇÃO

Com atuação consolidada no Nordeste, a Maritime Ship Service acompanha o avanço dos setores portuário e naval do Brasil e já iniciou um plano para ampliar sua atuação nacional. Em entrevista ao Petronotícias, o CEO da companhia, Thiago Nascimento, revela que a empresa já executa um plano de expansão estruturado para sanar dores logísticas do mercado e consolidar a presença da companhia — hoje com matriz estratégica em Maceió (AL) — em todo o litoral brasileiro. “Esse movimento de expansão já está em execução e, inclusive, por meio de parcerias com clientes estratégicos. Alguns dos nossos principais clientes nos convidaram para atendê-los em outras regiões”, destacou. Paralelamente ao crescimento geográfico, a companhia investe massivamente em digitalização para sustentar essa eficiência logística. Segundo Nascimento, a empresa já utiliza Inteligência Artificial no mapeamento de produtos e otimização de estoque, uma estratégia de digitalização desenhada tanto para blindar a eficiência atual quanto para antecipar as demandas futuras do mercado marítimo.

Seria muito importante se pudesse fazer uma leitura geral do atual momento das indústrias naval e portuária. O que o senhor tem observado em termos de oportunidades e mudanças?

O setor tem vivido, de forma geral e global, dois grandes desafios que conversam diretamente entre si: a descarbonização e a digitalização. Os armadores estão sob forte pressão para desenvolver estratégias de descarbonização que atendam às metas da IMO (Organização Marítima Internacional). Ao mesmo tempo, há uma cobrança intensa pela digitalização. A chegada da internet rápida a bordo dos navios, por exemplo, abre portas para a redução de custos e de mão de obra. Inclusive, a questão da mão de obra tem sido um dos maiores gargalos da indústria naval hoje; as novas gerações não querem mais trabalhar embarcadas e, por mais que os salários sejam atrativos, o mundo inteiro enfrenta essa escassez de profissionais.

Olhando para o cenário nacional, o Brasil obviamente não está fora desses desafios globais, mas temos duas grandes oportunidades em andamento. A primeira é o incentivo à cabotagem por meio do programa BR do Mar. Esse estímulo do governo à navegação de cabotagem já era necessário há muito tempo. Afinal, com uma costa imensa como a nossa, temos uma facilidade natural para o transporte de cargas; insistir no modelo predominantemente rodoviário, que encarece o frete, não faz sentido. A segunda oportunidade é a expansão e o reaquecimento da indústria de petróleo e gás, um movimento que tem movimentado fortemente as regiões Sudeste e Nordeste. Esse é o panorama atual do nosso setor.

Diante desses novos investimentos, do incentivo à cabotagem e dos processos de descarbonização e digitalização, o que cada um desses fatores representa em termos de novas possibilidades para a Maritime Ship Service?

Nós somos especializados no fornecimento de consumo de bordo, ou seja, vendemos produtos que são consumidos pela tripulação e no dia a dia dos navios. Porém, por mais que o nosso produto final seja tangível, o nosso modelo de negócio é essencialmente logístico. A indústria marítima é muito intensa e, embora muitos a comparem com a aviação, elas são bem diferentes na prática. Na aviação, você sabe com exatidão o dia e o horário em que o avião vai decolar. No setor marítimo, não. Se precisamos enviar um caminhão com gêneros alimentícios para um navio no Porto do Pecém, por exemplo, o navio pode mudar o dia, a hora ou até a semana de atracação enquanto o caminhão já está na estrada. Esse dinamismo é um enorme desafio.

Como trabalhamos com o consumo de bordo, quanto maior for o fluxo de navios nos portos que atendemos, melhor para nós, pois aumentam as chances de conversão e vendas. Por outro lado, os portos estão cada vez mais automatizados, o que tem reduzido drasticamente o tempo de atracação das embarcações. Isso exige que a nossa eficiência operacional e a nossa logística interna sejam constantemente aprimoradas para não perdermos essas janelas operacionais.

Portanto, ao mesmo tempo em que investimos na eficiência do agora, precisamos acompanhar a digitalização e a mudança de paradigma do setor. O futuro aponta para a redução de tripulação a bordo e para o surgimento de navios autônomos. Como o nosso negócio está diretamente ligado à quantidade de pessoas embarcadas, precisamos nos reinventar ao longo do tempo. É o que chamamos de empresa ambidestra: aquela que foca na operação atual, mas mantém os olhos atentos no futuro. Esse é o nosso grande desafio.

Poderia detalhar o que a empresa está olhando especificamente para o setor de óleo e gás em termos de perspectivas e novos negócios?

No passado, nós tivemos uma unidade em Barra dos Coqueiros, em Sergipe, que apresentava um excelente desempenho. Contudo, com as crises que afetaram o setor de óleo e gás na década passada, a demanda local caiu a zero. Agora, esse mercado voltou a se aquecer, e nós estamos fomentando e aproveitando ativamente essa retomada.

Além disso, estamos olhando com muita atenção para a Margem Equatorial. O nosso objetivo é entender como surfar essa nova onda e enfrentar os desafios que toda a indústria tem sentido, especialmente em relação à infraestrutura e à capacidade de atendimento na região. Queremos nos posicionar e fazer o movimento de first mover (pioneiro) na Margem Equatorial. É exatamente para isso que estamos direcionando nossos esforços.

Gostaria que explicasse como se dá a presença na região Nordeste e como estão estruturados os planos de expansão para outras áreas.

Hoje, a nossa matriz está localizada em Maceió. Essa localização é altamente estratégica no Nordeste porque estamos no “coração” da região, mantendo uma distância equilibrada tanto para o Norte quanto para o Sul. Isso nos permite centralizar e otimizar toda a nossa operação logística a partir de Alagoas.

Sobre o futuro, nós não estamos apenas pensando em expansão; nós já temos projetos concretos na mesa e em desenvolvimento. Esses planos abrangem tanto o crescimento dentro do próprio Nordeste quanto a entrada em outras regiões do país, como o Norte e o Sudeste. Essa estratégia está diretamente atrelada aos nossos investimentos em eficiência operacional, pois queremos expandir esse modelo de negócio de forma sustentável e eficiente.

O senhor mencionou anteriormente o ponto da digitalização e eu gostaria de explorar isso um pouco mais. Como vocês pretendem trabalhar a tecnologia e a digitalização para alcançar esse ganho de eficiência operacional que você acabou de citar?

A digitalização entra justamente nas duas frentes que mencionei: na melhoria da eficiência operacional no presente e na busca por novos mercados e modelos de negócios para o amanhã. Essa questão da ambidestria corporativa é muito sensível para nós. Por um lado, precisamos aprimorar a nossa logística atual, implementando novos softwares e ferramentas modernas de gestão. A tecnologia tem transformado o setor, e hoje já colhemos frutos utilizando Inteligência Artificial para o mapeamento de produtos e a otimização do armazenamento.

Por outro lado, estamos atentos ao que o mundo está desenvolvendo. Participamos ativamente de feiras internacionais e, recentemente, estivemos em Singapura, que é um dos maiores polos marítimos, navais e de inovação do planeta. Fomos até lá para entender o ecossistema de startups locais, ver o que eles estão criando e absorver as tendências. Então, enquanto blindamos a nossa eficiência atual, mantemos os olhos no futuro para identificar as tecnologias que irão transformar o nosso segmento.

Diante desse panorama de mercado e das perspectivas da empresa, o que pode compartilhar conosco em termos de projeções de crescimento, metas e novos investimentos?

A nossa grande meta é expandir a atuação da Maritime Ship Service para todos os portos nacionais. Esse é o planejamento estratégico no qual estamos trabalhando intensamente. Nos próximos anos, o nosso foco total será consolidar essa expansão para garantir presença em todo o litoral brasileiro.

Esse movimento de expansão já está em execução e, inclusive, por meio de parcerias com clientes estratégicos. Alguns dos nossos principais clientes nos convidaram para atendê-los em outras regiões.

O fato é que estamos estruturando essa expansão impulsionados pelo próprio mercado. Clientes-chave nos trazem suas dores logísticas em determinados portos e nos perguntam se temos interesse em assumir essas operações e o que seria necessário para viabilizar o projeto. Então, já estamos trabalhando ativamente nessa expansão.

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Leandro
Leandro
2 dias atrás

Realmente é disso que o mercado precisa: atuação estratégica voltada ao futuro. Não adianta replicar modelos já ultrapassados e manter práticas antigas.