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OTAN PASSA A APOIAR OS ESTADOS UNIDOS CONTRA O IRÃ DEPOIS DOS ATAQUES EM ORMUZ, MAS ARMAS QUÍMICAS PREOCUPAM

O que, afinal, o governo da ditadura iraniana que de verdade? Seja o que for, parece que o presidente dos EUA, Donald Trump, passou a compreender melhor o pensamento israelense sobre a realidade das negociações com os iranianos. Trump disse nesta quarta-feira (8) a que considerava o Memorando de Entendimento (MoU) com o Irã anulado após os ataques aéreos realizados durante a noite pelo  Irã no Estreito de Ormuz e contra bases americanas e alvos no Bahrein e no Kuwait:   “Para mim, acho que acabou“, disse ele na cúpula da OTAN, em Ancara, na Turquia.  Trump também afirmou que sentia que os EUA haviam “perdido muito tempo negociando com o Irã e que não desejava continuar as conversas. Não quero mais lidar com eles. São escória. São pessoas doentes.” Concordo com você” respondeu o secretário-geral da OTAN,  Mark Rutte. Anteriormente, Rutte havia insistido que os ataques dos EUA eram “absolutamente necessários”, observando que  o Irã havia violado o cessar-fogo, assinado três semanas antes. “Quando há um cessar-fogo e o Irã está basicamente violando-o, acho absolutamente crucial que os EUA reajam com firmeza.” Os EUA atacaram sistemas de defesa e locais de  lançamento do Irã após ataque a vários navios em Ormuz. O Irã atacou 85 instalações militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait após os ataques no Estreito de Ormuz. Um funcionário americano disse que os ataques tiveram como alvo sistemas de defesa aérea iranianos, vigilância costeira, mísseis terra-ar, mísseis de cruzeiro antinavio e locais de lançamento de drones. Esta manhã o preço do barril do Brent está cota a US$ 79,76. Subiu cerca de 5%.

Duas bases militares iranianas foram atacadas pelos EUA na manhã de hoje.  O Comando Central dos EUA (CENTCOM) confirmou que os Estados Unidos atacaram o sul  do Irã,  na ilha de Qeshm, em Bandar Abbas e em Sirik, durante a noite. A mídia estatal iraniana relatou vários feridos depois que as forças americanas começaram a lançar uma série de ataques contra o Irã “para impor altos custos por alvejar e atacar navios comerciais tripulados por civis inocentes em uma via navegável internacional”. A Guarda Revolucionária do Irã alegou ter atacado 85 instalações militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait, “em resposta às violações do cessar-fogo por parte dos EUA“, pouco depois de as forças armadas do Kuwait terem relatado o acionamento de sirenes devido a ataques hostis com mísseis e drones. A agência Fars citou um porta-voz militar iraniano, que anunciou que o Irã retaliaria contra o ponto de origem de quaisquer ataques realizados contra o país. “Todas as bases americanas na região são alvos legítimos para nossos drones militares.”

LICENÇA CANCELADA

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a decisão do Departamento do Tesouro dos EUA de revogar a suspensão temporária das sanções às vendas de petróleo iraniano, afirmando que “responsabiliza os Estados Unidos pela violação do memorando de entendimento e tomará todas as medidas que julgar necessárias para salvaguardar seus interesses e sua segurança nacional. Os EUA violaram repetidamente os termos do memorando de entendimento nos últimos 20 dias, seja diretamente ou por meio das ações da entidade sionista contra o Líbano”. Ontem, o Irã foi responsável pelo lançamento de pelo menos cinco drones e mísseis contra três navios em Ormuz. A medida dos EUA ocorreu depois que três petroleiros relataram terem sido atingidos por projéteis desconhecidos dentro e nas proximidades do Estreito de Ormuz nos últimos dias, informou a UKMTO, agência ligada à Marinha Britânica, em um relatório.

Ontem (7) a noite, as forças americanas iniciaram “uma série de ataques poderosos contra o Irã para impor custos elevados por alvejar e atacar navios comerciais tripulados por civis inocentes em uma via navegável internacional“, de acordo com o Comando Central dos EUA (CENTCOM). As violações do cessar-fogo devem ser respondidas com força até que as pressões diplomáticas prevaleçam. O principal assessor diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou em um comunicado no X, que acreditava que o Irã era incapaz de se comprometer com a paz. “Os ataques iranianos contra petroleiros comerciais do Catar e da Arábia Saudita no Estreito de Ormuz, e a agressão repetida contra as duas nações irmãs do Bahrein e do Kuwait, são uma clara indicação de que Teerã ainda é incapaz de se comprometer com as exigências da desescalada e de virar a página da guerra. Os Estados árabes do Golfo não podem continuar sendo alvo da hesitação do Irã entre a lógica da escalada e o caminho da racionalidade, da estabilidade e da paz.”

O Ministério das Relações Exteriores do Kuwait divulgou uma declaração sobre o incidente X, condenando as ações do Irã e expressando “a mais veemente denúncia das repetidas e hediondas agressões iranianas contra o Estado do Kuwait”. O ministério afirmou que “a continuação dessas agressões descaradas, num momento em que estão em curso esforços regionais e internacionais para a desescalada, constitui uma sabotagem sistemática dos esforços para reduzir as tensões e atinge a vontade internacional de apoiar esse caminho”. O comunicado também enfatizou que o Kuwait mantém o direito de tomar todas as medidas necessárias para preservar sua soberania e segurança. Omã também condenou os ataques ao Kuwait, apelando à moderação e à diplomacia para conter a escalada e promover a paz, de acordo com a Iran International, uma agência de notícias independente.

AARMAS QUÍMICAS

“O Irã, definitivamente,  possui armas químicas, apesar dos reveses nucleares.” O  alerta foi feito pelo Primeiro Ministro Israelense, Benjamin Netanyahu.  Ele também afirmou que o Irã perdeu a capacidade de produzir armas nucleares durante a Operação Leão Rugidor, acrescentando que os ataques dos EUA e de Israel o “retrocederam consideravelmente, mas posso assegurar que eles têm armas químicas. E essa é mais uma ameaça que eles representam.” Não havia relatos anteriores de que o Irã tivesse usado armas químicas durante a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. “Destruímos grande parte da infraestrutura deles, muitas das centrífugas, muitas das fábricas e instalações associadas que eles usam para fabricar armas nucleares e eliminamos 20 dos seus principais cientistas nucleares Então, conseguimos um retrocesso considerável.”

Netanyahu foi duro: “Isso não significa que eles serão deixados à própria sorte. Eles voltarão a fazer isso. É como quando você remove um pedaço de câncer, um nódulo de câncer do seu corpo, ele pode voltar. Mas você sabe de uma coisa: se você não fizer isso, você pode morrer.” O primeiro ministro afirmou que os Estados Unidos também foram ameaçados pelo Irã, e foi por isso que o presidente americano  decidiu entrar na guerra. “Os Estados Unidos estavam ameaçados por um perigo muito grande. Porque se esse regime que grita ‘morte à América’, ‘morte a Trump’, vai destruir a América e assim por diante, se você der a esse regime a capacidade de ter mísseis balísticos que poderiam atingir os Estados Unidos, e eles poderiam armá-lo com armas nucleares, então todos os americanos estariam em perigo. Foi por isso que o presidente Trump decidiu fazer isso. Ele faz o que acha que é bom para os Estados Unidos. E, neste caso, eu diria que foi essencial para a segurança dos Estados Unidos.”

O governo iraniano também era opressor com seu próprio povo, disse Netanyahu. “Entendam, este é um regime que há cerca de 90 milhões de pessoas no Irã e a grande maioria, tipo 80%, odeia este regime”, disse ele. “Eles basicamente os consideram bandidos religiosos que tomaram o país e os mantêm sob a mira de armas. Na verdade, eles atiram neles. Eles assassinaram e mutilaram mais de 40.000 iranianos que estavam orando por sua liberdade.” De modo geral, Netanyahu afirmou que o regime iraniano foi bastante enfraquecido pelos ataques dos EUA e de Israel, com grande parte de sua infraestrutura destruída. “O Irã está cambaleando. A Guarda Revolucionária,  que basicamente controla o Irã, perdeu muitas de suas fontes de renda. Ou seja, as diversas indústrias que costumavam explorar para obter fundos e lhes fornecer dinheiro.” “O povo iraniano vive em extrema pobreza“, acrescentou. “E os ditadores e seus capangas que os tiranizam vivem como reis. Aliás, o mesmo acontece em Gaza, o mesmo com o Hezbollah e seus representantes, a mesma coisa, sabe? Eles só pensam em si mesmos e não se importam com o povo. Então, não acho que isso vá durar. Acho que, eventualmente, o povo os expulsará. Teremos que dar-lhes um pouco de ajuda.” O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth(direita), visitará Israel após os ataques noturnos contra o Irã. Hegseth, que está em Ancara acompanhando o presidente Donald Trump, para a cúpula da OTAN, deverá fazer uma breve visita em meio aos ataques americanos contra o Irã. Ele deverá chegar a Israel ainda nesta na quarta-feira para se reunir com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa Israel Katz.

O Irã está totalmente preparado para que os EUA continuem atacando, disse Mohsen Rezaei(esquerda), assessor do líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei. Ele explicou que “Trump pretende atacar novamente, e nós  estamos totalmente preparados”. Um porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) informou que um drone MQ-9 dos EUA foi abatido por sistemas de defesa aérea iranianos sobre a província de Bushehr, no sul do Irã, na manhã de quarta-feira, horas depois de o Comando Central dos EUA (CENTCOM) anunciar que as forças americanas haviam “concluído uma nova rodada de ataques ofensivos contra o Irã”. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf(direita), afirmou em uma publicação no X que os EUA violaram repetidamente o Memorando de Entendimento. Ghalibaf citou “ameaças persistentes de futuros ataques, restabelecimento de sanções ao petróleo, ataques ao sul do Irã e contínua agressão sionista ao Líbano”. Ele acrescentou: “A era da intimidação e da extorsão acabou. Não leva a lugar nenhum. Não vamos ceder.”

VOOS SUSPENSOS ATÉ AGOSTO

A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) afirmou nesta quarta-feira que as companhias aéreas não devem operar no espaço aéreo do Irã e do Iraque, em meio às tensões em curso e ao potencial de novas ações militares. A EASA afirmou que seu boletim para os espaços aéreos do Irã e do Iraque era válido até 31 de agosto. O boletim anterior da agência, que expira na quarta-feira, incluía o Líbano. Também havia solicitado às companhias aéreas que tivessem cautela ao operar no espaço aéreo do Bahrein, Kuwait, Israel, Jordânia, Catar, Omã, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

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