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PRINCIPAIS DECISÕES DE INVESTIMENTOS DE PROJETOS OFFSHORE NO ÚLTIMO ANO ACONTECERAM NO BRASIL

O Brasil concentrou os principais projetos offshore de grande porte que receberam decisão final de investimento (FID) em 2025, segundo a terceira edição da série State of Exploration, divulgada pela consultoria Westwood. O relatório analisa a evolução de descobertas de alto impacto realizadas entre 2010 e 2025 e avalia a capacidade da indústria de tirá-las do papel efetivamente, levando-as à fase de produção.

O primeiro grande projeto de destaque foi a decisão de investimento em Sergipe Águas Profundas (SEAP). O empreendimento surgiu a partir da descoberta Moita Bonita, realizada em 2012 na Bacia de Sergipe-Alagoas. Operado pela Petrobrás, SEAP reúne aproximadamente 870 milhões de barris de óleo equivalente (boe) e teve sua decisão final de investimento aprovada em dezembro de 2025, após anos de estudos para viabilizar o complexo desenvolvimento em águas ultraprofundas.

O segundo destaque foi o projeto Gato do Mato, operado pela Shell na Bacia de Santos. Descoberto em 2010, o campo de gás condensado enfrentou desafios técnicos associados às operações em águas profundas antes de receber a aprovação final para desenvolvimento em março de 2025.

Fora do Brasil, a Westwood destaca a aprovação do desenvolvimento do cluster Tiber-Guadalupe, da bp, no Golfo do México, com 500 milhões de barris de óleo equivalente. As descobertas, realizadas em 2009 e 2014, chegaram a ser consideradas economicamente inviáveis devido às condições extremas de pressão dos reservatórios — superiores a 20 mil psi — e aos elevados custos de desenvolvimento. Segundo a Westwood, os avanços tecnológicos obtidos recentemente para exploração em reservatórios de altíssima pressão permitiram que o projeto avançasse, com previsão de início da produção em 2030.

De acordo com o estudo, 11 grandes descobertas offshore, distribuídas em oito projetos, avançaram para a fase de desenvolvimento em 2025. Juntas, elas somam 2,3 bilhões de barris de petróleo e 9,5 trilhões de pés cúbicos (tcf) de gás natural em recursos descobertos, além de adicionarem cerca de 800 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d) de nova capacidade de produção.

Outro exemplo é o projeto Sea Lion, nas Ilhas Malvinas (Falklands), descoberto em 2010. O empreendimento enfrentou desafios relacionados à localização remota, limitações da cadeia de suprimentos e às disputas de soberania entre Reino Unido e Argentina. Após mudanças na composição societária, a Navitas aprovou a decisão final de investimento em dezembro de 2025, com expectativa de início da produção em 2028.

ANTIGAS DESCOBERTAS, NOVAS OPORTUNIDADES

A Westwood destaca que a maior parte dessas descobertas levou mais de uma década para alcançar a decisão final de investimento. Das 11 descobertas que avançaram em 2025, oito foram realizadas antes de 2014. Entre as mais recentes estão dois campos de gás no Mar Negro, na Turquia, e uma descoberta de petróleo na Guiana.

Segundo a consultoria, nos últimos anos as petroleiras intensificaram os esforços para ampliar suas reservas. Embora a exploração continue sendo um caminho importante, cresce o interesse em viabilizar antigas descobertas consideradas complexas, impulsionadas por novas tecnologias, mudanças nos modelos de desenvolvimento, novas parcerias e condições fiscais mais favoráveis.

Apesar dos avanços registrados em 2025, a Westwood afirma que permanece um amplo volume de recursos ainda aguardando decisão de investimento. Segundo o estudo, existem 57 descobertas realizadas entre 2010 e 2015, representando cerca de 4,7 bilhões de barris de petróleo e 125 trilhões de pés cúbicos de gás natural, que ainda não receberam FID.

Na avaliação da consultoria, como a tendência é de redução nas grandes descobertas anuais e não há expectativa de crescimento expressivo da atividade exploratória de alto impacto, as empresas deverão concentrar esforços na viabilização de descobertas realizadas há mais de dez anos, utilizando novas tecnologias e modelos de desenvolvimento para transformar recursos já conhecidos em produção comercial.

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