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INB PREPARA NOVAS PESQUISAS GEOLÓGICAS NA BAHIA DE OLHO EM AMPLIAÇÃO DE UNIDADE DE CONCENTRADO DE URÂNIO

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) está preparando uma nova etapa de pesquisas geológicas na região de Caetité (BA). A empresa está realizando trabalhos geológicos na província uranífera de Lagoa Real, na Bahia, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre as reservas nacionais de urânio e apoiar a estratégia do país de alcançar a autossuficiência na produção do minério. Segundo a estatal, a região apresenta condições geológicas favoráveis à ocorrência de urânio identificadas desde 1977. Os estudos em andamento buscam coletar dados que permitam avaliar o potencial dos depósitos e sua viabilidade para futura exploração mineral.

A geóloga e coordenadora de Pesquisa em Recursos Geológicos e Minerais da INB, Jamyle Praxedes Franco, explicou que as novas pesquisas fazem parte das etapas de coletas de dados que quantificam e promovem o detalhamento dos depósitos que podem futuramente evoluir para condição de mina. De acordo com a INB, os estudos servirão de base para o plano de expansão da Unidade de Concentração de Urânio (URA), situada no município de Caetité, cuja meta inicial é produzir 200 toneladas de concentrado de urânio.

Na URA são realizadas as duas primeiras etapas do ciclo do combustível nuclear: a mineração e o beneficiamento do minério, que resulta no produto chamado concentrado de urânio ou yellowcake. A unidade ocupa uma área de 1.700 hectares, localizada em uma província mineral com recursos que chegam a 87 mil toneladas de urânio e onde estão identificados 17 depósitos minerais.

O planejamento considera, em uma primeira etapa, a produção de 200 toneladas de concentrado de urânio. Também são avaliados cenários futuros de produção de 450 toneladas e, posteriormente, 800 toneladas, que demandam mais estudos geológicos, além da implantação de estruturas como uma nova bacia de decantação de resíduos, nova pilha de estéril, pátio de estocagem e ampliação da área de beneficiamento físico e químico”, informou a empresa.

A INB lançou, em 2024, o programa Pró-Urânio com o objetivo de acelerar a prospecção de novos depósitos minerais no país. A iniciativa prevê a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na estruturação de modelos de parceria com empresas de mineração. Como parte desse processo, o BNDES publicou, em dezembro do ano passado, uma Solicitação de Informações (Request for Information – RFI) voltada a empresas de consultoria interessadas em participar da iniciativa.

Também neste mês, o Conselho Nacional de Política Mineral instituiu um grupo de trabalho para avaliar a contribuição do setor mineral — especialmente do urânio — para o desenvolvimento do programa nuclear brasileiro.

POTENCIAL BRASILEIRO

De acordo com a Associação Nuclear Mundial (World Nuclear Association), o Brasil possui cerca de 210 mil toneladas de recursos razoavelmente assegurados de urânio, resultado das campanhas de exploração realizadas nas décadas de 1970 e 1980.

A mineração de urânio no país ocorre desde 1982, mas atualmente a única mina em operação é a unidade de Lagoa Real/Caetité, operada pela INB, com capacidade de produção de 340 toneladas de urânio por ano e recursos conhecidos de aproximadamente 10 mil toneladas, com teor médio de 0,3% de urânio.

Santa Quitéria

Paralelamente, a empresa desenvolve o Projeto Santa Quitéria, atualmente em fase de licenciamento ambiental prévio junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O projeto será implantado na Fazenda Itataia, no município de Santa Quitéria, no Ceará. O depósito mineral é composto por aproximadamente 99,8% de fosfato e 0,2% de urânio e corresponde à maior reserva de urânio já descoberta no Brasil.

Segundo a INB, a expectativa é produzir anualmente cerca de 1,05 milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados, 220 mil toneladas de fosfato bicálcico para alimentação animal e aproximadamente 2.300 toneladas de concentrado de urânio, destinadas ao abastecimento das usinas nucleares Angra 1, Angra 2 e, futuramente, Angra 3. A companhia afirma que o projeto reforçará a estratégia nacional de autossuficiência na produção de combustível nuclear e poderá abrir espaço para exportações.

Quando o projeto foi anunciado, em 2020, a jazida de Itataia era estimada em 142,2 mil toneladas de urânio associado ao fosfato. As reservas lavráveis somam cerca de 79,5 milhões de toneladas de minério, com teor médio de 11% de P₂O₅ e 0,0998% de U₃O₈ (octóxido de triurânio), o equivalente a aproximadamente 8,9 milhões de toneladas de P₂O₅ e 79,3 mil toneladas de U₃O₈.

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