PESQUISADORES DA UNICAMP DESENVOLVEM TECNOLOGIA QUE USA CO2 PARA AUMENTAR EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DO BAGAÇO DE CANA
Pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp desenvolveram uma tecnologia de secagem do bagaço de cana que utiliza dióxido de carbono (CO₂) como agente de remoção da umidade, aumentando a eficiência energética do resíduo utilizado como combustível nas usinas sucroenergéticas. A inovação foi licenciada para a Quimergia Inovação, spin-off acadêmica fundada pelos próprios pesquisadores, que será responsável por levar a solução ao mercado.
Atualmente, o elevado teor de umidade do bagaço reduz o rendimento da queima nas caldeiras, limitando a geração de vapor e de energia elétrica. Segundo o pesquisador da FEQ e cofundador da Quimergia, Jean-Christophe Bonhivers, os métodos convencionais de secagem apresentam limitações técnicas e de segurança por utilizarem contato direto com ar atmosférico.
A proposta da equipe é reaproveitar o CO₂ produzido pelas próprias usinas durante o processo industrial. De acordo com Bonhivers, o gás facilita a remoção da água do bagaço devido às suas características físico-químicas e, por ser inerte, reduz significativamente o risco de combustão espontânea da biomassa. “O CO₂ não é um agente oxidante, ao contrário do ar atmosférico, que contém cerca de 21% de oxigênio. Essa característica contribui para reduzir o risco de combustão em biomassa com partículas finas, como o bagaço“, explicou.
O desenvolvimento foi conduzido por uma equipe formada pelos professores Rubens Maciel Filho e Adriano Pinto Mariano, além dos pesquisadores Jean-Christophe Bonhivers, Carlos Eduardo Vaz Rossell e Riann de Queiroz Nóbrega. A Agência de Inovação Inova Unicamp apoiou a criação da empresa e o processo de transferência da tecnologia.
Segundo os pesquisadores, a nova solução pode elevar o teor de matéria seca do bagaço de cerca de 50% para 80%, aumentando em aproximadamente 30% a produção de vapor de alta pressão e em até 50% a geração de eletricidade excedente destinada à comercialização.
Além do ganho energético, a tecnologia promete reduzir custos de manutenção, minimizar danos aos equipamentos e aumentar a segurança operacional das usinas. “O CO₂ é utilizado no processo de secagem e, na sequência, segue seu ciclo de liberação para a atmosfera e posterior fixação pela cana-de-açúcar por meio da fotossíntese. Por atuar como gás inerte, o gás carbônico elimina ou reduz o teor de oxigênio na atmosfera que envolve as partículas de bagaço, suprimindo as condições necessárias para a autoignição do material“, destacou Carlos Eduardo Vaz Rossell.
A solução foi desenvolvida para usinas de açúcar, etanol e bioenergia, embora os pesquisadores avaliem que ela também poderá ser adaptada futuramente para destilarias de milho. A implementação exigirá algumas adequações nas caldeiras, no sistema de alimentação e nos equipamentos de recuperação de calor.
A prova de conceito da tecnologia já foi validada com apoio da FAPESP, por meio do programa PIPE. Com a viabilidade comprovada em testes controlados, o projeto avança agora para as etapas de validação em maior escala e implantação de uma unidade-piloto. Segundo os pesquisadores, o mercado potencial inclui cerca de 400 usinas em operação no Brasil, além de oportunidades de exportação para países como Estados Unidos, Austrália, Índia, China e Tailândia.

publicada em 27 de julho de 2026 às 15:00 




