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COMGÁS PROJETA ULTRAPASSAR A BARREIRA DE 1 MILHÃO DE M³ POR DIA DE BIOMETANO EM SUA REDE NOS PRÓXIMOS ANOS

O avanço do biometano nos últimos anos, em São Paulo, está diretamente associado à abertura do mercado de gás. A avaliação é do diretor de suprimentos da distribuidora Comgás, Henrique Sonja. Atualmente, segundo o executivo, 100% do biometano é transacionado via mercado livre, modelo que, para ele, oferece aos comercializadores a mesma capilaridade e potencial de alcance da rede de distribuição. “Olhando para a frente, a expectativa é ultrapassar a barreira de 700 mil m³ por dia, com um potencial mapeado que pode superar 1 milhão de m³/dia. A distribuidora atua como a mola propulsora para que isso aconteça”, declarou. Na visão de Sonja, a presença do biometano na rede de dutos traz três grandes incentivos: o modelo plug and play (facilidade de conexão), a segurança de fornecimento (garantida pelo gás presente na rede) e a capacidade de a molécula ir mais longe (percorrendo os milhares de quilômetros de tubulação existente). Ele reconhece que a distribuidora não tem a pretensão de ser a solução única para comercialização da molécula, pois vê também o papel de criar o ambiente físico (a rede) para conectar os mundos da produção e do consumo, mover as moléculas e oferecer mais opções de descarbonização e escolha para o mercado. “Não existe uma solução única. A cadeia está ficando mais complexa e depende de atores com competências diferentes. O papel fundamental da distribuidora é criar o ambiente que conecte fisicamente esses mundos: movimentar as moléculas, permitir que o produtor atinja um mercado mais amplo e trazer opções de escolha para o consumidor”, concluiu.

Como avalia o atual momento do mercado de gás e a relação com o avanço do biometano?

Nos últimos três anos, a evolução do mercado de gás tem gerado muitas oportunidades. É até difícil dissociar o que veio primeiro, mas são dois movimentos que se potencializam mutuamente: ao mesmo tempo em que o biometano ganha força, o mercado de gás atrai novos agentes.

Poderia nos dar um exemplo prático dessa evolução na área de atuação da Comgás?

O mercado livre de gás é um excelente exemplo disso. Há dois anos, na área de concessão da Comgás não havia praticamente nenhum cliente no mercado livre; o volume era quase zero. Em apenas dois anos, saímos desse patamar para 7 milhões de m³ por dia. Isso cria um ambiente extremamente favorável. Na outra vertente, o biometano, que antes estava restrito a aplicações mais nichadas, começa a aparecer de forma muito mais presente na rede. Vemos mais investimentos nessa direção e mais consumidores utilizando a molécula com foco em descarbonização e crescimento de mercado.

O Estado de São Paulo possui um dos maiores potenciais de produção de biometano do país, conforme estudo realizado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de SP (Semil) em parceria com a ABiogás e a Fiesp, chegando a 6,1 milhões de m³ por dia. O que é necessário para destravar todo esse potencial?

O potencial de produção do biometano no Estado é pulverizado. Acreditamos que, para obter escala, competitividade e atingir distâncias mais longas, a rede é o modelo mais econômico. Nós também temos o potencial produtivo na nossa área de concessão, que abrange a região metropolitana de São Paulo, a região de Campinas, Vale do Paraíba e Baixada Santista, tanto do biometano de origem sucroenergética como dos resíduos urbanos. E o Estado de São Paulo pode se beneficiar de infraestrutura existente — são mais de 24 mil quilômetros de rede em 96 municípios, 3 milhões de clientes conectados e uma grande diversidade de indústrias, muitas delas interessadas em ter acesso a um produto de descarbonização. O fundamental para que esse potencial produtivo possa alcançar o mercado é fazer com que a rede de gás chegue até a planta de biometano. É isso o que destrava valor, e o mercado livre entra como um componente essencial nesse processo.

Qual é o papel do mercado livre especificamente para o biometano hoje e quais são as projeções de volume?

Hoje, 100% do biometano é transacionado via mercado livre. Olhando para a frente, a expectativa é ultrapassar a barreira de 700 mil m³ por dia, com um potencial mapeado que pode superar 1 milhão de m³/dia. A distribuidora atua como a mola propulsora para que isso aconteça.

Como as distribuidoras atuam para viabilizar esses projetos e garantir a economicidade do biometano?

Posso falar pela Comgás. Temos ajudado a destravar o mercado construindo o elo entre o produtor e o consumidor. Temos duas plantas conectadas e outras duas planejadas mais para a frente, ambas já autorizadas pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp). A economicidade do biometano no ecossistema começa a acontecer de forma natural, pois o custo de movimentação na rede é mais baixo que outros modais. A distribuição é o elo para viabilizar, dar economicidade e garantir que o produto chegue à porta do cliente.

Quais variáveis definem se um projeto de conexão de biometano à rede é viável ou não?

Quando falamos de escala e viabilidade, existem duas variáveis principais: a distância do projeto até a rede e o volume que esse projeto vai gerar. No final, há um Capex associado — é preciso investir e construir. É difícil apontar um valor exato para viabilizar, mas, até então, a decisão ocorria estritamente pela viabilidade econômica. Recentemente, a Arsesp trouxe outra oportunidade, permitindo que parte do investimento seja custeado pelo próprio produtor. Isso abre novas oportunidades. Com isso, a rede pode ir interiorizando e, futuramente, projetos que nasceram utilizando outro modal de transporte acabarão migrando para a rede.

Quais são as principais vantagens para o produtor e para o mercado quando o biometano é injetado diretamente na rede de distribuição?

O biometano na rede traz três grandes incentivos e vantagens: 1. Plug and play: a facilidade de conexão e uso; 2. Segurança de fornecimento: a garantia de que há gás disponível na rede; 3. Capacidade de ir mais longe: a molécula pode percorrer mais de 24 mil quilômetros de rede conectada. No mercado livre, esses atributos também aparecem. Para o comercializador, a rede oferece a mesma capilaridade e o potencial de atingir o cliente no mercado livre. A distribuidora conecta e viabiliza, permitindo que a planta entre de fato no jogo.

O setor ainda enfrenta muitos gargalos regulatórios para avançar?

Uma parte dos gargalos regulatórios no mercado livre já foi superada, e os números comprovam isso. Avançamos muito em relação ao começo do ano de 2024. Em dois anos, saímos de zero para mais de uma centena de clientes no mercado livre, contando hoje com mais de uma dezena de comercializadores atuando em São Paulo. É claro que ainda temos que evoluir e fortalecer ainda mais o mercado.

Para finalizar, qual é a mensagem principal sobre o papel da distribuidora nesse novo cenário de transição energética?

Não existe uma solução única. A cadeia está ficando mais complexa e depende de atores com competências diferentes. O papel fundamental da distribuidora é criar o ambiente que conecte fisicamente esses mundos: movimentar as moléculas, permitir que o produtor atinja um mercado mais amplo e trazer opções de escolha para o consumidor. A rede de distribuição é o canal para que tudo isso aconteça.

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