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RELATÓRIO MOSTRA QUEDA GLOBAL NOS LEVANTAMENTOS SÍSMICOS, O QUE PODE INDICAR MENOR EXPLORAÇÃO DE NOVAS FRONTEIRAS

A aquisição de dados sísmicos, uma das principais ferramentas para reduzir incertezas na exploração de petróleo e gás, vem perdendo espaço na última década. Entre 2015 e 2025, foram realizados 1.132 levantamentos sísmicos 3D no mundo, mas o número anual de campanhas caiu cerca de 27% entre 2015 e 2022, segundo um novo levantamento da Westwood Energy. No caso específico dos levantamentos exploratórios, a redução chegou a 65% no mesmo período.

A tendência também aparece na área coberta pelas pesquisas. A cobertura anual de dados sísmicos 3D exploratórios em full fold caiu quase continuamente entre 2015 e 2022. Em 2024, foram adquiridos cerca de 143 mil km², contra aproximadamente 387 mil km² em 2015. Houve alguma recuperação em 2025, mas o volume ainda reflete um mercado menor do que o observado no início do período.

Os dados sísmicos são utilizados em praticamente todas as etapas do ciclo de exploração e produção. Eles permitem interpretar a evolução geológica de uma bacia, avaliar seu potencial, identificar leads e transformá-los em prospectos para perfuração. Também ajudam no projeto e na operação segura de poços e, após uma descoberta, na elaboração do plano de desenvolvimento e no acompanhamento da produção.

REFLEXOS SOBRE A EXPLORAÇÃO

A redução na aquisição pode ter consequências para a atividade exploratória nos próximos anos. Em média, um poço exploratório é perfurado cerca de 2,5 anos depois da conclusão de um levantamento sísmico 3D. Por isso, o comportamento da aquisição de dados pode funcionar como um indicador antecipado da atividade de perfuração.

Segundo a Westwood, atualmente, cerca de 75% dos levantamentos sísmicos 3D exploratórios realizados entre 2015 e 2024 ainda não resultaram em perfurações. Isso não significa necessariamente que os dados não tenham sido úteis. A sísmica de alta qualidade pode, justamente, levar à decisão de não perfurar um prospecto ao revelar que suas chances de sucesso são menores do que inicialmente estimado.

Os níveis de perfuração exploratória de alto impacto permanecem relativamente estáveis desde a queda dos preços do petróleo em 2014. Caso essa atividade volte a crescer, a indústria provavelmente precisará ampliar novamente a aquisição de dados sísmicos.

FROTA MENOR

O problema é que a capacidade disponível para realizar esses levantamentos também diminuiu. O número de embarcações utilizadas na aquisição de sísmica 3D por streamers caiu de 49 em 2015 para 25 em 2025. A redução ocorreu em um cenário de menor aquisição de dados, enquanto as empresas de sísmica buscavam manter as taxas de utilização e as receitas.

Ao mesmo tempo, a frota está envelhecendo. Diversas embarcações antigas estão sendo retiradas de operação, mas apenas uma nova unidade foi construída desde 2017. Com isso, a idade mediana da frota aumenta a cada ano.

Essa limitação pode se tornar um obstáculo caso a demanda por exploração volte a crescer. Mesmo que as empresas petrolíferas aumentem o interesse por novas áreas, a capacidade disponível para realizar campanhas sísmicas poderá não acompanhar esse movimento.

BRASIL LIDERA AQUISIÇÃO

Entre 2015 e 2025, o Brasil foi o país que mais adquiriu dados sísmicos, com aproximadamente 132 mil km², à frente de Turquia, Egito, Estados Unidos e Noruega.

O cenário, contudo, varia significativamente entre os mercados. Nos Estados Unidos, toda a aquisição de dados sísmicos 3D marinhos para exploração foi realizada com Ocean Bottom Receivers. Nenhum dado exploratório por streamers foi adquirido no Golfo do México desde 2019. Na Noruega, apenas um levantamento sísmico 3D exploratório foi realizado em 2025.

Se o atual apetite por exploração continuar, poderemos observar um aumento na aquisição de dados. No entanto, esse movimento poderá ser limitado pelo tamanho da frota e pelo estoque de streamers disponíveis. Avanços significativos foram registrados nos últimos anos no processamento e imageamento sísmico, especialmente por meio da combinação de dados históricos adquiridos com streamers e novos dados obtidos com nós no fundo do oceano. O reprocessamento de dados históricos também deve continuar”, afirmou a Westwood.

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