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RÚSSIA PLANEJA ADICIONAR 30 GW DE CAPACIDADE NUCLEAR, INCLUINDO REATORES NUCLEARES

O presidente Vladimir Putin estabeleceu novas metas para o setor nuclear da Rússia e afirmou que a expansão da capacidade, incluindo reatores modulares de pequeno porte (SMRs), nos Urais, na Sibéria e no Extremo Oriente contribuirá para o desenvolvimento de longo prazo dessas regiões. Em um relatório oficial do Kremlin sobre uma reunião virtual dedicada ao desenvolvimento da energia nuclear, Putin afirmou que a Rússia é “provavelmente o único país do mundo que possui expertise em toda a cadeia nuclear”, e que essa “vantagem competitiva” tem impulsionado o crescimento das exportações do setor.

No mercado doméstico, segundo o presidente, “a Rússia planeja colocar em operação aproximadamente 30 GW de capacidade nuclear adicional, incluindo pequenas usinas nucleares”. A expansão, disse ele, não apenas substituirá unidades que estão gradualmente chegando ao fim de sua vida útil, mas também aumentará significativamente a capacidade total de geração nuclear do país.

A realidade russa: a usina nuclear flutuante gerando para cidades do Artico

Putin afirmou ainda que os planos de “ampliar a distribuição geográfica das unidades geradoras” ajudarão a “fortalecer a base de infraestrutura para o desenvolvimento de longo prazo das regiões e territórios e para o surgimento de novas indústrias intensivas em energia”, incluindo aquelas voltadas ao processamento avançado de recursos naturais no Ártico, na Sibéria e no Extremo Oriente.

Em seu discurso, o presidente também destacou a necessidade de “garantir a prontidão tecnológica para o projeto e a construção de usinas nucleares — tanto de grande quanto de pequeno porte — e contar com uma linha de unidades geradoras padronizadas que possam ser montadas em série, em uma linha de produção”.

Putin ressaltou que a expansão da capacidade exigirá disponibilidade suficiente de combustível. Para isso, segundo ele, será necessário “trabalhar para fortalecer nossa própria base de recursos, realizar exploração geológica e desenvolver jazidas”, além de garantir a ampla adoção de um ciclo fechado do combustível nuclear.

O último ponto abordado pelo presidente foi o financiamento. “A implementação bem-sucedida dos planos de energia nuclear exige um modelo financeiro sustentável para o desenvolvimento do setor. É preciso levar em conta as especificidades do financiamento de projetos de investimento, a escala dos investimentos, os prazos de retorno e assim por diante”, afirmou.

Metas de exportação

Segundo o relatório do Kremlin sobre a reunião, Alexei Likhachev, diretor-geral da estatal russa de energia nuclear Rosatom, apresentou os planos atuais para a expansão da capacidade.

De acordo com ele, existem atualmente 34 unidades em operação em 11 usinas nucleares. Os números incluem as seis unidades da Usina Nuclear de Zaporizhzhia, que está sob controle militar russo desde março de 2022. Likhachev observou que, nos próximos dez anos, cerca de 13 unidades, correspondentes a 10 GW de capacidade, deverão ser desativadas.

Segundo o Plano Geral de 2024 da Rússia para a Localização de Instalações de Energia Nuclear, até 2042 serão construídas 38 novas unidades nucleares, incluindo reatores da escala de gigawatts, unidades VVER-600 de médio porte e pequenos reatores modulares. A participação da geração nuclear na matriz elétrica deverá aumentar de 20% para 25% até 2045.

Likhachev informou que “até o momento, já chegamos a nove locais”. No total, incluindo usinas nucleares de pequeno porte e usinas nucleares flutuantes, 18 unidades estão em construção na Rússia.

No mercado internacional, atualmente há 28 unidades em construção em nove países: Índia, China, Turquia, Egito, Irã, Bangladesh, Hungria, Uzbequistão e Cazaquistão. Neste último, segundo Likhachev, “praticamente concluímos os estudos no local onde serão instaladas as duas unidades VVER-1200”.

Estamos trabalhando para ampliar ainda mais nossa presença internacional e já assinamos acordos para a construção de mais 17 unidades em seis países. O exemplo mais recente é a assinatura de um acordo intergovernamental correspondente com o Vietnã. Também estamos negociando com outros 15 países. Nossa meta é chegar a aproximadamente 50 reatores potenciais individuais no âmbito desses acordos”, acrescentou Likhachev.

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