NAO DELETAR
HMFLOW

PRESIDENCIÁVEIS RECEBEM DA ABIQUIM UMA AGENDA ESTRATÉGICA DE COMO ASSOCIAÇÃO SE POSICIONARÁ E O QUE REIVINDICA ATÉ 2035

A Agenda Estratégica da Indústria Química para o Brasil de 2027, a 2035, concebida pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim),    reúne as principais propostas do setor para o próximo governo e aponta os desafios que deverão estar no centro da agenda econômica brasileira nos próximos anos. A agenda foi apresentada durante um  encontro que reuniu lideranças da indústria química, com a participação de nomes importantes do mercado.  Estruturada em seis missões, a agenda propõe uma visão de longo prazo para reposicionar a indústria química brasileira, combinando competitividade, política industrial, inovação, sustentabilidade e segurança econômica. As propostas buscam criar condições para recuperar capacidade produtiva, estimular novos investimentos e fortalecer a participação do Brasil nas cadeias globais de valor.

As seis missões apresentadas pela Abiquim são:

1) Insumos e infraestrutura competitivos como política de Estado, com foco na oferta e nos custos de matérias-primas e energia, especialmente gás natural, além da infraestrutura necessária para ampliar a competitividade da produção nacional;

2) Demanda como indutor de investimento e de política industrial, utilizando o poder de compra do Estado e mecanismos de estímulo à produção nacional para gerar mercado, agregar valor e incentivar investimentos;

3) Transição produtiva para uma base integrada, a Nova Química, com estímulo à inovação, economia circular, reciclagem, química renovável, bioprodutos e soluções de baixo carbono, preservando a neutralidade tecnológica;

4) Defesa comercial, competição justa e segurança econômica, com o fortalecimento dos instrumentos de defesa comercial e de mecanismos que assegurem condições equilibradas de competição entre a produção brasileira e produtos importados;

5) Ampliação do investimento e da inovação, criando condições para modernização, expansão da capacidade produtiva, aumento da produtividade, incorporação de novas tecnologias e reinvestimento no país;

6) Governança e coordenação institucional, com maior integração entre governo, setor produtivo e demais atores, além de previsibilidade regulatória e continuidade das políticas públicas de longo prazo.

A proposta da Abiquim é que a política industrial seja tratada como uma agenda de Estado, com previsibilidade e continuidade, independentemente dos ciclos de governo. A entidade defende que o Brasil aproveite suas vantagens competitivas, incluindo sua matriz energética de baixa emissão e sua base industrial, para ampliar a produção nacional e avançar em inovação e sustentabilidade. “A indústria química está na base de praticamente todas as cadeias produtivas e, por isso, discutir o futuro do setor é discutir o futuro da própria indústria brasileira. Estamos apresentando uma agenda que olha para 2027, mas principalmente para os próximos dez anos, com propostas concretas para aumentar a competitividade, estimular investimentos e fortalecer a capacidade produtiva do país”, afirma André Passos Cordeiro(direita), presidente-executivo da Abiquim.

A agenda foi apresentada aos candidatos à Presidência da República como contribuição do setor químico ao debate sobre os rumos da economia brasileira. Mais do que reivindicações setoriais, a Abiquim busca colocar em discussão uma estratégia de desenvolvimento industrial de longo prazo, capaz de ampliar investimentos, gerar empregos qualificados, reduzir vulnerabilidades externas e fortalecer a posição do Brasil nas cadeias globais de produção.

Daniela Manique(esquerda), presidente para a América Latina da Solvay-Rhodia, destacou a necessidade de enfrentar os custos do gás natural como parte da agenda de competitividade da indústria. “O custo do gás natural é um dos principais fatores que comprometem a competitividade da indústria brasileira. Enquanto o gás chega a custar quatro ou cinco vezes mais no Brasil do que nos Estados Unidos e o dobro do preço praticado na Europa, é preciso rever a estrutura desse mercado. Precisamos criar condições para que esse recurso seja utilizado para produzir aqui, agregar valor e fortalecer a indústria nacional, e não apenas para exportar uma commodity.”

Mariana Orsini(direita), por sua vez, líder regional da Dow no Brasil, ressaltou o papel da inovação e da tecnologia na transição para uma economia circular. “A economia circular é uma agenda de futuro e exige que avancemos para além da lógica tradicional de produzir e colocar o produto no mercado. Já existem tecnologias e soluções para transformar produtos e embalagens em novos recursos, mas ainda há muito espaço para inovação. O Estado tem um papel importante na criação de condições e incentivos para que esses investimentos avancem, permitindo que materiais que hoje terminam como resíduos possam voltar a circular na economia.

Para  Maximilian Yoshioka(esquerda), diretor-presidente da Indorama Ventures Polímeros – LATAM, “O que estamos propondo é uma mudança estrutural, de política de Estado, e não apenas de política de governo. Precisamos reposicionar o Brasil na matriz de competitividade internacional, em condições de competir com países como China e Estados Unidos. A indústria brasileira tem conhecimento, tecnologia e capacidade para avançar em sustentabilidade, circularidade e inovação, mas precisa de condições competitivas e previsibilidade para fazer isso. Estamos prontos para fazer a nossa parte, mas é preciso criar as condições para que o Brasil volte a competir de igual para igual.

Francisco Fortunato, presidente do Grupo OCQ, destacou que o setor privado mantém a disposição de investir no Brasil, mas precisa de condições para que os projetos sejam economicamente viáveis. “O empresário industrial brasileiro não perdeu o apetite de investir no país. Nós queremos ampliar capacidade, modernizar plantas, agregar valor, empregar e desenvolver tecnologia aqui. O que mudou nas últimas duas décadas foi a conta: projetos que antes fechavam, deixaram de se concretizar. Precisamos de condições para que a conta volte a equilibrar-se, com crédito de longo prazo e custo competitivo, mecanismos de depreciação acelerada e estímulos ao reinvestimento. Não estamos pedindo proteção, mas condições justas para competir. Temos capital, ativos, equipes qualificadas e disposição para continuar investindo no Brasil.”

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários