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A GUERRA NO ORIENTE MÉDIO VOLTA A CRIAR INSTABILIDADE NO MERCADO DE PETRÓLEO QUE VOLTA A ULTRAPASSAR A BARREIRA DOS 100 DÓLARES

Os ataques do Irã contra a Jordânia mostram como o reino se tornou um Estado na linha de frente.  Não foi a primeira vez que o Irã atacou a Jordânia e alegou estar atingindo bases americanas no país,  no entanto, o grande número de mísseis lançados por Teerã indica que o Irã está intensificando o conflito. O ataque foi com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) alegando ter “visado instalações usadas para a manutenção, preparação e implantação de caças F-35, F-16 e F-15 dos EUA na base aérea de al-Azraq.”  Segundo as autoridades jordanianas, “o reino sofreu um ataque com mísseis provenientes de território iraniano nas últimas horas”, afirmou nesta quarta-feira(9) o porta-voz das Forças Armadas da Jordânia (JAF).  A agência de notícias Petra, em Amã, informou que “o porta-voz explicou que os sistemas de defesa aérea jordanianos interceptaram 20 mísseis balísticos disparados em direção ao território jordaniano, destruindo com sucesso 18 deles. Dois mísseis caíram em áreas desabitadas.”

O preço do petróleo  ultrapassou US$ 100 pela primeira vez desde 25 de maio com a intensificação da guerra,  devido aos ataques entre norte-americanos e iranianos, que também se estenderam a aliados dos EUA na região como a Arábia Saudita e da Jordânia. O barril Brent, referência mundial, chegou a alcançou os três digítos, quando atingiu US$ 100,15. A última vez que isso ocorreu fora em 25 de maio, com o preço do barril a US$ 100,73. O ápice desta quarta-feira (9) ocorreu com a cotação subindo 3,09%, a US$ 100,95, maior valor desde 22 de maio, quando o commodity estava a US$ 102,77. O preço caiu um pouco na sequência e estava a US$ 100,63, alta de 2,71%, por volta das 8h20. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, tinha valorização de 2,238% e estava a US$ 95,24 no mesmo horário. Agora a tarde,  o Barril do Brent está cotado a US$ 101,20.

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) também emitiu um alerta para petroleiros no Kuwait e no Bahrein. O Irã demonstra que continuará seus ataques no Golfo Pérsico e exige a evacuação desses países. Ao que tudo indica, o Irã está se preparando para retaliar os EUA, querendo  atacar  navios. O país argumenta que o Bahrein e o Kuwait estão ligados aos EUA por abrigarem tropas americanas. Essa medida faz parte da tentativa iraniana de forçar a retirada das tropas americanas desses países. O Comando Central dos EUA afirmou durante a madrugada de terça= para quarta-feira, havia “destruído cinco navios petroleiros iranianos, depois que a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) atacou um navio de guerra da Marinha dos EUA com mísseis balísticos duas vezes nos últimos dois dias. O navio de guerra americano conseguiu escapar das tentativas de ataque iranianas e continuou a patrulhar as águas da região. Nenhum militar americano ficou ferido.”

A Jordânia realizou uma avaliação em campo e constatou que não houve vítimas. O país afirmou ter lidado com a ameaça “de acordo com os procedimentos operacionais estabelecidos para proteger o espaço aéreo do reino e garantir a segurança pública. O monitoramento, rastreamento e avaliação contínuos permanecem em andamento.” O Irã já atacou a Jordânia no passado para demonstrar que pode atingir forças americanas mesmo quando os EUA deslocam seus recursos para mais longe do Irã. Isso ocorre em um contexto de relatos que sugerem que os EUA estão considerando reduzir sua presença em algumas das bases que mantêm no Golfo. Os EUA possuem bases importantes no Golfo há décadas. Isso é, de certa forma, um legado da Guerra do Golfo de 1991.

Durante a guerra, os EUA tiveram que deslocar um grande número de tropas, aviões de guerra e navios de guerra para a região. Mantê-los no Golfo fazia sentido. Assim, os EUA estabeleceram bases estratégicas no Kuwait, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos. Os EUA também transferiram tropas da Arábia Saudita, onde estavam posicionadas durante a

Base aérea americana no Catar

guerra, para as novas bases construídas nos menores estados do Golfo. O Comando Central dos EUA estava sediado nessas bases. Os países eram pacíficos e muitos deles prosperaram economicamente, expandindo exponencialmente cidades que antes eram relativamente pequenas, à medida que trabalhadores estrangeiros migravam para lugares como Dubai e Doha. A presença dos EUA, portanto, fazia parte de um padrão de sucesso e paz no Golfo.

A guerra com o Irã mudou tudo isso. Com os ataques iranianos ao Golfo, particularmente visando bases americanas, ficou claro que a região pode estar vulnerável.  Para Teerã, isso pode ser visto como um sucesso. O país pode afirmar que expulsou os EUA da região. Enquanto isso, países como a Jordânia agora estão na linha de frente. A Jordânia está na linha de frente em parte porque os EUA também estão deixando o Iraque. As forças americanas estão deixando o Iraque como parte de um acordo para encerrar a presença dos EUA no país, que começou em 2014, quando Bagdá convidou os EUA para ajudar a combater o Estado Islâmico. Os EUA já haviam deixado o Iraque em 2011, após terem invadido o país em 2003.

Os ataques do Irã contra a Jordânia durante a noite podem também ter sido uma mensagem para Israel. Ataques semelhantes já foram vistos por Israel no passado. Dessa forma, o Irã demonstra que não foi derrotado e que ainda possui um arsenal perigoso de mísseis balísticos. As autoridades jordanianas afirmaram que “equipes especializadas começaram a isolar os locais onde caíram destroços e estilhaços, tomando todas as precauções necessárias para verificar a segurança das áreas circundantes”. As Forças Armadas da Jordânia “exortaram os cidadãos a não se aproximarem, tocarem ou moverem quaisquer objetos, fragmentos ou destroços não identificados, apelando ao público para que reportem imediatamente quaisquer descobertas às autoridades competentes, a fim de garantir a segurança”.

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