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GOOGLE FECHA CONTRATO DE 22 ANOS COM USINA NUCLEAR FINLANDESA, AMPLIANDO APOSTA NA FONTE

O Google assinou um contrato de compra de energia de longo prazo (PPA) com a finlandesa Fortum para adquirir até 50% da capacidade da usina nuclear de Loviisa. O acordo dará maior previsibilidade financeira aos investimentos necessários para ampliar a capacidade e estender a vida útil da instalação até 2050.

O PPA cobre o período de extensão da operação da usina nuclear de Loviisa. O contrato terá início em 2028, com capacidade reduzida, e passará a abranger 50% da capacidade da unidade entre 2030 e 2049. O acordo foi anunciado junto com o plano do Google de investir € 13 bilhões (US$ 15 bilhões) em data centers e infraestrutura de suporte na Finlândia nos próximos dois anos, entre 2027 e 2028, além de estabelecer parcerias em Hamina, Muhos, Vaala e Kajaani.

A usina de Loviisa é composta por dois reatores de água pressurizada do tipo VVER-440. Primeira central nuclear da Finlândia, a instalação atualmente responde por mais de 10% da geração de eletricidade do país. A unidade 1 iniciou sua operação comercial em 1977, enquanto a unidade 2 entrou em funcionamento em 1981. Em fevereiro de 2023, o governo finlandês concedeu à Fortum uma extensão da licença de operação dos dois reatores, permitindo que a usina continue gerando eletricidade até o fim de 2050.

A Fortum mantém um programa de investimentos de aproximadamente € 1 bilhão em Loviisa para prolongar a operação da usina até 2050. Atualmente, cerca de 80% dos projetos necessários para a extensão da vida útil e investimentos de € 700 milhões ainda não possuem decisão de investimento. Segundo a companhia, o PPA com o Google criará uma fonte de receita previsível, permitindo concluir os investimentos para prolongar a operação da instalação.

O acordo também deverá viabilizar um novo aumento de capacidade de 10 MWe. A usina já possui outro incremento de 38 MWe em andamento, com conclusão prevista para 2028.

Sem investimentos significativos na extensão de sua vida útil, a usina não poderia continuar produzindo eletricidade livre de combustíveis fósseis após 2030”, afirmou a Fortum. “Mantê-la em operação nas próximas décadas ajudará a estabilizar os preços da eletricidade e a sustentar a resiliência de longo prazo da rede elétrica finlandesa.”

Há uma oportunidade única para a Finlândia construir a próxima onda de crescimento sustentável e industrialização a partir de seu sistema elétrico de baixa emissão de carbono e confiável”, afirmou Markus Rauramo (foto acima, à direita), CEO da Fortum. Segundo ele, parcerias de longo prazo são fundamentais para dar previsibilidade aos investimentos em nova capacidade de geração de baixo carbono, reforçar a segurança energética e ampliar a infraestrutura digital e industrial do país.

O Google afirmou que manter a usina em operação ajudará a garantir o acesso a eletricidade confiável e a preços acessíveis para residências, empresas e usuários industriais da Finlândia. A empresa também informou que trabalhará com a Fortum para avaliar oportunidades de desenvolvimento de novos reatores nucleares em Loviisa.

Temos orgulho de chamar a Finlândia de lar há 15 anos”, afirmou Aris Karcanias (foto ao lado), chefe de Energia da Google para a região EMEA. Segundo ele, a expansão das operações no país exige uma parceria com empresas locais, como a Fortum, para compreender as necessidades da rede e investir em soluções energéticas que proporcionem maior resiliência e preços acessíveis aos consumidores.

O executivo destacou ainda que a usina de Loviisa está localizada próxima ao data center do Google em Hamina, onde a companhia iniciou sua presença no país. À medida que amplia suas operações, a empresa pretende trabalhar com a Fortum e outros parceiros para adicionar capacidade de geração renovável e soluções de flexibilidade ao sistema elétrico finlandês.

Além do PPA, Google e Fortum assinaram um memorando de entendimento (MoU) para apoiar o crescimento das duas empresas na Finlândia e ampliar a geração de eletricidade no país. A intenção é aprofundar a cooperação em novos projetos de energia nuclear, fontes renováveis e soluções de flexibilidade, de modo que o aumento da demanda por serviços de inteligência artificial seja acompanhado pela entrada de nova geração de baixo carbono.

As empresas também firmaram uma carta de intenções para promover nova capacidade de geração e recursos de flexibilidade. Como primeira iniciativa, a Fortum assinou um acordo com o Google para otimizar um sistema de armazenamento em baterias que será instalado no data center de Kajaani. O sistema terá capacidade de 94 MW e será fornecido pelo Google em parceria com uma empresa subcontratada.

A Fortum destacou que seu estudo sobre novas usinas nucleares aponta que investimentos nesse segmento e sua viabilidade financeira de longo prazo dependem de uma demanda sólida de clientes, assegurada por contratos de compra de energia, além de investidores e parceiros estratégicos, um modelo eficiente de financiamento e compartilhamento de riscos e uma execução robusta dos projetos.

Google e Fortum estão avaliando modelos de negócios que possam melhorar a competitividade de um novo projeto de energia nuclear em Loviisa. Além disso, as empresas estão analisando a adequação de áreas pertencentes à Fortum, com conexões à rede elétrica, para atender às futuras necessidades de data centers do Google”, informou a companhia finlandesa.

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