PETROBRÁS REDUZ CUSTOS EM OBRAS COM FPSOs
A Petrobras está adotando uma série de medidas para tornar seus projetos de desenvolvimento mais robustos diante do cenário de volatilidade de preços, custos e disponibilidade de equipamentos e serviços. Entre as principais iniciativas estão a simplificação dos projetos de FPSOs, a padronização de equipamentos e linhas, uma nova abordagem nas compras e uma aproximação maior com os fornecedores. A estratégia foi apresentada por Renata Baruzi, diretora da Petrobrás, durante painel realizado hoje (22), na ROG.e, no Riocentro.
Entre as medidas adotadas, a Petrobrás colocou a simplificação dos projetos de FPSOs como uma das principais frentes para reduzir custos e melhorar a viabilidade econômica dos empreendimentos. De acordo com Renata, a companhia identificou situações em que projetos tecnicamente avançados acabavam não sendo economicamente viáveis. A partir disso, passou a buscar soluções mais simples para as unidades.
Os resultados, segundo ela, já aparecem em projetos em desenvolvimento. No projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), a Petrobrás conseguiu uma redução de 10%, enquanto no projeto Búzios 12 houve uma redução de 17% no peso do topside. O maior ganho citado pela diretora ocorreu no projeto de revitalização de Tupi, no qual a companhia conseguiu reduzir em 51% o peso do topside.
Segundo ela, o esforço de simplificação não está restrito às instalações de superfície e também envolve soluções desubsuperfície. A Petrobras também iniciou movimentos de padronização de linhas flexíveis e rígidas, além de mudanças na estratégia de aquisição.
Um dos exemplos citados pela diretora envolve as linhas flexíveis. “Em vez de adquirir uma linha específica para cada poço, sujeita a perder sua utilidade caso o projeto ou a localização do poço seja alterada, a companhia passou a comprar bobinas completas e realizar o corte somente no momento da instalação”, contou.
PETROBRÁS QUER OUVIR FORNECEDORES
A outra frente destacada pela diretora é a aproximação com o mercado fornecedor. Renata afirmou que, desde que assumiu a posição, passou a buscar um diálogo mais direto com as empresas para entender quais fatores estão dificultando a apresentação de propostas à Petrobras e contribuindo para a elevação dos preços.
A companhia também está promovendo encontros com fornecedores para apresentar sua carteira de projetos e permitir que as empresas se preparem antecipadamente para a demanda. Esse diálogo levou ainda à revisão de cláusulas contratuais, com o objetivo de ampliar a segurança jurídica e reduzir riscos considerados excessivos para os fornecedores. “Fizemos um grande movimento para estarmos mais próximos do nosso mercado fornecedor”, afirmou.
A diretora da Petrobrás também destacou que a estratégia de contratação da empresa envolve a preocupação com a segurança do fornecimento. Segundo Renata, as rupturas observadas nas cadeias globais nos últimos anos mostraram que a Petrobras precisa reduzir sua exposição a eventuais interrupções.
Nesse contexto, a companhia vê o conteúdo local não apenas como uma política industrial, mas como uma questão estratégica para a própria operação. “Não é uma questão de dizer: ‘Vou fazer conteúdo local porque sou nacionalista’. Não. Eu faço conteúdo local porque é estratégico para mim”, afirmou.
Segundo ela, a Petrobras precisa construir uma cadeia fornecedora capaz de se recuperar rapidamente diante de uma eventual disrupção. Para isso, a estratégia envolve não concentrar fornecedores em uma única localização e, quando possível, contar também com empresas próximas às operações.

publicada em 22 de setembro de 2026 às 13:00 




