EMPRESAS VEEM INTEGRAÇÃO DO MERCADO DE GÁS DO CONE SUL COMO UMA OPORTUNIDADE
A maior integração do mercado de gás no Cone Sul pode ampliar as alternativas de suprimento para o Brasil e contribuir para um mercado regional mais competitivo. Para isso, será necessário avançar em infraestrutura e garantir previsibilidade nos ambientes jurídico, fiscal e regulatório. O tema foi discutido durante o painel “Oportunidades para um mercado de gás integrado no Cone Sul”, realizado na ROG.e 2026. O bate-papo foi moderado por Vinicius Romano, da Rystad Energy, e reuniu Alejandro Catalano, da Pan American Energy; Jorge Hijjar, da TBG; e Luciano Rojas, da TotalEnergies. O debate ocorreu em um momento de avanço da integração energética regional.
O Brasil já recebeu os primeiros volumes de gás natural de Vaca Muerta, na Argentina, enquanto os dois países avaliam alternativas para ampliar esse fluxo, incluindo rotas pela Bolívia, Paraguai, Uruguai e uma conexão direta pelo Rio Grande do Sul. “A integração para a Shell Energy já começou. Temos equipes na Argentina e no Chile e esse fluxo regional já é uma realidade para nós. A questão agora é como conseguimos fazer esse fluxo chegar ao Brasil e como criamos condições para estruturar contratos de médio e longo prazo”, afirmou Soares. Durante o painel, Rodrigo destacou que a competitividade do gás entregue ao consumidor depende tanto do preço da molécula quanto do custo para transportá-la até o mercado.
Nesse cenário, o aumento da disponibilidade de gás argentino pode ampliar a competição na oferta, enquanto diferentes alternativas logísticas devem ser avaliadas. Para o executivo, a garantia do suprimento é essencial, especialmente para clientes industriais: “Quando você vende gás para um cliente final, para uma indústria, precisa vender firme. Ter a certeza de que você vai fornecer esse gás é muito importante”. Segundo Soares, transformar o potencial regional em investimentos e contratos de maior duração também depende de regras previsíveis. “Quando você assume um compromisso de longo prazo, uma mudança na sistemática ou nas regras pode afetar muito a economia do projeto. Ter a certeza de que as regras estão bem estabelecidas é fundamental. É um momento muito oportuno, temos empresas querendo desenvolver esse mercado e temos gás disponível. O quanto antes conseguirmos trazer mais segurança jurídica, fiscal e regulatória, mais fácil será avançar.”
GÁS ARGENTINO PARA O BRASIL
A abundância e a competitividade do gás natural produzido na Argentina vêm fortalecendo o país como uma potência energética regional, com potencial para se tornar um fornecedor estratégico para mercados vizinhos. A capacidade de atender simultaneamente à demanda doméstica, regional e internacional foi um dos pontos destacados durante o painel por Alejandro Catalano, diretor-geral da Pan American Energy (PAE) no Brasil.
“Acredito que todos nós que trabalhamos na indústria da energia aqui na América do Sul temos que posicionar a região como uma exportadora de energia mais sustentável para o mundo inteiro de maneira segura. Nós podemos aportar para o mundo mais segurança que outras regiões nem sempre conseguem entregar”, afirmou.
Uma das iniciativas voltadas à exportação por via marítima é o projeto da Southern Energy (SESA), consórcio liderado pela PAE e formado ainda por YPF, Pampa Energía, Harbour Energy e Golar LNG. O empreendimento prevê a instalação de duas unidades flutuantes de liquefação, Hilli e MKII/Esperanza, na costa argentina, com capacidade estimada em cerca de 6 milhões de toneladas de GNL por ano.
A atratividade do projeto já se traduz em contratos no mercado internacional. Segundo a empresa, 80% da capacidade da primeira unidade já foi contratada pela alemã SEFE (Securing Energy for Europe). Catalano também afirmou que parte da produção do empreendimento poderá ser destinada ao Brasil, sobretudo em uma fase inicial, contribuindo para atender à necessidade de flexibilidade do sistema elétrico nacional em períodos de menor disponibilidade de geração hidrelétrica.
“Todo o trabalho que vem sendo realizado há 15 anos para consolidar Vaca Muerta já está se materializando de maneira concreta, e o GNL é uma via de monetização do gás natural muito importante para nos consolidarmos definitivamente como uma região exportadora, e não importadora”, concluiu o diretor-geral.

publicada em 24 de setembro de 2026 às 15:00 




