PESQUISA DA ILOS APONTA COMO REFLEXO DA REFORMA TRIBUTÁRIA QUE UMA EM CADA CINCO GRANDES EMPRESAS MUDARÁ SEU CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS
Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) no primeiro semestre deste ano, mostra um lado dramático para as empresas, reflexos da reforma tributária: uma em cada cinco das maiores empresas do Brasil já planeja mudar a localização de seus centros de distribuição entre estados. Cem dos maiores faturamentos, apontam o início de uma reorganização da geografia logística do país. O levantamento identificou uma pretensão clara de aumento de operações logísticas no estado de São Paulo, onde há o maior mercado consumidor do país. A mudança decorre do fim gradual da lógica que sustentou boa parte das decisões de localização no país. “Com a substituição do ICMS pelo IBS, cobrado no destino, o benefício fiscal estadual perde força como critério de escolha. A decisão de onde instalar um centro de distribuição passa a ser avaliada com maior peso para aumento da eficiência da malha, redução de custo logístico e proximidade do mercado consumidor“, explica Rodrigo Tourinho Nakamura, sócio executivo do ILOS. O trabalho demonstra que algumas empresas veem a reforma como oportunidade para redução de custos, enquanto outras estão mais pessimistas. Mas em todos os seis componentes avaliados, a parcela de empresas que projeta alta de custos supera a que projeta redução. Em transportes, 37% esperam aumento e 30%, redução, a menor diferença entre os itens. Em mão de obra de armazenagem, 36% preveem aumento e 8%, redução. Chama atenção ainda o volume de empresas que ainda nem sequer avaliou os impactos: 31% no caso da importação e 24% em compra de insumos. É essa combinação, custo pressionado e rede logística ainda desenhada sob a lógica fiscal antiga, que torna as decisões de localização dos próximos anos determinantes para a competitividade das empresas.
A pesquisa ILOS também mediu como as empresas avaliam o alcance da Reforma Tributária sobre o supply chain e o potencial de otimização da operação logística. Em relação à percepção, há um ligeiro otimismo por parte das empresas, com 45% dizendo que a reforma terá impacto positivo ou muito positivo no supply chain, embora 38% acreditem que esta será negativa. Por outro lado, a maior parte das empresas (65%) considera que a Reforma deixará a sua operação logística mais otimizada. A realocação dos centros de distribuição das empresas tende a ocorrer de forma gradual, ao longo dos próximos anos.
O calendário da reforma, porém, já está em curso: 2026 é o ano de teste do novo sistema, 2027 marca a extinção do PIS/Cofins e a entrada integral da CBS, a transição do ICMS e do ISS ocorre entre 2029 e 2032, e o modelo entra em vigor pleno em 2033. Apesar do horizonte definido, o nível de preparação das empresas em relação à Reforma Tributária ainda é baixo. Apenas 13% das empresas consultadas se consideram totalmente preparadas para as mudanças previstas até 2033. Para o ILOS, o dado aponta uma lacuna relevante de maturidade no planejamento das adaptações necessárias em redes logísticas, localização de centros de distribuição, compras, estoques, transportes, armazenagem e importações.

“Antes da Reforma Tributária, a arquitetura fiscal e os incentivos estaduais tinham grande influência na localização dos armazéns das empresas. Agora, com as mudanças na tributação, a prioridade será a redução de custos logísticos e a proximidade do consumidor”, afirma Nakamura.

publicada em 29 de setembro de 2026 às 13:00 





