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EPE ESTIMA POTENCIAL DE 1 TRILHÃO DE METROS CÚBICOS DE GÁS NATURAL NA BACIA DE PELOTAS

A natureza pode ter reservado uma nova bênção para o Brasil, justamente quando o país busca alternativas para aumentar sua produção de gás. A Bacia de Pelotas, na região Sul, pode concentrar cerca de 1 trilhão de metros cúbicos de gás natural recuperáveis, segundo estimativa preliminar da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O levantamento aponta ainda um volume de aproximadamente 3,4 bilhões de barris de petróleo recuperáveis.

Ao todo, o estudo estima 17,9 bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo mais gás) em recursos in pace, sendo 9,7 bilhões de barris de óleo equivalente recuperáveis. Os resultados fazem parte do caderno de estudos “Estimativa Volumétrica da Bacia Pelotas”, lançado pela EPE durante a Rio Oil & Gas (ROG.e) 2026. O trabalho integra um projeto iniciado em 2022 pela Diretoria de Estudos do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da empresa, voltado à ampliação do conhecimento técnico sobre o potencial das bacias sedimentares brasileiras.

Bacia de Pelotas destacada em amarelo

A avaliação ganha relevância diante dos resultados recentes obtidos na margem conjugada africana da Bacia de Pelotas, na costa da Namíbia. Os volumes estimados para a porção namibiana chegam a cerca de 18 bilhões de barris de óleo equivalente in place. A campanha exploratória realizada na região levou à declaração de 14 descobertas, com o primeiro óleo do campo de Vênus previsto para 2030.

A semelhança geológica entre as duas margens está entre os fatores que vêm ampliando o interesse sobre o potencial exploratório da Bacia de Pelotas. No Brasil, entretanto, não é perfurado um poço exploratório na bacia desde 2001. Para a EPE, os resultados obtidos na margem africana reforçam a importância de avaliar a ocorrência, no lado brasileiro, dos mesmos sistemas petrolíferos e reservatórios identificados na margem conjugada.

Localizada na fronteira com o Uruguai, a Bacia de Pelotas se estende por todo o litoral do Rio Grande do Sul e por parte do litoral de Santa Catarina. Sua evolução geológica está relacionada à formação do Oceano Atlântico e à fragmentação do supercontinente Gondwana, processo ocorrido entre aproximadamente 200 milhões e 145 milhões de anos atrás.

A evolução da bacia brasileira apresenta características semelhantes às das bacias conjugadas da costa oeste africana e da bacia vizinha do Uruguai. As descobertas de petróleo em águas profundas na margem da Namíbia, especialmente a partir da década de 2020, aumentaram o interesse da indústria pelas bacias do Atlântico Sul e colocaram a Bacia de Pelotas entre as áreas brasileiras de maior atenção exploratória.

Apesar dos volumes estimados, a EPE ressalta que os números devem ser interpretados com cautela. O estudo representa uma avaliação preliminar dos recursos não descobertos da bacia, baseada no conhecimento geológico e geofísico atualmente disponível e nas premissas adotadas no levantamento. Segundo a empresa, os resultados apresentam elevado grau de incerteza, compatível com o estágio exploratório da área.

Dessa forma, os volumes calculados representam uma indicação da ordem de grandeza do potencial exploratório da Bacia de Pelotas, e não uma estimativa de reservas ou de recursos já descobertos. Os números poderão ser revisados à medida que novos dados, estudos geológicos e geofísicos e, eventualmente, novas atividades exploratórias sejam realizados na região.

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